Notícia 10 carros lançados em 1996 que podem ser importados para o Brasil

No Brasil é permitido importar carros de forma independente em duas ocasiões: se for zero km ou se tiver mais de 30 anos. Com a chegada de 2026 passou a ser liberado trazer veículos do ano 1996.

Nesse ano ocorreu o lançamento de alguns carros que sobreviveram a virada do milênio. A indústria estava se reinventando, com carros mais arredondados e mais eletrônica embarcada, que deixaram os motores mais fortes, econômicos e até confiáveis.

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A década de 90 foi marcada também pelo avanço dos carros japoneses, que apostavam em várias tecnologias. Em 1996 os carros americanos e europeus estavam mais preparados para combater os nipônicos.

Vamos listar aqui 10 carros que foram lançados em 1996 que já podem ser importados para o Brasil. Boa parte da lista nem veio para o Brasil ou existe aqui em baixíssima quantidade.

1. Renault Sport Spider

renault sport spider amarelo frente

O motor era de Megane, mas o resto era quase um carro de pista (Foto: Renault | Divulgação)

A Renault voltou a apostar em esportivos nos anos 90, movimento que foi marcado pelo Clio Williams em 1993. Mas toda divisão de performance que se prese precisa ter um esportivo dedicado como chamariz.

Esse papel era feito de forma indireta pela divisão Alpine, que encerrou as atividade em 1995 quando o A610 saiu de linha. O Renault Sport Spider foi lançado em 1996 como um esportivo leve de rua e já com uma categoria de corridas monomarca.

Ele era um roadster de motor central bastante simples, sem para-brisas e pesado 930 kg. O motor é o F7R, o 2.0 16v que equipou o Clio Williams e o Megane da época, com 150 cv.

Apenas 1.640 unidades foram feitas, mas felizmente o carro possui um fã-clube bem ativo na preservação dele. Quem importar um terá diversão garantida.

2. Audi S8

audi s8 1996 prata frente parado

O sedã topo de linha feito em alumínio ganhou um V8 ainda mais forte e câmbio manual (Foto: Audi | Divulgação)

Nos anos 90 a Audi ainda buscava se estabelecer como marca de luxo capaz de rivalizar com a BMW e a Mercedes-Benz. No Brasil ela conseguiu essa fama mais fácil devido a relação com Ayrton Senna, mas lá fora ainda existia a sombra dos modelos antigos com desenho similar aos Volkswagen.

O A8 foi um sedã de luxo inovador, todo feito em alumínio, motores de 5 válvulas por cilindro e com tração integral para se destacar diante do BMW Série 7 e do Mercedes Classe S. Em 1996 a Audi inovou mais uma vez criando uma versão esportiva de seu topo de linha, o S8.

O primeiro Audi S8 tinha motor V8 4.2 aspirado com 340 cv, tração integral e opção de câmbio manual. Ele acelerava de zero a 100 km/h em 5,6 segundos e tinha a máxima limitada eletronicamente em 250 km/h.

As mudanças estéticas eram discretas, as capas dos retrovisores eram feitas em alumínio (tradição na linha S), as ponteiras de escape eram duplas e polidas, a grade tinha frisos verticais e as rodas eram de 18 polegadas. Por dentro a esportividade ficava no volante de três raios e nos bancos com mais apoio lateral.

Além de ser o primeiro Audi S8, essa geração marcou por ser a única com câmbio manual. As unidades com a caixa automática são mais populares, por isso as manuais são mais valorizadas.

3. Chevrolet Corvette Grand Sport

1996 Corvette Grand Sport

Essa versão marcou a despedida do small block original nascido em 1955 e da quarta geração do esportivo (Foto: Chevrolet | Divulgação)

A geração mais longeva do Chevrolet Corvette foi a quarta. Ela foi lançada em 1984 e foi produzida por 12 anos. 1996 foi o último ano dela, que marcou também o fim do motor V8 small block com bloco de ferro derivado do original de 1955 — o C5 trouxe o novo V8 LS feito todo em alumínio.

Enquanto no início do Corvette C4 a potência do V8 era de apenas 208 cv, em 1996 veio a versão final do small block com 334 cv, chamada de LT4. Isso sem contar o ZR-1, que era um capítulo a parte com seu motor de comando duplo desenvolvido pela Lotus.

Voltando para 1996, o motor LT4 estreou junto de uma versão especial que fez parte da despedida do Corvette C4: a Grand Sport. Ela fazia referência aos carros de corrida do início dos anos 60 feitos para combater o Shelby Cobra.

O Corvette Grand Sport de 1996 combinava o motor LT4 de 334 cv com cambio manual de seis marchas, pneus mais largos e suspensão mais firme. Ele era para entusiastas que não tinham cacife para o um ZR-1. A pintura era sempre azul com faixa branca cortando a carroceria e duas listras vermelhas no para-lamas.

4. Tatra 700

tatra t700 1996

O último carro de passeio da marca era um sedã de luxo com motor V8 refrigerado a ar na traseira e nenhuma eletrônica (Foto: Tatra | Divulgação)

Esse é o carro mais raro da lista e também o mais fora da casinha. A Tatra, da República Checa, faz sedãs com motor traseiro refrigerado a ar desde 1936, com muitos considerado o Volkswagen Fusca como uma cópia do modelo 97.

Em 1948 ela fez o 600 “Tatraplan”, um sedã grande com motor V8 traseiro refrigerado a ar. O Tatra 700 lançado em 1996 foi a evolução final desse conceito, sendo uma atualização feita sobre o 613 de 1974.

O motor V8 3.5 refrigerado a ar produzia 201 cv e seguia pendurado na traseira do carro. Foi uma tentativa de emplacar no segmento de luxo, mas a falta de câmbio automático e o projeto datado atrapalhou as vendas.

Apenas 75 carros foram produzidos de 1996 a 1999, depois desse fiasco a Tatra focou em seus caminhões fora de estrada. Quem importar um 700 terá um carro único, difícil vai ser achar um.

5. Great Wall Deer

great wall deer vista de cima

Foi com essa cópia da Hilux que a GWM se estabeleceu como referência em picapes na China (Foto: Great Wall | Divulgação)

A Great Wall Motors (GWM) estreou no Brasil em 2023 com o Haval H6 e já construiu uma base de clientes fidelizados. Essa chinesa foi mais comedida que algumas rivais e focou em uma estratégia similar a da Toyota, de apostar no pós-venda e na confiabilidade, ao invés de ficar realizando promoções.

A GWM foi fundada em 1984 e, como quase todas as chinesas, fazia cópias e carros feitos sob licença. Seu foco era equipamentos agrícolas, mas chegou a ter cópias de sedãs da Nissan e da Toyota.

Nos anos 90 o fundador da marca e atual presidente dela, Wei Jianjun, resolveu focar a GWM em picapes. Assim nasceu a Great Wall Deer, que era uma cópia da Toyota Hilux. A escolha foi acertada, hoje a marca é a líder em caminhonetes na China.

A Deer começou a ser exportada para o Oriente Médio no ano seguinte e mais tarde chegou a países da África e da América Latina. Com o crescimento dos carros chineses no Brasil, será que veremos colecionadores trazendo modelos históricos de lá?

6. TVR Cerbera

tvr cerbera frente em movimento

Esse foi o primeiro grand tourer da marca e tinha um V8 desenvolvido “em casa” (Foto: TVR | Divulgação)

A TVR, como muitos fabricantes independentes de esportivos do Reino Unido, era dependente de motores de terceiros. Ela temia que o tradicional V8 da Rover fosse aposentado quando essa marca foi comprada pela BMW.

Por isso, a TVR fez algo incomum para uma empresa tão pequena: desenvolveu seu próprio motor. O novo V8, um 4.2 com comando no cabeçote e todo feito em alumínio, estreou com o Cerbera em 1996.

O V8 Speed Eight tinha muitas características dos motores de pista, como o ângulo de 75° entre as bancadas, o virabrequim plano e a alta potência específica. A primeira versão tinha 4,2 litros de deslocamento e gerava 360 cv.

Como comparação, o máximo que o antigo V8 Rover entregava nos carros da TVR da época era 345 cv em uma versão de 5 litros. Mais tade, em 1999, a TVR desenvolveu também seu próprio seis cilindros em linha, que foi o último motor dela.

Voltando ao Cerbera, ele foi o único Grand Tourer da marca com 2+2 assentos. Ele também foi o único a usar o motor Speed Eight. O modelo 4.2 de 1996 acelerava de zero a 100 km/h em 4,2 segundos e atingia 290 km/h de velocidade máxima. Futuramente foram feitas versões 4.5 com mais de 400 cv e que podiam passar dos 300 km/h.

7. Dodge Viper GTS

dodge viper gts 1997 azul frente

A segunda geração do esportivo ficou um pouco mais refinada e ganhou esse belo cupê (Foto: Dodge | Divulgação)

A segunda geração do Dodge Viper chegou em 1995 apenas na carroceria roadster. Ela era uma grande atualização da primeira, trazendo, principalmente, melhorias de comodidade como vidros nas portas e maçanetas externas. Na mecânica veio um escape novo com saída na traseira, que rendeu mais potência, e a troca do aço por alumínio em componentes da suspensão.

Em 1996 o carro ganhou a versão cupê chamada de GTS. O desenho era muito bem resolvido, com duas bolhas no teto para caber os ocupantes com capacete e a traseira curta. O Viper era inspirado pelo Shelby Cobra e o cupê lembrava o Cobra Daytona.

No primeiro ano a pintura era sempre azul com faixas brancas. O Viper GTS foi o primeiro a ter airbags de fábrica, já que o equipamento passou a ser obrigatório nos EUA em 1996.

Ele também era 35 cv mais forte que o conversível, o V10 8.0 rendia 456 cv no GTS. O câmbio, como de costume, era sempre o manual de seis marchas.

8. Lotus Elise

lotus elise 1996 azul frente

Após o fisco do Elan de tração dianteiro, a Lotus acertou com o Elise de motor central e peso baixíssimo (Foto: Lotus | Divulgação)

A Lotus foi sustentada durante os anos 90 pelos serviços de engenharia prestados para a General Motors e pelo longevo Sprit. O novo Elan de tração dianteira, que deveria reviver o segmento de roadsters, foi ofuscado pelo Mazda MX5 Miada mais fiel ao Elan dos anos 60.

Em 1996 ela lançou um novo carro de entrada mais fiel às origens da Lotus e que agradaria aos entusiastas: o Elise. Esse esportivo era extremamente leve, pesando apenas 725 kg, tinha motor central e teto removível.

Sua carroceria era feita em fibra de vidro e montada sobre um chassi de alumínio extrudado. O motor era um 1.8 16v fornecido pela Rover, com 120 cv. Parece pouco, mas levava esse carro de 725 km de zero a 100 km/h em 5,8 segundos.

A primeira fase do Lotus Elise é menos conhecida que a segunda, ela é identificada pelos faróis circulares e linhas mais arredondadas. Ela ganhou versões mais fortes futuramente, com comando variável e que podiam chegar a 179 cv.

A segunda fase do Elise, de 2001, ficou mais pesada por ter recebido reforços para ser vendida nos EUA. Ela trocou o motor Rover por um Toyota, o mesmo do Corolla produzido no Brasil.

9. Porsche Boxster

porsche boxster 1996 prata frente

Além de ser um belo esportivo, o Boxster inaugurou uma nova fase na marca e a salvou da falência (Foto: Porsche | Divulgação)

A Porsche estava à beira da falência nos anos 90, com uma gama composta por um carro dos anos 60 e dois dos anos 70. Muitos creditam a salvação dela ao SUV Cayenne, mas esse movimento de ressurgimento começou em 1996 com o Boxster.

Esse esportivo de motor central foi o primeiro carro verdadeiramente novo da Porsche desde o 928. Ele resgatava o conceito do 550 Spyder e foi posicionado abaixo do tradicional 911 como carro de entrada.

A importância do Boxster foi a nível corporativo: a Porsche buscou consultoria da Toyota para aprender o método de produção just-in-time e ter maior eficiência na linha de produção, resultando em mais lucro.

O Boxster trazia um novo motor 2.5 boxer de seis cilindros refrigerado a água. Uma versão com deslocamento maior dele viria a ser usada na nova geração do 911 no ano seguinte. Alguns componentes como os faróis, portas, várias peças do interior e a suspensão dianteira foram compartilhadas também.

De 1996 a 2000 o Porsche Boxster foi vendido apenas com motor 2.5 de 204 cv, cabendo ao comprador escolher entre o câmbio manual ou o automático. O peso é de 1.250 kg, já a aceleração de zero a 100 km/h é feita em 6,7 segundos.

10. Ford Taurus SHO V8

1996 Ford Taurus

Parece aquele modelo vendido aqui, mas tem um V8 feito pela Yamaha (Foto: Ford | Divulgação)

O Ford Taurus foi um carro revolucionário quando foi lançado em 1986. Em 1989 ele ganhou a versão esportiva SHO, com motor V6 que tinha cabeçotes desenhados pela Yamaha e mostrou que as marcas americanas conseguiam fazer sedãs rápidos.

A terceira geração dele ficou marcada por ser estranha, o desenho era oval e usava essa forma em várias partes. Foi apelidado de bagre e de disco voador. Ela chegou a ser vendida oficialmente no Brasil.

O que não tivemos foi a versão esportiva da terceira geração. Com o V6 Duratec dessa geração ficando com força similar ao da antiga SHO, a Ford chamou a Yamaha novamente para fazer um V8 compacto para o Taurus.

A base foi o V6 Duratec 2.5 do Mondeo, que ganhou mais dois cilindros. Ele era um 3.4 todo feito em alumínio, com 32 válvulas, duplo comando e contava com coletor de admissão variável. A potência ficava em 238.

Diferente das gerações anteriores, o terceiro Taurus SHO veio apenas com câmbio automático de quatro marchas. E a tração é sempre dianteira.

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