Notícia Frango barra visto da Ram Rampage nos EUA, entenda

A Ford Maverick fez um grande rebuliço no mercado de caminhonetes dos EUA, a ponto da montadora não conseguir atender à demanda. Sabendo disso, é natural de se esperar que a Ram Rampage seja exportada lá, certo?

Errado. Apesar de já terem influencers e jornalistas ventilando essa possibilidade, um imposto criado por causa de galinhas impedem que a picape feita em Goiana (PE) chegue aos EUA. Parece loucura, mas vamos explicar o que é.

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Uma taxação para veículos comerciais foi a resposta dos EUA aos impostos altos para o frango exportado para a Alemanha e França (Foto: Volkswagen | Divulgação)

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Em 1964 o presidente dos EUA, Lyndon Johnson, criou uma taxa de 25% sobre o valor de veículos comerciais. Isso foi uma resposta a Franças e a Alemanha, que aplicaram impostos pesados nas galinhas vindas dos EUA.

O imposto foi chamado de “Chicken Tax“, ou “taxa da galinha” em uma tradução livre. Na época o alvo foi a Volkswagen Kombi, que fazia sucesso nos EUA sendo vendida como van e picape. Mais tarde essa taxa foi estendida para conhaques, amido de batata e outros produtos.

As lideranças que vieram depois de Lyndon Johnson não pensaram em acabar com a Chicken Tax. Isso dificultou a vida de montadoras que queriam vender caminhonetes e vans nos EUA. E dificultaria a exportação da Ram Rampage brasileira para lá.

Como as montadoras burlaram esse imposto​

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Os japoneses contornaram a taxa importando picapes sem caçamba e colocando a peça já nos EUA (Foto: Toyota | Divulgação)
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A Subaru simplesmente colocou bancos na caçamba e disse que a Brat era um carro de passeio (Foto: Subaru | Divulgação)

Nos anos 70, com a crise do petróleo, houve a consolidação dos carros japoneses nos EUA. Eles eram frugais, confiáveis e baratos. Os asiáticos também produziam caminhonetes e precisavam dar um jeito para evitar a Chicken Tax.

A solução encontrada foi uma brecha no regulamento: o texto legal não falava sobre veículos em configuração cabine-chassi. Os japoneses passaram a importar suas caminhonetes sem a caçamba, recebendo taxação de apenas 4%. Com o veículo dentro dos EUA e os impostos já recolhidos, instalavam uma caçamba e vendia para o público.

Essa brecha acabou em 1980, obrigando os japoneses a começarem a produzir nos EUA ou buscarem outras brechas. A Subaru importou a picapinha Brat de 1978 a 1987 com um par de bancos na caçamba, alegando que era um veículo de passageiro.

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A Sprinter era montada em regime CKD nos EUA, com algumas peças feitas localmente (Foto: Dodge | Divulgação)
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A Ford importava o Transit Connect em versão de passageiros e transformava em furgão de carga em um galpão próximo ao porto (Foto: Ford | Divulgação)

Nos anos 2000 a DaimlerChrysler começou a vender a Mercedes-Benz Sprinter nos EUA. A van vinha da Alemanha desmontada e era finalizada na América do Norte com alguns componentes locais, evitando pagar a taxação pesada.

A Ford não quis ter esse esforço todo na hora de vender o furgão médio Transit Connect, que era feito na Turquia. Importou o modelo apenas na versão de passageiros, ao chegar no porto ia para um galpão ser convertida em veículo de carga. Os bancos, vidros e acabamentos retirados eram enviados de volta, podendo ser usados em outros carros.

O caso da Ram Rampage​

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A solução para a Rampage chegar aos EUA seria a produção no México, sem pagar o imposto da galinha (Foto: Stellantis | Divulgação)

O lançamento da Rampage gerou movimentação na imprensa internacional. O desenho da picape parece ter agradado, seu porte é similar ao da Maverick e o motor 2.0 turbo a gasolina já é comum no exterior.

A plataforma utilizada pela Ram nacional é a mesma dos Jeep Compass e Renegade, Alfa Romeo Tonale e Dodge Hornet. Ou seja, não é um projeto de baixo custo que exigiria muitas alterações para ser vendido nos EUA.

A possibilidade da Rampage ser vendida por lá é real, mas para isso ela precisa ser produzida na América do Norte. Caso isso ocorra, o local mais provável é a planta de Toluca, no México, onde o Compass é feito.

Por enquanto, ver a Rampage nos EUA ainda está no ramo das especulações. Nessa mudança de fábrica poderá ocorrer algumas mudanças, como melhorias na capacidade de reboque, mais recursos na caçamba e outras soluções para agradar o público norte americano.

Ver a picape nacional saindo da fábrica de Goiana para desbravar os EUA só irá acontecer caso resolvam essa taxa da galinha.

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