Recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão que condena a BMW a indenizar a família do cantor João Paulo, morto em cum acidente de trânsito a bordo de um 328i, em 1997. Porém, não é o primeiro caso de uma montadora com problemas com a Justiça.
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Longe disso. Desde os anos 1990, são vários os casos de montadoras envolvidas em problemas com a Justiça. Seja no Brasil ou escândalos no exterior. Relembre cinco casos famosos.
Risco de incêndio manchou a imagem do hatch médio e fez a montadora italiana parar na Justiça (Foto: Fiat | Divulgação)
O Tipo foi o primeiro modelo médio importado pela Fiat para o Brasil, e um dos primeiros modelos que a marca lançou para sofisticar o seu portfólio. Tinha preço atraente, bom nível de equipamentos e acabamento até requintado para a época e, por isso mesmo, chegou a ser o carro de passeio mais vendido do país.
Porém, o Tipo fez a Fiat ser uma das montadoras com problemas na Justiça. Em 1995, já nacionalizado, começaram a ser noticiados vários incêndios involuntários envolvendo o hatch. Foram mais de 100 relatados por donos do carro em menos de um ano.
A causa do incêndio era um defeito na mangueira de alta pressão do fluído da direção hidráulica. A peça se deteriorava e o óleo vazava para as partes quentes do motor, o que fazia o Tipo pegar fogo. O carro até recebeu o apelido de “Zipo”, em referência ao famoso isqueiro.
A Fiat pouco colaborou. Demorou a reconhecer o problema, enquanto a Associação de Consumidores de Automóveis e Vítimas de Incêndio do Tipo (Avitipo) já movia processo coletivo contra a marca na Justiça. A montadora só foi fazer um recall de mais de 150 mil unidades do Tipo em abril de 1996, quando o caldo já tinha entornado.
Em 2019, 23 anos após os casos de incêndio, a Justiça deu ganho de causa aos donos do Tipo. E condenou a marca italiana a indenizar os antigos proprietários do hatch.
O Fox, assim como o CrossFox, tinham uma verdadeira guilhotina no porta-malas que mutilou muitos consumidores (Foto: VW | Divulgação)
Bem antes do Dieselgate, o Fox fez a Volkswagen ter problemas com a Justiça. Tudo devido ao seu sistema de rebatimento de bancos, que causou polêmica e deixou dezenas de pessoas com os dedos parcialmente decepados no início da década de 2000.
O problema começou a ganhar destaque em 2004. Donos e usuários do Fox relataram que feriram o dedo e até perderam parte dele ao tentar acionar o sistema de rebatimento dos bancos traseiros. Isso porque a alça localizada no porta-malas que destravava o encosto ficava presa a uma argola, que podia prender o membro do usuário.
Na época, 37 pessoas tiveram os dedos parcialmente decepados. A Volks deu de ombros e garantiu que não era preciso fazer um recall e que a operação era “segura”. Um executivo da marca chegou a dizer, durante uma entrevista na TV, que os acidentes eram culpa dos usuários.
A situação ficou ruim para a marca alemã quando o Ministério Público notificou a empresa. Logo depois, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, entrou em cena. Resultado: em 2008, a Volkswagen teve que depositar R$ 3 milhões em um fundo de defesa do DPDC.
Além disso, a Volks foi obrigada a realizar o recall de toda a linha compacta derivada do hatch. Depois de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP, convocou 800 mil unidades de Fox, CrossFox e SpaceFox, tanto vendidas no país como exportadas para América do Sul e Europa.
O Explorer também se enrolou com a Justiça e fez com que a Ford prestasse contas diante do juiz (Foto: Ford | Divulgação)
Um dos casos mais famosos mundialmente de montadoras com problemas na Justiça envolve a Ford. Nos anos 1990 ocorreram pelo menos 800 casos de pneus do Explorer que estouraram com o SUV em movimento. Os acidentes causaram mais de 200 mortes e com o tempo foi apontada uma falha de projeto como causa.
Testes iniciais mostraram que as bandas de rodagem dos pneus Firestone modelo ATX se soltavam em alta velocidade no Explorer. O problema causou centenas de capotamentos e feridos, além das vítimas fatais. A Firestone teve de fazer um recall de 14,4 milhões de pneus (inclusive de outros Ford, da Mercury e da Mazda).
Enquanto a fabricante de pneus e a Ford trocavam farpas e acusações, os órgãos de segurança veicular dos EUA fizeram testes com os mesmos ATX em outros SUVs vendidos no país. A investigação concluiu que o defeito era do projeto do Explorer. A Ford acabou condenada a fazer recall de mais de 1,6 milhão de unidades do utilitário esportivo e a pagar indenizações totais de US$ 3,5 bilhões.
O Corolla fez que a montadora japonesa fosse acionada na Justiça por um defeito no tapete que agarrava no acelerador (Foto: Toyota | Divulgação)
A Toyota tem reputação de montadora com mecânica confiável, mas nem ela se livrou de problemas com a Justiça. Em 2009, clientes de Corolla e Camry vendidos nos Estados Unidos começaram a reclamar que os sedãs “aceleravam sozinhos”, o que teria causado 19 mortes.
A primeira suspeita recaiu sobre os tapetes do assoalho do motorista. Mal fixados, eles escorregavam e pressionavam o pedal do acelerador involuntariamente. A marca japonesa convocou 5,5 milhões de unidades de sete modelos diferentes (inclusive da Lexus) para troca dos tapetes
Camry também “estacionou” diante do juri, nos Estados Unidos (Foto: Toyota | Divulgação)
A Toyota, contudo, detectou uma falha no acelerador que travava o pedal. A montadora teve de abrir novo recall e foi condenada pela Justiça norte-americana a pagar multa de US$ 1,2 bilhão. E ainda fez um reconhecimento público de que havia “enganado” os consumidores a respeito das causas do problema.
O caso repercutiu também no Brasil e envolveu modelos do Corolla. Em 2010, o Ministério Público de Minas Gerais chegou a proibir a venda do sedã médio da Toyota no estado
devido aos casos de aceleração involuntária. Ao todo, foram mais de 10 milhões de unidades da marca que passaram por recall em todo o mundo.
O escândalo do Dieselgate custou a VW um prejuízo bilionário em indenizações e manchou sua imagem literalmente com fuligem de óleo diesel (Foto: VW | Divulgação)
Outra treta famosa de montadora com problemas na Justiça. E novamente a Volkswagen no banco dos réus. Em 2014 a Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo dos EUA descobriu que a montadora alemã usava um software na central eletrônica de seus veículos com motor diesel para burlar os testes oficiais de emissões de poluentes.
Em outras palavras, o dispositivo mascarava o nível de poluição dos carros da VW, informando números bem abaixo dos registrados nas ruas. O governo norte-americano abriu processo contra a montadora alemã acusando-a de fraudar as emissões de 482 mil veículos fabricados entre 2009 e 2015.
Só em 2015 a Volkswagen reconheceu não só a fraude, como admitiu que o mesmo software foi usado mundo afora. Ao todo, 11 milhões de veículos diesel da VW e de outras marcas do grupo alemão (Audi, Porsche, Skoda…) burlaram os testes de emissões em seus respectivos mercados. Além dos problemas com a justiça de vários países, a montadora pediu desculpas publicamente por mais de uma vez.
O Dieselgate respingou até no Brasil, onde proprietários da Amarok acionaram a montadora na Justiça (Foto: VW | Divulgação)
Mas não parou por aí. Teve renúncia de CEOs e de funcionários do alto escalão, e processo pipocando em diversos países, inclusive no Brasil. Muitos dos executivos da montadora já tiveram de depor em investigações que correm na Justiça na Europa e nos EUA – alguns foram presos e outros indiciados criminalmente por fraude.
Até hoje a Volkswagen já costurou diversos acordos com os tribunais de estados norte-americanos ao custo de centenas de bilhões de dólares. No Brasil, em 2019, o Departamento de Proteção ao Consumidor aplicou uma terceira multa na VW, de R$ 7,2 milhões, por causa do Dieselgate.
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Longe disso. Desde os anos 1990, são vários os casos de montadoras envolvidas em problemas com a Justiça. Seja no Brasil ou escândalos no exterior. Relembre cinco casos famosos.
Fiat Tipo
Risco de incêndio manchou a imagem do hatch médio e fez a montadora italiana parar na Justiça (Foto: Fiat | Divulgação)
O Tipo foi o primeiro modelo médio importado pela Fiat para o Brasil, e um dos primeiros modelos que a marca lançou para sofisticar o seu portfólio. Tinha preço atraente, bom nível de equipamentos e acabamento até requintado para a época e, por isso mesmo, chegou a ser o carro de passeio mais vendido do país.
Porém, o Tipo fez a Fiat ser uma das montadoras com problemas na Justiça. Em 1995, já nacionalizado, começaram a ser noticiados vários incêndios involuntários envolvendo o hatch. Foram mais de 100 relatados por donos do carro em menos de um ano.
A causa do incêndio era um defeito na mangueira de alta pressão do fluído da direção hidráulica. A peça se deteriorava e o óleo vazava para as partes quentes do motor, o que fazia o Tipo pegar fogo. O carro até recebeu o apelido de “Zipo”, em referência ao famoso isqueiro.
A Fiat pouco colaborou. Demorou a reconhecer o problema, enquanto a Associação de Consumidores de Automóveis e Vítimas de Incêndio do Tipo (Avitipo) já movia processo coletivo contra a marca na Justiça. A montadora só foi fazer um recall de mais de 150 mil unidades do Tipo em abril de 1996, quando o caldo já tinha entornado.
Em 2019, 23 anos após os casos de incêndio, a Justiça deu ganho de causa aos donos do Tipo. E condenou a marca italiana a indenizar os antigos proprietários do hatch.
Volkswagen Fox
O Fox, assim como o CrossFox, tinham uma verdadeira guilhotina no porta-malas que mutilou muitos consumidores (Foto: VW | Divulgação)
Bem antes do Dieselgate, o Fox fez a Volkswagen ter problemas com a Justiça. Tudo devido ao seu sistema de rebatimento de bancos, que causou polêmica e deixou dezenas de pessoas com os dedos parcialmente decepados no início da década de 2000.
O problema começou a ganhar destaque em 2004. Donos e usuários do Fox relataram que feriram o dedo e até perderam parte dele ao tentar acionar o sistema de rebatimento dos bancos traseiros. Isso porque a alça localizada no porta-malas que destravava o encosto ficava presa a uma argola, que podia prender o membro do usuário.
Montadora foi acionada na Justiça
Na época, 37 pessoas tiveram os dedos parcialmente decepados. A Volks deu de ombros e garantiu que não era preciso fazer um recall e que a operação era “segura”. Um executivo da marca chegou a dizer, durante uma entrevista na TV, que os acidentes eram culpa dos usuários.
A situação ficou ruim para a marca alemã quando o Ministério Público notificou a empresa. Logo depois, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), do Ministério da Justiça, entrou em cena. Resultado: em 2008, a Volkswagen teve que depositar R$ 3 milhões em um fundo de defesa do DPDC.
Além disso, a Volks foi obrigada a realizar o recall de toda a linha compacta derivada do hatch. Depois de assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MP, convocou 800 mil unidades de Fox, CrossFox e SpaceFox, tanto vendidas no país como exportadas para América do Sul e Europa.
Ford Explorer
O Explorer também se enrolou com a Justiça e fez com que a Ford prestasse contas diante do juiz (Foto: Ford | Divulgação)
Um dos casos mais famosos mundialmente de montadoras com problemas na Justiça envolve a Ford. Nos anos 1990 ocorreram pelo menos 800 casos de pneus do Explorer que estouraram com o SUV em movimento. Os acidentes causaram mais de 200 mortes e com o tempo foi apontada uma falha de projeto como causa.
Testes iniciais mostraram que as bandas de rodagem dos pneus Firestone modelo ATX se soltavam em alta velocidade no Explorer. O problema causou centenas de capotamentos e feridos, além das vítimas fatais. A Firestone teve de fazer um recall de 14,4 milhões de pneus (inclusive de outros Ford, da Mercury e da Mazda).
Enquanto a fabricante de pneus e a Ford trocavam farpas e acusações, os órgãos de segurança veicular dos EUA fizeram testes com os mesmos ATX em outros SUVs vendidos no país. A investigação concluiu que o defeito era do projeto do Explorer. A Ford acabou condenada a fazer recall de mais de 1,6 milhão de unidades do utilitário esportivo e a pagar indenizações totais de US$ 3,5 bilhões.
Toyota Corolla e Camry
O Corolla fez que a montadora japonesa fosse acionada na Justiça por um defeito no tapete que agarrava no acelerador (Foto: Toyota | Divulgação)
A Toyota tem reputação de montadora com mecânica confiável, mas nem ela se livrou de problemas com a Justiça. Em 2009, clientes de Corolla e Camry vendidos nos Estados Unidos começaram a reclamar que os sedãs “aceleravam sozinhos”, o que teria causado 19 mortes.
A primeira suspeita recaiu sobre os tapetes do assoalho do motorista. Mal fixados, eles escorregavam e pressionavam o pedal do acelerador involuntariamente. A marca japonesa convocou 5,5 milhões de unidades de sete modelos diferentes (inclusive da Lexus) para troca dos tapetes
Camry também “estacionou” diante do juri, nos Estados Unidos (Foto: Toyota | Divulgação)
A Toyota, contudo, detectou uma falha no acelerador que travava o pedal. A montadora teve de abrir novo recall e foi condenada pela Justiça norte-americana a pagar multa de US$ 1,2 bilhão. E ainda fez um reconhecimento público de que havia “enganado” os consumidores a respeito das causas do problema.
O caso repercutiu também no Brasil e envolveu modelos do Corolla. Em 2010, o Ministério Público de Minas Gerais chegou a proibir a venda do sedã médio da Toyota no estado
devido aos casos de aceleração involuntária. Ao todo, foram mais de 10 milhões de unidades da marca que passaram por recall em todo o mundo.
Volkswagen e o Dieselgate
O escândalo do Dieselgate custou a VW um prejuízo bilionário em indenizações e manchou sua imagem literalmente com fuligem de óleo diesel (Foto: VW | Divulgação)
Outra treta famosa de montadora com problemas na Justiça. E novamente a Volkswagen no banco dos réus. Em 2014 a Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo dos EUA descobriu que a montadora alemã usava um software na central eletrônica de seus veículos com motor diesel para burlar os testes oficiais de emissões de poluentes.
Em outras palavras, o dispositivo mascarava o nível de poluição dos carros da VW, informando números bem abaixo dos registrados nas ruas. O governo norte-americano abriu processo contra a montadora alemã acusando-a de fraudar as emissões de 482 mil veículos fabricados entre 2009 e 2015.
Só em 2015 a Volkswagen reconheceu não só a fraude, como admitiu que o mesmo software foi usado mundo afora. Ao todo, 11 milhões de veículos diesel da VW e de outras marcas do grupo alemão (Audi, Porsche, Skoda…) burlaram os testes de emissões em seus respectivos mercados. Além dos problemas com a justiça de vários países, a montadora pediu desculpas publicamente por mais de uma vez.
O Dieselgate respingou até no Brasil, onde proprietários da Amarok acionaram a montadora na Justiça (Foto: VW | Divulgação)
Mas não parou por aí. Teve renúncia de CEOs e de funcionários do alto escalão, e processo pipocando em diversos países, inclusive no Brasil. Muitos dos executivos da montadora já tiveram de depor em investigações que correm na Justiça na Europa e nos EUA – alguns foram presos e outros indiciados criminalmente por fraude.
Até hoje a Volkswagen já costurou diversos acordos com os tribunais de estados norte-americanos ao custo de centenas de bilhões de dólares. No Brasil, em 2019, o Departamento de Proteção ao Consumidor aplicou uma terceira multa na VW, de R$ 7,2 milhões, por causa do Dieselgate.
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