A Castrol tem reputação mundial, uma das mais tradicionais e respeitadas empresas de lubrificantes e tem sua marca atrelada a fábricas de automóveis e equipes de competição. Mas acaba de escorregar ao lançar um novo óleo com uma aplicação específica pouco convincente.
A Castrol tem uma excelente linha mundial de óleos, a Magnatec. Com características especiais e exclusivas para aumentar a proteção dos motores contra o desgaste provocado pelo atrito e temperatura de partes móveis. Mas está mal explicado o lançamento do Castrol Magnatec SUV, alegando ser um veículo mais pesado, capaz também de levar mais carga e, por isso, exigir mais do motor.
VEJA TAMBÉM:
Na minha opinião, os marqueteiros da Castrol falaram mais alto que seus engenheiros ao perceber esta onda de SUVs invadindo o mercado mundial. E não resistiram à tentação de entrar no vácuo deste modismo para um faturamento extra.
Consultei engenheiros do setor e nenhum encontrou uma justificativa técnica para esta nova linha de lubrificantes. Porque – dizem os especialistas – qualquer óleo de qualidade não perde sua capacidade de proteger o motor devido a um razoável excesso de peso. No caso do SUV, ele às vezes pesa o mesmo ou cerca de apenas 10% mais que um sedã. E o porta-malas tem capacidade semelhante em alguns casos, em outros, um pouco maior ou até inferior.
Pedi explicações sobre a diferença deste novo óleo à própria Castrol. Ela respondeu de forma pouco transparente e convincente. Insisti: ela disse que estes óleos recebem uma aditivação especial, mas sem revelar detalhes, deixando nas entrelinhas ser um segredo industrial…
Para obter um esclarecimento técnico mais detalhado, solicitei à sua assessoria de comunicação uma entrevista com um engenheiro da fábrica. Negada. A Castrol faz parte do grupo de empresas (acima do bem ou do mal?) que contratam uma assessoria de imprensa terceirizada especialmente para evitar contato dos jornalistas com sua equipe técnica quando o assunto é mais delicado.
Peça publicitária da linha Magnatec (Foto: Reprodução)
Mas, vamos supor que a Castrol tenha de fato um aditivo especial para oferecer uma proteção ao motor que “sofre” com um eventual excesso de peso.
Vem então uma outra complicada questão, que pode levar a erro o dono do carro. O óleo se chama “Magnatec SUV” e a Castrol o induz a acreditar que pode utilizá-lo no motor de qualquer SUV que recomende um SAE 5W30 e API SN ou ACEA C3, suas especificações.
E não é bem assim, pois no próprio frasco a Castrol informa que sua homologação é “GM Dexos 2”. Isto significa que qualquer SUV da GM, com motor a gasolina ou diesel (é o que significa o C3) pode usá-lo sem problemas. Entretanto, não consta homologação de nenhuma outra montadora.
Então, segundo ela mesma, somente a GM testou e aprovou este óleo em seus motores. Que deveria então ser anunciado como “óleo para motores GM”. Na parte traseira do frasco, a advertência – exigida pela ANP – “O manual do carro deve ser consultado”. Mas, se você for com seu SUV no posto (ou “Troca de Óleo”) e te oferecem um óleo da famosa marca Castrol e específico para SUVs, você vai consultar o manual antes de adquiri-lo?
Outra questão: os óleos não são projetados para um tipo de veículo, mas de motor. Se o SUV merece um especial, por que não as picapes, que carregam pesos ainda maiores? E jipes off-road?
Não tenho dúvida da qualidade dos óleos da Castrol, mas neste caso, foi a vitória dos marqueteiros sobre os engenheiros.
O post Castrol exagera no marketing, inventa ‘óleo para SUV’ e leva o Pinóquio de Ouro 2022 apareceu primeiro em AutoPapo.
Continue lendo...
A Castrol tem uma excelente linha mundial de óleos, a Magnatec. Com características especiais e exclusivas para aumentar a proteção dos motores contra o desgaste provocado pelo atrito e temperatura de partes móveis. Mas está mal explicado o lançamento do Castrol Magnatec SUV, alegando ser um veículo mais pesado, capaz também de levar mais carga e, por isso, exigir mais do motor.
VEJA TAMBÉM:
- Corolla Cross é a maior mentira de 2021 e Toyota leva o Pinóquio de Ouro
- Pinóquio de Ouro 2020 vai para…
- Pinóquio de Ouro 2019: etanol aditivado é a mentira do ano!
Na minha opinião, os marqueteiros da Castrol falaram mais alto que seus engenheiros ao perceber esta onda de SUVs invadindo o mercado mundial. E não resistiram à tentação de entrar no vácuo deste modismo para um faturamento extra.
Óleo para SUV não tem justificativa
Consultei engenheiros do setor e nenhum encontrou uma justificativa técnica para esta nova linha de lubrificantes. Porque – dizem os especialistas – qualquer óleo de qualidade não perde sua capacidade de proteger o motor devido a um razoável excesso de peso. No caso do SUV, ele às vezes pesa o mesmo ou cerca de apenas 10% mais que um sedã. E o porta-malas tem capacidade semelhante em alguns casos, em outros, um pouco maior ou até inferior.
Pedi explicações sobre a diferença deste novo óleo à própria Castrol. Ela respondeu de forma pouco transparente e convincente. Insisti: ela disse que estes óleos recebem uma aditivação especial, mas sem revelar detalhes, deixando nas entrelinhas ser um segredo industrial…
Para obter um esclarecimento técnico mais detalhado, solicitei à sua assessoria de comunicação uma entrevista com um engenheiro da fábrica. Negada. A Castrol faz parte do grupo de empresas (acima do bem ou do mal?) que contratam uma assessoria de imprensa terceirizada especialmente para evitar contato dos jornalistas com sua equipe técnica quando o assunto é mais delicado.
Peça publicitária da linha Magnatec (Foto: Reprodução)
Homologado para a GM… E só!
Mas, vamos supor que a Castrol tenha de fato um aditivo especial para oferecer uma proteção ao motor que “sofre” com um eventual excesso de peso.
Vem então uma outra complicada questão, que pode levar a erro o dono do carro. O óleo se chama “Magnatec SUV” e a Castrol o induz a acreditar que pode utilizá-lo no motor de qualquer SUV que recomende um SAE 5W30 e API SN ou ACEA C3, suas especificações.
E não é bem assim, pois no próprio frasco a Castrol informa que sua homologação é “GM Dexos 2”. Isto significa que qualquer SUV da GM, com motor a gasolina ou diesel (é o que significa o C3) pode usá-lo sem problemas. Entretanto, não consta homologação de nenhuma outra montadora.
Então, segundo ela mesma, somente a GM testou e aprovou este óleo em seus motores. Que deveria então ser anunciado como “óleo para motores GM”. Na parte traseira do frasco, a advertência – exigida pela ANP – “O manual do carro deve ser consultado”. Mas, se você for com seu SUV no posto (ou “Troca de Óleo”) e te oferecem um óleo da famosa marca Castrol e específico para SUVs, você vai consultar o manual antes de adquiri-lo?
Outra questão: os óleos não são projetados para um tipo de veículo, mas de motor. Se o SUV merece um especial, por que não as picapes, que carregam pesos ainda maiores? E jipes off-road?
Não tenho dúvida da qualidade dos óleos da Castrol, mas neste caso, foi a vitória dos marqueteiros sobre os engenheiros.
O post Castrol exagera no marketing, inventa ‘óleo para SUV’ e leva o Pinóquio de Ouro 2022 apareceu primeiro em AutoPapo.
Continue lendo...