A frota de veículos brasileira cresce ano após ano e, junto dela, aumenta também a procura por serviços de pintura de carro. Seja para corrigir riscos, recuperar danos após colisões ou até renovar completamente o visual do automóvel, a repintura automotiva envolve processos técnicos que vão muito além de apenas aplicar tinta na carroceria.
Também conhecido como repintura, o procedimento exige preparação adequada da superfície, escolha correta dos materiais e mão de obra especializada para evitar problemas como diferença de tonalidade, descascamento, manchas e até corrosão.
Em entrevistas com a PPG, referência global no desenvolvimento e fornecimento de tintas, revestimentos e materiais especiais, o AutoPapo apurou como funciona o processo de pintura automotiva, os cuidados necessários e os principais erros que podem comprometer o resultado final.
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Segundo Ricardo Vettorazzi, existe uma diferença significativa entre a pintura original feita na fábrica e a repintura realizada em oficina.
Nas oficinas mais estruturadas, que contam com cabine de pintura, a temperatura pode chegar a cerca de 80 °C para acelerar a secagem sem danificar peças plásticas, borrachas e acabamentos já instalados no veículo.
Essa etapa térmica é importante porque influencia diretamente no tempo de cura dos produtos, na qualidade do acabamento e até na durabilidade da pintura.
“O serviço que vai ser feito depende muito do tipo de dano que está no carro. Às vezes, um risco é retirado facilmente com um processo rápido de retoque, um smart repair. É possível fazer rapidamente e entregar até no mesmo dia. Em duas ou três horas, o profissional consegue concluir o serviço. Mas também existem outras situações em que é preciso trocar peças, fazer funilaria, e aí o processo demora mais.”
Entre os serviços mais comuns estão:
Existem alguns serviços que são mais comuns de serem pedidos em oficinas reparadoras. O mais clássico é a pintura de uma peça: porta, capô, teto, para-choque e outros itens que podem ser isolados para receber a manutenção. A pintura completa também acontece, e o proprietário pode, inclusive, mudar toda a cor do veículo.
Os serviços de retoque, citados pelos especialistas, são outra opção que pode ser procurada em casos de arranhões mais superficiais e pequenos. Segundo Vettorazzi, as ferramentas atuais têm mais precisão e podem dispensar a necessidade de pintar uma peça por completo. Tudo, claro, dependerá da qualidade do trabalho da oficina e do pintor.
Ricardo Vettorazzi explica que a repintura automotiva possui várias etapas técnicas e que pular processos pode comprometer totalmente o resultado.
A PPG detalha como deve acontecer a pintura e repintura de carro (Foto: PPG | Divulgação)
Muitos são os passos antes da tinta chegar na lataria do carro (Foto: Shutterstock)
Antes de qualquer aplicação, a superfície passa por um processo rigoroso de limpeza e preparação. A peça recebe desengraxantes específicos para remover resíduos de óleo, graxa, silicones, poeira e outras impurezas que possam comprometer a aderência da tinta.
Depois disso, começa a etapa de funilaria, responsável por corrigir deformações maiores na lataria.
Segundo Ricardo, essa preparação inicial é fundamental para evitar defeitos futuros.
O ponto de partida para o processo de pintura de carro é a chamada “chapa nua”, quando a superfície metálica já passou pela funilaria e está pronta para receber os produtos de preparação.
Caso existam pequenas deformações, amassados ou irregularidades, entra em cena a massa poliéster, usada para nivelar a superfície.
Ricardo compara o material à massa corrida utilizada em pinturas residenciais, mas ressalta que a resistência é muito superior.
“A massa poliéster tem função semelhante à massa corrida, mas com uma resistência muito maior. Ela seca rápido, tem excelente aderência e pode ser aplicada em aço, alumínio e até plástico.”
Após cerca de 15 minutos de cura, a massa já pode ser lixada para receber a próxima etapa.
Depois da correção da superfície, entra o wash primer, uma camada extremamente fina de um protetor aplicada diretamente sobre o metal exposto. Sua principal função é impedir a oxidação da chapa metálica e, futuramente, a corrosão.
“O wash primer cria uma proteção anticorrosiva porque a chapa começa a oxidar imediatamente quando entra em contato com o ar.”
A camada seca rapidamente e serve como uma proteção extra, principalmente em reparos maiores.
“Se a peça ficar parada um ou dois dias aguardando a próxima etapa, ela já pode começar a oxidar. O wash primer evita isso.”
Apesar disso, o especialista ressalta que pequenos reparos rápidos nem sempre exigem a aplicação do produto.
“Em reparos rápidos ou superficiais, às vezes o profissional aplica o primer diretamente e o resultado pode ser bom também. O wash primer funciona como uma segurança extra contra corrosão.”
O primer é fundamental (Foto: Shutterstock)
Após o wash primer, entra o primer convencional, responsável por preparar a superfície para receber a tinta de acabamento. Este ajuda a eliminar pequenas imperfeições deixadas após o lixamento da massa poliéster.
“O primer é quem prepara a superfície para o acabamento ficar liso e o verniz apresentar brilho e qualidade visual.”
Os primers também variam conforme a cor final do veículo.
“Se o carro é branco, usa-se primer branco. Se é preto, primer preto. Isso evita gastar mais tinta para cobrir o fundo.”
Após a aplicação, o primer passa por nova etapa de cura e lixamento fino até deixar a superfície completamente lisa.
A pintura é um dos últimos processos (Foto: Shutterstock)
Com a preparação concluída, é aplicada a tinta e a pintura começa a tomar forma. Na sequência vem o verniz, considerado uma das etapas mais importantes do acabamento.
“O verniz é o glamour da aplicação. É ele que dá brilho, profundidade e proteção contra raios ultravioleta.”
A cabine se secagem poupa tempo do processo de pintura (Foto: Shutterstock)
A aplicação da tinta e do verniz pode acontecer dentro de cabines de pintura equipadas com exaustão e filtragem de ar. Esta, além de evitar sujeira sobre a tinta fresca, melhora as condições de trabalho do profissional.
“A cabine reduz partículas em suspensão e evita sujeira sobre a tinta fresca. Além disso, acelera a cura com controle de temperatura.”
Segundo Ricardo, oficinas limpas e organizadas já demonstram maior preocupação com a qualidade do serviço.
“Uma oficina limpa e com cabine organizada já demonstra preocupação com a qualidade da aplicação.”
Outro fator importante é a saúde do pintor.
“Sem exaustão, os vapores de solvente ficam no ambiente e o profissional respira aquilo durante anos.”
A pintura de para-choque e de outras peças plásticas possui diferenças importantes em relação à pintura da lataria metálica. Antes do primer, é obrigatório aplicar um promotor de aderência específico para plástico.
“Se você não aplicar o promotor de aderência, a tinta não fixa corretamente no plástico.”
Além disso, quando há necessidade de correção na peça, utiliza-se uma massa específica mais flexível.
“O plástico vibra e é mais maleável. Se usar uma massa comum, ela pode trincar.”
Depois de entender como funciona o processo de pintura do carro e quais os tipos de pintura são mais comuns no mercado, o cidadão interessado costuma procurar qual pintura e em quais partes do carro ele realiza. A resposta depende do tipo de reparo e da habilidade do profissional.
Segundo Ricardo, muitas vezes o pintor utiliza técnicas para “abrir” a pintura em peças vizinhas e disfarçar diferenças de tonalidade.
“Às vezes o profissional pinta parte da peça ao lado para disfarçar uma eventual diferença de cor.”
Isso acontece quando apenas uma peça precisa de manutenção, mas para evitar pintar mais partes e disfarçar a diferença de tonalidade entre uma parte e outra, a estratégia é utilizada.
Outra situação que essa estratégia pode ser viável é em peças com desgaste natural mais rápido que outras. Capô e teto, por exemplo, costumam desbotar mais rapidamente do que portas e laterais.
As micro-pinturas e smart repair, já citados, acabaram com a ideia de obrigatoriedade de pintar toda a peça.
Segundo Ricardo, antigamente os equipamentos não permitiam reparos tão localizados.
“Houve uma evolução tanto dos equipamentos quanto das tintas.”
Hoje, pequenos riscos podem ser corrigidos sem necessidade de pintar toda a peça. O processo utiliza pistolas menores, primers em aerossol e vernizes de secagem rápida.
“É um processo bem localizado. Às vezes o reparo não passa do tamanho de um palmo da mão.”
O tempo varia conforme a estrutura da oficina, o tamanho do dano e os produtos utilizados. Em oficinas equipadas com cabine e processos otimizados, a pintura de uma peça pode ficar pronta em um único dia. Já serviços maiores, como banho de tinta ou pintura completa, podem levar vários dias.
“Uma oficina estruturada consegue fazer um reparo rápido até no mesmo dia. Já uma pintura geral pode levar de um até cinco dias.”
Sem cabine de pintura, o processo costuma demorar mais, principalmente devido ao tempo de secagem dos materiais.
Segundo Ricardo, o consumidor deve observar quais produtos estão sendo utilizados e desconfiar de preços muito abaixo da média.
“O processo de repintura é trabalhoso, artesanal. Quando o valor está muito barato, é preciso suspeitar.”
Ele recomenda pesquisar marcas, pedir mais de um orçamento e observar a estrutura da oficina.
“Uma oficina organizada, limpa, com cabine de pintura e profissionais usando EPI já é um bom indicativo.”
O especialista também alerta para oficinas que misturam produtos de fabricantes diferentes.
“O sistema foi desenvolvido para funcionar em conjunto. Primer, verniz, massa e tinta do mesmo fabricante tendem a entregar melhor resultado.”
O preço de pintura de carro depende de diversos fatores:
Por isso, não existe uma tabela de preços de pintura automotiva padronizada no mercado. O especialista fala que o ideal é fazer múltiplos orçamentos e desconfiar de valores muito abaixo dos demais.
Segundo a Inteligência Artificial, no Brasil atualmente um reparo de pintura de arro pode variar entre R$ 300 e R$ 1.000. Já uma pintura completa de carro custa ao menos R$ 3.000 e pode passar dos R$ 10.000.
Um trabalho bem feito evita diferença nas cores (Foto: Shuttestock)
Para o especialista e executivo da PPG, entre os problemas mais frequentes encontrados em serviços de pintura de carro estão:
O especialista reforça que a qualidade do acabamento depende tanto dos produtos quanto da experiência do profissional responsável pela aplicação.
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Também conhecido como repintura, o procedimento exige preparação adequada da superfície, escolha correta dos materiais e mão de obra especializada para evitar problemas como diferença de tonalidade, descascamento, manchas e até corrosão.
Em entrevistas com a PPG, referência global no desenvolvimento e fornecimento de tintas, revestimentos e materiais especiais, o AutoPapo apurou como funciona o processo de pintura automotiva, os cuidados necessários e os principais erros que podem comprometer o resultado final.
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Pintura e repintura: qual a diferença?
Segundo Ricardo Vettorazzi, existe uma diferença significativa entre a pintura original feita na fábrica e a repintura realizada em oficina.
A pintura original é feita sem nenhum componente no carro, só na lataria. Além disso, as condições de aplicação e cura chegam a 120 °C. No processo de repintura automotiva, é impossível desmontar o carro todo para pintar. Então o serviço costuma ser feito em temperatura ambiente.”
Nas oficinas mais estruturadas, que contam com cabine de pintura, a temperatura pode chegar a cerca de 80 °C para acelerar a secagem sem danificar peças plásticas, borrachas e acabamentos já instalados no veículo.
Essa etapa térmica é importante porque influencia diretamente no tempo de cura dos produtos, na qualidade do acabamento e até na durabilidade da pintura.
Tipos de pintura de carro
“O serviço que vai ser feito depende muito do tipo de dano que está no carro. Às vezes, um risco é retirado facilmente com um processo rápido de retoque, um smart repair. É possível fazer rapidamente e entregar até no mesmo dia. Em duas ou três horas, o profissional consegue concluir o serviço. Mas também existem outras situações em que é preciso trocar peças, fazer funilaria, e aí o processo demora mais.”
Entre os serviços mais comuns estão:
- pintura de uma peça inteira, como porta, teto, capô ou para-choque;
- pintura localizada para pequenos riscos;
- banho de tinta;
- pintura completa do carro;
- recuperação de pintura de para-choque;
- retoques pontuais.
Existem alguns serviços que são mais comuns de serem pedidos em oficinas reparadoras. O mais clássico é a pintura de uma peça: porta, capô, teto, para-choque e outros itens que podem ser isolados para receber a manutenção. A pintura completa também acontece, e o proprietário pode, inclusive, mudar toda a cor do veículo.
Os serviços de retoque, citados pelos especialistas, são outra opção que pode ser procurada em casos de arranhões mais superficiais e pequenos. Segundo Vettorazzi, as ferramentas atuais têm mais precisão e podem dispensar a necessidade de pintar uma peça por completo. Tudo, claro, dependerá da qualidade do trabalho da oficina e do pintor.
O processo de pintura de carro é rigoroso
Ricardo Vettorazzi explica que a repintura automotiva possui várias etapas técnicas e que pular processos pode comprometer totalmente o resultado.
A PPG detalha como deve acontecer a pintura e repintura de carro (Foto: PPG | Divulgação)
1. Limpeza e preparação da superfície
Muitos são os passos antes da tinta chegar na lataria do carro (Foto: Shutterstock)
Antes de qualquer aplicação, a superfície passa por um processo rigoroso de limpeza e preparação. A peça recebe desengraxantes específicos para remover resíduos de óleo, graxa, silicones, poeira e outras impurezas que possam comprometer a aderência da tinta.
Depois disso, começa a etapa de funilaria, responsável por corrigir deformações maiores na lataria.
Segundo Ricardo, essa preparação inicial é fundamental para evitar defeitos futuros.
2. Chapa nua e correção com massa poliéster
O ponto de partida para o processo de pintura de carro é a chamada “chapa nua”, quando a superfície metálica já passou pela funilaria e está pronta para receber os produtos de preparação.
Caso existam pequenas deformações, amassados ou irregularidades, entra em cena a massa poliéster, usada para nivelar a superfície.
Ricardo compara o material à massa corrida utilizada em pinturas residenciais, mas ressalta que a resistência é muito superior.
“A massa poliéster tem função semelhante à massa corrida, mas com uma resistência muito maior. Ela seca rápido, tem excelente aderência e pode ser aplicada em aço, alumínio e até plástico.”
Após cerca de 15 minutos de cura, a massa já pode ser lixada para receber a próxima etapa.
3. Wash primer: proteção contra ferrugem
Depois da correção da superfície, entra o wash primer, uma camada extremamente fina de um protetor aplicada diretamente sobre o metal exposto. Sua principal função é impedir a oxidação da chapa metálica e, futuramente, a corrosão.
“O wash primer cria uma proteção anticorrosiva porque a chapa começa a oxidar imediatamente quando entra em contato com o ar.”
A camada seca rapidamente e serve como uma proteção extra, principalmente em reparos maiores.
“Se a peça ficar parada um ou dois dias aguardando a próxima etapa, ela já pode começar a oxidar. O wash primer evita isso.”
Apesar disso, o especialista ressalta que pequenos reparos rápidos nem sempre exigem a aplicação do produto.
“Em reparos rápidos ou superficiais, às vezes o profissional aplica o primer diretamente e o resultado pode ser bom também. O wash primer funciona como uma segurança extra contra corrosão.”
4. Primer: nivelamento e preparação para a tinta
O primer é fundamental (Foto: Shutterstock)
Após o wash primer, entra o primer convencional, responsável por preparar a superfície para receber a tinta de acabamento. Este ajuda a eliminar pequenas imperfeições deixadas após o lixamento da massa poliéster.
“O primer é quem prepara a superfície para o acabamento ficar liso e o verniz apresentar brilho e qualidade visual.”
Os primers também variam conforme a cor final do veículo.
“Se o carro é branco, usa-se primer branco. Se é preto, primer preto. Isso evita gastar mais tinta para cobrir o fundo.”
Após a aplicação, o primer passa por nova etapa de cura e lixamento fino até deixar a superfície completamente lisa.
5. Pigmentação e verniz: brilho e proteção final
A pintura é um dos últimos processos (Foto: Shutterstock)
Com a preparação concluída, é aplicada a tinta e a pintura começa a tomar forma. Na sequência vem o verniz, considerado uma das etapas mais importantes do acabamento.
“O verniz é o glamour da aplicação. É ele que dá brilho, profundidade e proteção contra raios ultravioleta.”
Cabine de pintura ajuda no acabamento e na segurança
A cabine se secagem poupa tempo do processo de pintura (Foto: Shutterstock)
A aplicação da tinta e do verniz pode acontecer dentro de cabines de pintura equipadas com exaustão e filtragem de ar. Esta, além de evitar sujeira sobre a tinta fresca, melhora as condições de trabalho do profissional.
“A cabine reduz partículas em suspensão e evita sujeira sobre a tinta fresca. Além disso, acelera a cura com controle de temperatura.”
Segundo Ricardo, oficinas limpas e organizadas já demonstram maior preocupação com a qualidade do serviço.
“Uma oficina limpa e com cabine organizada já demonstra preocupação com a qualidade da aplicação.”
Outro fator importante é a saúde do pintor.
“Sem exaustão, os vapores de solvente ficam no ambiente e o profissional respira aquilo durante anos.”
Pintura de para-choque e outras partes plásticas exige cuidados específicos
A pintura de para-choque e de outras peças plásticas possui diferenças importantes em relação à pintura da lataria metálica. Antes do primer, é obrigatório aplicar um promotor de aderência específico para plástico.
“Se você não aplicar o promotor de aderência, a tinta não fixa corretamente no plástico.”
Além disso, quando há necessidade de correção na peça, utiliza-se uma massa específica mais flexível.
“O plástico vibra e é mais maleável. Se usar uma massa comum, ela pode trincar.”
É melhor pintar o carro todo ou peça por peça?
Depois de entender como funciona o processo de pintura do carro e quais os tipos de pintura são mais comuns no mercado, o cidadão interessado costuma procurar qual pintura e em quais partes do carro ele realiza. A resposta depende do tipo de reparo e da habilidade do profissional.
Segundo Ricardo, muitas vezes o pintor utiliza técnicas para “abrir” a pintura em peças vizinhas e disfarçar diferenças de tonalidade.
“Às vezes o profissional pinta parte da peça ao lado para disfarçar uma eventual diferença de cor.”
Isso acontece quando apenas uma peça precisa de manutenção, mas para evitar pintar mais partes e disfarçar a diferença de tonalidade entre uma parte e outra, a estratégia é utilizada.
Outra situação que essa estratégia pode ser viável é em peças com desgaste natural mais rápido que outras. Capô e teto, por exemplo, costumam desbotar mais rapidamente do que portas e laterais.
Nem sempre é preciso pintar a peça inteira
As micro-pinturas e smart repair, já citados, acabaram com a ideia de obrigatoriedade de pintar toda a peça.
Segundo Ricardo, antigamente os equipamentos não permitiam reparos tão localizados.
“Houve uma evolução tanto dos equipamentos quanto das tintas.”
Hoje, pequenos riscos podem ser corrigidos sem necessidade de pintar toda a peça. O processo utiliza pistolas menores, primers em aerossol e vernizes de secagem rápida.
“É um processo bem localizado. Às vezes o reparo não passa do tamanho de um palmo da mão.”
Quanto tempo demora uma pintura de carro?
O tempo varia conforme a estrutura da oficina, o tamanho do dano e os produtos utilizados. Em oficinas equipadas com cabine e processos otimizados, a pintura de uma peça pode ficar pronta em um único dia. Já serviços maiores, como banho de tinta ou pintura completa, podem levar vários dias.
“Uma oficina estruturada consegue fazer um reparo rápido até no mesmo dia. Já uma pintura geral pode levar de um até cinco dias.”
Sem cabine de pintura, o processo costuma demorar mais, principalmente devido ao tempo de secagem dos materiais.
Como saber se a oficina usa produtos de qualidade?
Segundo Ricardo, o consumidor deve observar quais produtos estão sendo utilizados e desconfiar de preços muito abaixo da média.
“O processo de repintura é trabalhoso, artesanal. Quando o valor está muito barato, é preciso suspeitar.”
Ele recomenda pesquisar marcas, pedir mais de um orçamento e observar a estrutura da oficina.
“Uma oficina organizada, limpa, com cabine de pintura e profissionais usando EPI já é um bom indicativo.”
O especialista também alerta para oficinas que misturam produtos de fabricantes diferentes.
“O sistema foi desenvolvido para funcionar em conjunto. Primer, verniz, massa e tinta do mesmo fabricante tendem a entregar melhor resultado.”
Preço de pintura de carro varia muito
O preço de pintura de carro depende de diversos fatores:
- Qualidade do verniz;
- Necessidade de funilaria;
- Tamanho do reparo;
- Estrutura da oficina;
- Tipo de tinta utilizada;
- Tempo de mão de obra.
Por isso, não existe uma tabela de preços de pintura automotiva padronizada no mercado. O especialista fala que o ideal é fazer múltiplos orçamentos e desconfiar de valores muito abaixo dos demais.
Segundo a Inteligência Artificial, no Brasil atualmente um reparo de pintura de arro pode variar entre R$ 300 e R$ 1.000. Já uma pintura completa de carro custa ao menos R$ 3.000 e pode passar dos R$ 10.000.
Erros mais comuns na pintura automotiva
Um trabalho bem feito evita diferença nas cores (Foto: Shuttestock)
Para o especialista e executivo da PPG, entre os problemas mais frequentes encontrados em serviços de pintura de carro estão:
- Diferença de tonalidade;
- Marcas de lixamento;
- Sujeira no verniz;
- Falta de brilho;
- Descascamento;
- Crateras na pintura;
- Baixa aderência em peças plásticas.
O especialista reforça que a qualidade do acabamento depende tanto dos produtos quanto da experiência do profissional responsável pela aplicação.
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