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Como os carros ajudam a contar a história em ‘O Agente Secreto’

Iniciado por News Bot · há 7 meses

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O filme nacional “O Agente Secreto” está colecionando prêmios em diversos festivais e virou um candidato forte no Oscar. O diretor Kleber Mendonça Filho teve um cuidado especial na produção para reconstruir como era a cidade de Recife (PE) em 1977, e os carros foram parte essencial para isso.

A capital pernambucana foi ambientada para voltar aos anos 1970, com placas de comércio, orelhões, carros e roupas. Ao total foram mais de 360 carros em cena no filme, com cerca de 150 fornecidos pelos colecionadores locais.


Kleber Mendonça Filho supervisionou tudo e escolheu carros anteriores a 1977 (Foto: Vitrine Filmes | Divulgação)

O filme já começa com um clássico em cena (Foto: João Lucas | Acervo pessoal)

(Foto: João Lucas | Acervo pessoal)

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Por trás desse elenco automotivo estava João Lucas, que atuou como produtor de veículos de cena. Ele trabalhou procurando os carros e coordenando eles nas cenas.

Segundo o produtor, o período de pesquisa e pré-produção de O Agente Secreto foi de cinco semanas. Ele circulou em encontros de carros antigos para conhecer os proprietários e entrou em contato com os clubes locais.

O diretor Kleber Mendonça Filho exigiu alguns cuidados, como não ter carros mais novos que 1977. A produção também pediu para remover acessórios que não fossem de época, para que a ambientação fique fiel.


A produção pediu para os donos deixaram o carro no tempo para ficarem empoeirados (Foto: Kléber Falcão | Acervo pessoal)

As ruas foram caracterizadas de várias formas (Foto: Kléber Falcão | Acervo pessoal)

Os donos dos carros participaram como figurantes (Foto: Dayvson Souza | Acervo pessoal)

A preferência foi por carros populares, pois no dia a dia de Recife a maioria dos veículos que rodavam eram da classe trabalhadora. Por isso a grande quantidade de Fuscas, como também de Corcéis e Brasília. João Lucas complementa que eles também não precisavam estar impecáveis como nos encontros:


Os carros não poderiam estar brilhando. A gente pediu para eles deixar os carros fora da capa, se possível em uma garagem aberta, para naturalmente ir pegando uma certa poeira.


A produção também contou com poeira cenográfica para “maquiar” os atores de quatro rodas em cena. O produtor de veículos pedia para os proprietários estarem sempre junto dos carros, muitos atuaram como figurantes.

Um carro que quebrou essa regra de não usar veículos novos foi a Chevrolet Veraneio da polícia. A produção não encontrou um modelo antigo na cor certa e recorreu a uma unidade dos anos 80. Como a carroceria era a mesma, foi preciso apenas trocar as peças da dianteira, como capô, grade e faróis para ser caracterizada.


O único carro pós 1977 foi essa Veraneio (Foto: João Lucas | Acervo pessoal)

Ela foi caracterizada como um modelo mais antigo (Foto: João Lucas | Acervo pessoal)

O FNM veio rodando de outra cidade para o filme (Foto: João Lucas | Acervo pessoal)

Outro que marcou a produção de O Agente Secreto foi o caminhão FNM. João Lucas conta que encontrou um em perfeito estado de conservação na cidade de Gravatá, a 75 km de distância de Recife.

O proprietário foi dirigindo até a capital para as gravações. A produção estava receosa com isso, mas o caminhão chegou ao set antes mesmo da equipe.


O resultado visto nas telas parece uma viagem no tempo (Foto: Vitrine Filmes | Divulgação)

João Lucas coordenou todas as filmagens que envolviam os carros antigos:


Sempre que tinham carros, eu estava presente durante toda a dinâmica de set pra coordenar junto com a equipe de direção, arte e produção de set. Assim como foi imprescindível o trabalho de toda a equipe de produção que possibilitou que as ruas estivessem bloqueadas para que pudéssemos fazer toda a logística de posicionar e movimentar os carros em segurança.


Não vamos adentrar aos detalhes do roteiro, mas os carros são partes integrais de O Agente Secreto. O filme trata sobre memória e os veículos também são instrumentos para a preservação da história. Eles atuam como testemunhas silenciosas e guardam marcas dos acontecimentos.

O Agente Secreto não está apenas levando o cinema brasileiro para o mundo. Ele também está mostrando como foi uma parte de nosso passado e os carros ajudaram a ilustrar isso.

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