O Nissan Kait chega ao mercado brasileiro como o novo SUV de entrada da marca, posicionado abaixo da nova geração do Nissan Kicks. Apesar do discurso de novidade, o modelo é, na prática, uma reinterpretação do Kicks lançado em 2016, com mudanças pontuais no design e atualização de equipamentos para manter competitividade na base do segmento SUV.
A estratégia segue um movimento comum na indústria automotiva: prolongar o ciclo de vida de um produto já amortizado. A própria Nissan já havia feito isso com o Kicks Play, que abriu espaço para a chegada da nova geração. Agora, o Kait assume esse papel, com preços entre R$ 118 mil e R$ 153 mil, mirando consumidores que buscam um SUV compacto mais acessível dentro da marca.
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Visualmente, o Kait traz alterações concentradas na dianteira e na traseira. Faróis, grade e lanternas foram redesenhados, enquanto a estrutura da carroceria permanece inalterada. O resultado é um carro que aparenta ser novo à primeira vista, mas que preserva proporções e arquitetura já conhecidas no mercado brasileiro.
Novos faróis e para-choques escondem o velho motor 1.6 de 113 cv
No interior, as mudanças seguem a mesma lógica. O painel recebeu novo acabamento e elementos visuais atualizados, mas a base estrutural é a mesma. Console central, comandos de ar-condicionado, posição de botões e ergonomia geral foram mantidos. Há tentativa de agregar valor com revestimentos e detalhes em versões mais caras, mas o layout denuncia a origem do projeto.
Um dos pontos positivos está no pacote de segurança. O Kait Exclusive oferece seis airbags e um conjunto abrangente de assistências à condução, incluindo alerta de colisão, frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa. Trata-se de um nível de conteúdo competitivo dentro do segmento, especialmente nas versões mais completas.
O interior Nissan Kait preservou a mesma arquitetura do Kicks, com redesenho de alguns elementos, mas manteve a boa construção e qualidade de acabamento
O painel de instrumentos digital dividido em duas telas é uma das novidades. Apesar da solução não ser das mais sofisticadas do mercado, entrega boa legibilidade e funcionalidade, com leitura clara mesmo sob luz intensa. Ainda assim, fica atrás de clusters totalmente digitais mais modernos adotados por concorrentes.
Na parte mecânica, o Kait mantém o motor 1.6 aspirado de 113 cv e 14,9 kgfm, associado a uma transmissão CVT. O conjunto já conhecido entrega condução confortável no uso urbano, mas está abaixo dos rivais em desempenho e eficiência. O efeito típico do câmbio CVT, com rotação elevada em acelerações, compromete a sensação de agilidade e o conforto abordo.
Motor 1.6 do Kait é um velho conhecido do mercado, que pode ser uma ótima escolha para quem não quer saber de três cilindros, turbo ou módulos eletrificados
Esse ponto se torna ainda mais relevante diante da concorrência. Modelos como o Renault Kardian e o Fiat Pulse já adotam motores turbo, oferecendo mais potência e desempenho. Já opções como o Honda WR-V e o Toyota Yaris Cross se destacam por projetos mais recentes e apesar de usar unidades aspiradas, há melhorias como injeção direta de combustível e até mesmo uma versão híbrida, no caso do Toyota.
Outro ponto que limita o Kait é o tanque de combustível de menor capacidade (41 litros), herdado do Kicks original, o que impacta diretamente na autonomia. Na cidade não é problema, mas trata-se de um fator relevante para consumidores que utilizam o veículo em trajetos mais longos. Nesse caso é recomendável abastecer com gasolina, para estender a autonomia, de acordo como Programa Brasil de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro.
Em termos de espaço interno e porta-malas (432 litros), o modelo repete as dimensões do Kicks, oferecendo bom aproveitamento para a categoria. Trata-se de um fator que faz dele um SUV familiar bem acertado.
Assim, a proposta do Kait é clara: oferecer um SUV com bom pacote de segurança, conforto e confiabilidade mecânica já conhecida, a um custo inferior ao da nova geração do Kicks. No entanto, a falta de evolução em motorização e plataforma o coloca em desvantagem frente a rivais mais modernos.
Mas o que pesa mesmo é a maneira com que a marca trata o produto, como uma grande novidade. Ele é o Kicks de 2016, com visual retocado, não um produto inédito. Mas isso pode ser bom também, pois o velho Kicks era um ótimo carro. Mas um projeto de 10 anos.
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A estratégia segue um movimento comum na indústria automotiva: prolongar o ciclo de vida de um produto já amortizado. A própria Nissan já havia feito isso com o Kicks Play, que abriu espaço para a chegada da nova geração. Agora, o Kait assume esse papel, com preços entre R$ 118 mil e R$ 153 mil, mirando consumidores que buscam um SUV compacto mais acessível dentro da marca.
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Visual do Nissan Kait
Visualmente, o Kait traz alterações concentradas na dianteira e na traseira. Faróis, grade e lanternas foram redesenhados, enquanto a estrutura da carroceria permanece inalterada. O resultado é um carro que aparenta ser novo à primeira vista, mas que preserva proporções e arquitetura já conhecidas no mercado brasileiro.
Novos faróis e para-choques escondem o velho motor 1.6 de 113 cv
No interior, as mudanças seguem a mesma lógica. O painel recebeu novo acabamento e elementos visuais atualizados, mas a base estrutural é a mesma. Console central, comandos de ar-condicionado, posição de botões e ergonomia geral foram mantidos. Há tentativa de agregar valor com revestimentos e detalhes em versões mais caras, mas o layout denuncia a origem do projeto.
Um dos pontos positivos está no pacote de segurança. O Kait Exclusive oferece seis airbags e um conjunto abrangente de assistências à condução, incluindo alerta de colisão, frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa. Trata-se de um nível de conteúdo competitivo dentro do segmento, especialmente nas versões mais completas.
O interior Nissan Kait preservou a mesma arquitetura do Kicks, com redesenho de alguns elementos, mas manteve a boa construção e qualidade de acabamento
O painel de instrumentos digital dividido em duas telas é uma das novidades. Apesar da solução não ser das mais sofisticadas do mercado, entrega boa legibilidade e funcionalidade, com leitura clara mesmo sob luz intensa. Ainda assim, fica atrás de clusters totalmente digitais mais modernos adotados por concorrentes.
Motor e transmissão do Nissan Kait
Na parte mecânica, o Kait mantém o motor 1.6 aspirado de 113 cv e 14,9 kgfm, associado a uma transmissão CVT. O conjunto já conhecido entrega condução confortável no uso urbano, mas está abaixo dos rivais em desempenho e eficiência. O efeito típico do câmbio CVT, com rotação elevada em acelerações, compromete a sensação de agilidade e o conforto abordo.
Motor 1.6 do Kait é um velho conhecido do mercado, que pode ser uma ótima escolha para quem não quer saber de três cilindros, turbo ou módulos eletrificados
Esse ponto se torna ainda mais relevante diante da concorrência. Modelos como o Renault Kardian e o Fiat Pulse já adotam motores turbo, oferecendo mais potência e desempenho. Já opções como o Honda WR-V e o Toyota Yaris Cross se destacam por projetos mais recentes e apesar de usar unidades aspiradas, há melhorias como injeção direta de combustível e até mesmo uma versão híbrida, no caso do Toyota.
Outro ponto que limita o Kait é o tanque de combustível de menor capacidade (41 litros), herdado do Kicks original, o que impacta diretamente na autonomia. Na cidade não é problema, mas trata-se de um fator relevante para consumidores que utilizam o veículo em trajetos mais longos. Nesse caso é recomendável abastecer com gasolina, para estender a autonomia, de acordo como Programa Brasil de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro.
| Combustível | Urbano | Rodoviário |
|---|---|---|
| Etanol | 7,8 km/l | 9,4 km/l |
| Gasolina | 11,3 km/l | 13,7 km/l |
Espaço interno sem novidades
Em termos de espaço interno e porta-malas (432 litros), o modelo repete as dimensões do Kicks, oferecendo bom aproveitamento para a categoria. Trata-se de um fator que faz dele um SUV familiar bem acertado.
Assim, a proposta do Kait é clara: oferecer um SUV com bom pacote de segurança, conforto e confiabilidade mecânica já conhecida, a um custo inferior ao da nova geração do Kicks. No entanto, a falta de evolução em motorização e plataforma o coloca em desvantagem frente a rivais mais modernos.
Mas o que pesa mesmo é a maneira com que a marca trata o produto, como uma grande novidade. Ele é o Kicks de 2016, com visual retocado, não um produto inédito. Mas isso pode ser bom também, pois o velho Kicks era um ótimo carro. Mas um projeto de 10 anos.
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