Notícia Espionagem sobre rodas? Polônia proíbe entrada de carros da China em áreas militares

Em um movimento que reflete a crescente tensão entre a tecnologia de consumo e a segurança nacional na Europa, a Polônia impôs restrições severas à entrada de veículos elétricos — especialmente os de origem chinesa — em suas instalações de defesa. A proibição deriva de diretrizes do Serviço de Contrainteligência Militar, que identificou riscos de espionagem através dos sofisticados conjuntos de sensores, câmeras e microfones embarcados nesses automóveis.

A preocupação central das autoridades é que tais dispositivos, projetados para assistência à condução, possam ser explorados para mapear áreas estratégicas, coletar dados sensíveis e transmiti-los para servidores externos. Embora a medida mire a indústria chinesa, a desconfiança sobre a “espionagem sobre rodas” é ampla: recentemente, um veículo da Tesla também foi impedido de acessar a 1ª Brigada Blindada de Varsóvia.

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Expansão de mercado e resposta diplomática


O endurecimento das regras de acesso coincide com uma invasão comercial asiática no país. Em 2025, as vendas de carros chineses na Polônia quadruplicaram em relação ao ano anterior, alcançando uma fatia de mercado de 14,5%. A popularidade desses modelos entre os civis, atraídos pelo preço e tecnologia, contrasta com a postura defensiva dos militares.

Atualmente, a decisão final sobre o bloqueio cabe aos comandantes de cada unidade, mas o Ministério da Defesa trabalha para padronizar a proibição. O foco são veículos capazes de realizar transmissões de dados em tempo real. Além do veto à entrada nos complexos, estuda-se proibir o estacionamento desses automóveis em perímetros adjacentes para evitar o mapeamento externo das bases.

A reação diplomática foi imediata. O Ministério das Relações Exteriores da China criticou a medida, exortando a Polônia a interromper o que classificou como “abuso do conceito de segurança nacional” para justificar barreiras comerciais e tecnológicas. O episódio marca mais um capítulo na disputa geopolítica que envolve o controle de dados na era da “internet das coisas”.

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