O mercado automotivo do Brasil é muito aleatório quando o assunto é trazer lançamentos. Já tivemos carros que chegaram rápido aqui, outros demoram alguns anos para chegar. Mas já aconteceu de recebermos carros que já saíram de linha lá fora ou que estavam em fim de carreira, desovando o refugo por aqui.
Carros no final da vida costumam ter preços mais competitivos e alguns problemas resolvidos. Porém esses carros chegaram como novidade, então a vantagem do preço nem sempre é garantida. Alguns desses modelos são até interessantes, mas saber que não terá continuidade e a incerteza das peças de reposição deixam um receio no ar.
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Confira cinco casos de quando o Brasil recebeu refugo das monatadoras:
O Golf GTE trazia uma proposta legal de unir o desempenho de um GTI com a economia de um híbrido (Foto: Volkswagen | Divulgação)
A Volkswagen apresentou o Golf GTE aos brasileiros no Salão do Automóvel de 2016 com uma promessa de importar o esportivo híbrido. A empresa cumpriu essa promessa, mas foi apenas em 2020 — um ano após a nova geração do hatch médio ter sido apresentada na Europa.
A versão GTE é híbrida do tipo plug-in. Ela usa o motor 1.4 TSI de 150 cv aliado a um propulsor elétrico de 102 cv, que combinados resultam em 204 cv. Com isso, ele tinha o desempenho de um GTI, mas entregando um consumo bem menor.
Apesar do conceito interessante de aliar desempenho com baixo consumo, o Golf GTE foi um fracasso. O cliente que vai atrás de um GTI é mais antenado e não quis pagar mais de R$ 200 mil em um refugo. O que ajudou a Volkswagen foi ter uma grande locadora comprando o estoque do carro.
A edição especial nada mais era que o Omega GLS com o motor do CD que estava saindo de linha (Foto: Chevrolet | Divulgação)
O Chevrolet Omega é amado por muitos até hoje. O sedã executivo era o píncaro da sofisticação na época, o Brasil só voltou a fazer carro de padrão alto assim quando marcas de luxo, como BMW e Mercedes-Benz, se instalaram por aqui.
O problema é que o Omega chegou aqui já no meio da vida útil do modelo na Europa. Seu motor 3.0 de seis cilindros em linha já era longevo por lá, com projeto oriundo dos anos 60. A Opel lançou a segunda geração do Omega em 1994 e trocou esse motor por um V6 mais moderno, que não cabia no modelo antigo feito no Brasil.
A Chevrolet chamou a Lotus para modernizar o antigo 4.1 do Opala para ser usado no Omega nacional a partir de 1995, mas ainda existia um estoque do 3.0 importado sobrando na fábrica. Para dar vazão a esses motores, foi criada a edição especial Diamond.
Tirando os emblemas exclusivos e o motor de seis cilindros, o Omega Diamond era nada menos que um GLS com o motor que era exclusivo da versão CD. Hoje essa edição é apreciada pelos colecionadores, mas na época era apenas uma forma de dar fim no estoque de motores.
No caso do Tipo, o refugo foi o ferramental do carro, que havia acabado de ser aposentado na Itália (Foto: Fiat | Divulgção)
A Fiat trouxe o médio Tipo da Itália com preços competitivos graças a boa cotação do Real na época. Mas o hatch chegou tarde ao nosso mercado: estreou em 1993 e saiu de linha na Europa em 1995. Com a linha de montagem de Cassino, na Itália, desativada, o fabricante trouxe o ferramental do Tipo para o Brasil.
Dessa vez o refugo foi nada menos que uma linha de montagem inteira, que deu dois anos de sobrevida ao hatchback no Brasil. A gama do Tipo foi simplificada, as versões SLX 2.0 e Sedicivalvole foram aposentadas e restou apenas o 1.6 MPI.
Não é mais produzido, mas você ainda encontra zero nas concessionárias (Foto: BMW | Divulgação)
A BMW entrou na corrida dos elétricos com bastante ousadia. O i3 fugia do padrão com sua carroceria alta, pneus finos e interior com materiais reciclados. Além disso, toda a carroceria é feita em fibra de carbono. Agora em 2022 o modelo deixou de ser produzido, já envelhecido e com a marca focando em sedãs e SUV elétricos.
A filial brasileira está vendendo o último lote do elétrico com algumas condições especiais, mas o i3 já está sem ser produzido desde agosto.
Importadora tentou ser esperta e trazer o Freelander na véspera de uma nova geração, o tiro saiu pela culatra (Foto: Land Rover | Divulgação)
A Land Rover tentou ser espertinha na hora de trazer um refugo para o Brasil e se deu mal. A primeira geração do SUV compacto Freelander chegou ao país bem tarde, já no final de carreira. Para contextualizar, esse modelo foi introduzido na Inglaterra em 1997 e só aportou no Brasil em 2005.
O Freelander de primeira geração deixou de ser produzido no final de 2006, dando lugar a uma segunda geração mais sofisticada. Os clientes que pagaram caro pelo SUV importado não gostaram de saber que estavam comprando a xepa a preço de filé mignon e entraram na justiça.
A Land Rover do Brasil acabou sendo obrigada a oferecer a segunda geração para esses clientes insatisfeitos, sem acréscimo no preço.
O post Fim de feira: cinco vezes que as montadoras venderam refugo no Brasil apareceu primeiro em AutoPapo.
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Carros no final da vida costumam ter preços mais competitivos e alguns problemas resolvidos. Porém esses carros chegaram como novidade, então a vantagem do preço nem sempre é garantida. Alguns desses modelos são até interessantes, mas saber que não terá continuidade e a incerteza das peças de reposição deixam um receio no ar.
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Confira cinco casos de quando o Brasil recebeu refugo das monatadoras:
1. Volkswagen Golf GTE
O Golf GTE trazia uma proposta legal de unir o desempenho de um GTI com a economia de um híbrido (Foto: Volkswagen | Divulgação)
A Volkswagen apresentou o Golf GTE aos brasileiros no Salão do Automóvel de 2016 com uma promessa de importar o esportivo híbrido. A empresa cumpriu essa promessa, mas foi apenas em 2020 — um ano após a nova geração do hatch médio ter sido apresentada na Europa.
A versão GTE é híbrida do tipo plug-in. Ela usa o motor 1.4 TSI de 150 cv aliado a um propulsor elétrico de 102 cv, que combinados resultam em 204 cv. Com isso, ele tinha o desempenho de um GTI, mas entregando um consumo bem menor.
Apesar do conceito interessante de aliar desempenho com baixo consumo, o Golf GTE foi um fracasso. O cliente que vai atrás de um GTI é mais antenado e não quis pagar mais de R$ 200 mil em um refugo. O que ajudou a Volkswagen foi ter uma grande locadora comprando o estoque do carro.
2. Chevrolet Omega Diamond
A edição especial nada mais era que o Omega GLS com o motor do CD que estava saindo de linha (Foto: Chevrolet | Divulgação)
O Chevrolet Omega é amado por muitos até hoje. O sedã executivo era o píncaro da sofisticação na época, o Brasil só voltou a fazer carro de padrão alto assim quando marcas de luxo, como BMW e Mercedes-Benz, se instalaram por aqui.
O problema é que o Omega chegou aqui já no meio da vida útil do modelo na Europa. Seu motor 3.0 de seis cilindros em linha já era longevo por lá, com projeto oriundo dos anos 60. A Opel lançou a segunda geração do Omega em 1994 e trocou esse motor por um V6 mais moderno, que não cabia no modelo antigo feito no Brasil.
A Chevrolet chamou a Lotus para modernizar o antigo 4.1 do Opala para ser usado no Omega nacional a partir de 1995, mas ainda existia um estoque do 3.0 importado sobrando na fábrica. Para dar vazão a esses motores, foi criada a edição especial Diamond.
Tirando os emblemas exclusivos e o motor de seis cilindros, o Omega Diamond era nada menos que um GLS com o motor que era exclusivo da versão CD. Hoje essa edição é apreciada pelos colecionadores, mas na época era apenas uma forma de dar fim no estoque de motores.
3. Fiat Tipo nacional
No caso do Tipo, o refugo foi o ferramental do carro, que havia acabado de ser aposentado na Itália (Foto: Fiat | Divulgção)
A Fiat trouxe o médio Tipo da Itália com preços competitivos graças a boa cotação do Real na época. Mas o hatch chegou tarde ao nosso mercado: estreou em 1993 e saiu de linha na Europa em 1995. Com a linha de montagem de Cassino, na Itália, desativada, o fabricante trouxe o ferramental do Tipo para o Brasil.
Dessa vez o refugo foi nada menos que uma linha de montagem inteira, que deu dois anos de sobrevida ao hatchback no Brasil. A gama do Tipo foi simplificada, as versões SLX 2.0 e Sedicivalvole foram aposentadas e restou apenas o 1.6 MPI.
4. BMW i3
Não é mais produzido, mas você ainda encontra zero nas concessionárias (Foto: BMW | Divulgação)
A BMW entrou na corrida dos elétricos com bastante ousadia. O i3 fugia do padrão com sua carroceria alta, pneus finos e interior com materiais reciclados. Além disso, toda a carroceria é feita em fibra de carbono. Agora em 2022 o modelo deixou de ser produzido, já envelhecido e com a marca focando em sedãs e SUV elétricos.
A filial brasileira está vendendo o último lote do elétrico com algumas condições especiais, mas o i3 já está sem ser produzido desde agosto.
5. Land Rover Freelander
Importadora tentou ser esperta e trazer o Freelander na véspera de uma nova geração, o tiro saiu pela culatra (Foto: Land Rover | Divulgação)
A Land Rover tentou ser espertinha na hora de trazer um refugo para o Brasil e se deu mal. A primeira geração do SUV compacto Freelander chegou ao país bem tarde, já no final de carreira. Para contextualizar, esse modelo foi introduzido na Inglaterra em 1997 e só aportou no Brasil em 2005.
O Freelander de primeira geração deixou de ser produzido no final de 2006, dando lugar a uma segunda geração mais sofisticada. Os clientes que pagaram caro pelo SUV importado não gostaram de saber que estavam comprando a xepa a preço de filé mignon e entraram na justiça.
A Land Rover do Brasil acabou sendo obrigada a oferecer a segunda geração para esses clientes insatisfeitos, sem acréscimo no preço.
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