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Etiquetagem de carro elétrico do Inmetro espanta consumidor

Iniciado por News Bot · há 3 anos

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A chegada do BYD Dolphin provocou uma turbulência no mercado de carros elétricos. O compacto chinês mostrou que ter um elétrico pode custar o mesmo que um hatch compacto topo de linha.

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A reboque, modelos mais simples como Caoa Chery iCar, JAC E-JS1 e Renault Kwid E-Tech e até mesmo outros mais sofisticados como o Peugeot e-2008 tiveram seus preços reduzidos. Mas a compra de um carro elétrico ainda gera desconfianças do consumidor.

Se o preço já deixou de ser tão proibitivo (ainda não é barato), outro fator que desmotiva o consumidor é a autonomia das baterias. E depois que o Inmetro lançou sua metodologia em 2022, que é mais rigorosa que os demais métodos (cerca de 30% a menos que os valores declarados de fábrica), o receio aumentou.


BYD Dolphin chegou por R$ 150 mil e forçou queda de preços, mas etiquetagem do Inmetro ainda espanto (Foto: BYD | Divulgação)

Afinal, o elétrico percorre tudo que a fabrica promete ou roda tão pouco como o Inmetro atesta? Para ajudar a responder a essa pergunta conversamos com o presidente da Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Elétricos Inovadores (Abravei), Rogério Markiewicz.

A entidade surgiu com a troca de informações por proprietários de carros elétricos. “No começo era um clube de donos de BMW i3, que trocavam informações e dicas e buscavam soluções para compra de componentes e peças”, relembra.

Etiquetagem do Inmetro foge a realidade


Hoje a Abravei, se tornou uma referência em informações sobre carros elétricos e critica a falta de uma padronização sobre as metodologias de aferição de autonomia. E para isso, a entidade criou sua própria metodologia de etiquetagem de autonomia, a Avex.


“Achamos muito interessante ter um índice nacional, pois cada montadora que comercializa um elétrico no Brasil, adota um índice, o que estava ajudando a desinformar, então é necessário padronizar sim. Isso porque, ao analisar os índices europeu e chinês, eles são mais otimistas. O norte-americano é o mais prõximo da realidade, pois considera o ar-condicionado ligado. Já o PBEV é mais próximo do EPA e outros elementos, o que provoca uma redução brutal em relação aos outros índices”, compara.


Markiewicz aponta que essa redução drástica acabou criando uma barreira muito grande para quem pretende comprar um carro elétrico. E para oferecer uma métrica mais próxima da realidade, o Avex, que ao contrario dos demais, é uma referência mensurada qualitativamente na prática e não por ensaios laboratoriais, como o PBVE, EPA e WLTP.


“O Avex é uma referência de condução que coleta dados das mais varidades regiões do país, que oferece um quadro que nenhum país do mundo consegue reproduzir. Além disso, é dentro da nossa realidade, considerando a qualidade de pavimentação das estradas, tráfego. O nosso índice é isento, pois não temos vínculo com nenhuma montadora ou fornecedor de equipamentos. Somos simplesmente os consumidores de veículos elétricos”, aponta Rogério.


Atualmente o Avex conta com referências de 11 modelos, desde o veterano BMW i3 passando pelo híbrido BYD Song Plus.

Para se ter uma ideia, o Volvo XC40 tem autonomia declarada pelo ciclo WLTP (europeu) de 420 km. Já pelo PBEV, do Inmetro, a autonima cai para para 231 km.


Autonomia do Volvo XC40, segundo o método Avex, é o mais próximo do declarado pelo fabricante (Foto: Volvo | Divulgação)

Pelo método Avex, a autonomia mínima registrada é de 350 km e a máxima é de 411 km, considerando a média das condições de tráfego das vias brasileiras.

Os números do Avex condizem com o que já tínhamos percebido nos vários testes elétricos que publicamos no AutoPapo em que não se pode confiar no otimismo do fabricante e nem mesmo no pessimismo da etiquetagem do Inmetro. Ou seja, nem tanto ao céu e nem tanto ao mar.

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