Texto: Marcos Camargo
Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, a vice-presidente executiva da BYD, Stella Li, criticou a condução de políticas públicas relacionadas à mobilidade elétrica em diversos países. Segundo a executiva, a ausência de diretrizes claras e a constante revisão de regras e tributos têm dificultado o avanço dos veículos elétricos e híbridos fora da China.
No mercado chinês foram vendidos 12,9 milhões de veículos só em 2025, uma alta de 17%. Stella Li disse que esse nível alcançado pela indústria só foi possível graças à previsibilidade do governo chinês quanto a produção, recursos e tributação dos veículos elétricos e híbridos.
Em participação em um painel sobre o futuro da eletrificação, Li afirmou que a indústria automotiva depende de previsibilidade regulatória para viabilizar investimentos de longo prazo. De acordo com ela, mudanças frequentes em incentivos fiscais, metas ambientais e regras de tributação criam insegurança tanto para fabricantes quanto para consumidores.
“Os carros levam anos para serem desenvolvidos. Quando as políticas mudam a cada ciclo político, o setor perde a capacidade de planejar”, afirmou a executiva durante o evento.
Mudanças constantes travam investimentos
Na avaliação de Stella Li, governos que alteram repetidamente subsídios e impostos para veículos elétricos acabam atrasando decisões estratégicas das montadoras. O impacto não se limita à produção, mas também atinge cadeias de fornecedores, infraestrutura de recarga e estratégias de eletrificação local.
A executiva destacou que, em alguns mercados, a retirada ou revisão abrupta de incentivos fiscais para carros elétricos e híbridos gera um efeito direto sobre a demanda, levando consumidores a adiar compras à espera de novas regras ou benefícios.
China como contraponto regulatório
Sem citar países diretamente, Li comparou esse cenário com o ambiente regulatório da China, onde, segundo ela, há maior consistência nas políticas industriais voltadas à eletrificação. Essa estabilidade teria permitido ao país escalar rapidamente a produção de veículos elétricos, desenvolver tecnologia própria e reduzir custos ao longo do tempo.
Para a executiva, o avanço da indústria chinesa não se explica apenas por volume ou subsídios iniciais, mas pela clareza das regras ao longo de vários anos, fator que viabilizou planejamento de produto, investimentos em fábricas e nacionalização de componentes.
Tributação e impacto no consumidor
Embora a fala tenha foco institucional, a crítica também alcança a política tributária aplicada a carros elétricos e híbridos. Segundo Li, sistemas de impostos pouco claros ou sujeitos a revisões frequentes afetam diretamente a percepção do consumidor e o ritmo de adoção da tecnologia.
Ela ressaltou que incentivos mal calibrados podem gerar distorções de mercado, enquanto a instabilidade leva compradores a postergar decisões, reduzindo o efeito esperado das políticas de estímulo.
Debate global sobre o futuro da eletrificação
A manifestação da executiva da BYD ocorre em um momento de revisão das estratégias de eletrificação em mercados como Estados Unidos e Europa, onde governos discutem metas ambientais, tarifas de importação e novos modelos de incentivo à indústria local.
No painel em Davos, outros participantes reforçaram que o ciclo de desenvolvimento de um automóvel pode ultrapassar cinco anos, o que torna a estabilidade regulatória um elemento-chave para a competitividade da indústria automotiva global.
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