Notícia Está na hora de baixar os preços dos carros no Brasil

Tirem as calotas, mas baixem os preços dos carros! Eis o grito de guerra que deveria estar saindo da garganta dos consumidores de automóveis no Brasil. Quatro importantes fabricantes estão com a produção paralisada por falta de clientes e escassez de componentes eletrônicos: Stellantis, General Motors, Volkswagen e Hyundai.

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São “apenas” as quatro montadoras que mais produzem. Assim como as demais, não citadas, esses fabricantes se recusam a baixar os preços dos carros. Não o farão. Recentemente, um dos especialistas em indústria da Bright Consulting, Cássio Pagliarini, prevendo o ano de 2023, disse que os preços não iriam baixar, mas que haveria promoções. Preço de lista não cai, é a regra da indústria.

Mas deveria. Afinal, não é o mercado que regula o preço da mercadoria? Se os carros estão caros, se o crédito é escasso (com taxas de juros indecentes) e se os consumidores sumiram, por que não baixar os preços dos automóveis?

Não é possível, dirá a indústria, em coro, apontando para as novas imposições de eficiência energética, emissões de CO2 e itens de segurança. Para além disso, porém não menos importante, está a exigência do consumidor brasileiro, que adora um mimo no automóvel.

Preços dos carros daqui bancam tecnologia lá fora​


Mas há ainda outro elemento: o lucro das montadoras no Brasil. Eu não ficaria admirado se o Brasil estiver contribuindo de forma importante com o financiamento das novas tecnologias de carros elétricos na Europa. O lucro daqui moderniza os carros de lá.

Mas o consumidor também tem sua parcela de culpa. Primeiro porque valoriza mais a aparência do que os aspectos técnicos. Quer também uma infinidade de mimos que acabam levando os preços dos automóveis às alturas.

Por exemplo: qual é o problema de vender um carro com rodas de aço e sem calotas? Esse é apenas um dos itens que poderiam estar na lista de opcionais ou de acessórios. Fiz uma pesquisa com os dois automóveis “mais baratos” do Brasil, o Renault Kwid e o Fiat Mobi. Ambos custam mais de R$ 68.000. Mas vejam a lista de itens supérfluos (ou que poderiam ser opcionais) que as duas montadoras (Renault e Fiat) colocam nesses carros.

Renault Kwid Zen​

renault kwid zen vermelho 1 preço dos carros

Kwid é o modelo mais barato do mercado, mas longe de ser uma pechincha (Foto: Renault | Divulgação)
  • Abertura interna do porta-malas
  • Ar-condicionado
  • Rádio Continental 2DIN (Bluetooth, USB, AUX)
  • Sistema CAR – Travamento automático a 6 km/h
  • Monitoramento da pressão dos pneus (TPMS)
  • Controle eletrônico de estabilidade (ESP) com auxílio de partida em rampa (HSA)
  • Luzes de circulação diurna em LED (DRL)
  • Direção elétrica
  • Sistema Start&Stop
  • Indicador de troca de marcha
  • Calota 14″ Dark Antracite

Fiat Mobi​

fiat mobi trekking 2022 cinza frente e lateral preços dos carros

Fiat Mobi é um dos modelos menos caros do mercado brasileiro (Foto: Marcelo Jabulas | Divulgação)
  • TPMS (sensor de pressão dos pneus)
  • Vidros one touch e anti esmagamento)
  • Check quadro de instrumentos (Welcome Moving)
  • Calotas integrais
  • Grade dianteira texturizada
  • Revestimento externo nas colunas B e C das portas
  • Molduras nas caixas de roda
  • Ar condicionado
  • Para-choques na cor do veículo
  • Espelho no para-sol lados motorista e passageiro
  • Parachoques exclusivos
  • Porta malas com tapete em carpete
  • Faróis com máscara negra
  • Limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro
  • Lane Change (Função auxiliar para acionamento das setas indicando trocas de faixa)
  • ESS (Sinalização de frenagem de emergência)
  • Quadro de instrumentos com Iluminação a LED e display digital de 3,5 polegadas (Conta-giros, indicador de trocas de marchas, odômetro parcial e total, relógio digital, indicação do nível de combustível e temperatura do motor)
  • Chave desmodrômica com Fiat code 2ª geração

Vejam bem: estamos falando de carros de entrada! Será que um carro de entrada, básico para uso no dia-a-dia, precisa ter monitoramento de pressão dos pneus, assistente de partida em rampa, sinalização de frenagem de emergência e chave desmodrômica? Esses são apenas alguns exemplos.

Basicamente, o que estou propondo é que tanto a indústria quanto os consumidores revejam seus conceitos. Sim, que tal a volta do carro pé-de-boi? Qual é o problema de colocar a chave no buraco da ignição? Sinceramente, não cai a mão de ninguém, mas quase todos os automóveis hoje têm partida por botão.

Os consumidores de automóveis precisam saber que luxo custa caro. Para a indústria, está tudo muito bom, está tudo muito bem. Os carros serão vendidos com margens altas. As montadoras (todas) simplesmente abriram mão da classe média. É mais fácil produzir menos e lucrar mais. Vamos ver se alguma marca toma a iniciativa de propor algo diferente para virar esse jogo ou se vamos viver de promoções esporádicas.

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