Texto: Marcos Camargo Jr.
A Jeep decidiu ficar fora do tradicional intervalo comercial do Super Bowl, maior evento esportivo e publicitário dos Estados Unidos. A ausência marca uma mudança relevante na estratégia da marca, inserida em um contexto mais amplo de contenção de custos, reorganização comercial e renovação de portfólio no mercado norte-americano.
A decisão evita um investimento estimado em US$ 8 milhões por um comercial de 30 segundos — espaço historicamente ocupado pela Jeep e assistido pela maior audiência anual do país. Em vez disso, a marca optou por uma campanha digital de menor custo, veiculada antes do evento em redes sociais e portais online.
Em 2025, a Jeep esteve presente no Super Bowl com uma ação protagonizada pelo ator Harrison Ford, que dirigia um Jeep Wrangler em uma provocação direta à rival Ford, explorando o trocadilho com o sobrenome do ator.
Mudança de postura em 2026
A reavaliação da presença no Super Bowl reflete o momento delicado vivido pela indústria automotiva nos Estados Unidos, especialmente pelas marcas do grupo Stellantis. Pressionada por margens mais apertadas, estoques elevados e desaceleração da demanda, a companhia tem revisado investimentos considerados de alto impacto financeiro e retorno cada vez mais incerto.
Do ponto de vista de posicionamento, a Jeep enfrenta o desafio de equilibrar sua herança ligada ao off-road com a transição tecnológica do setor. A marca passa por um processo de atualização de imagem, impulsionado pela eletrificação e pela chegada de novos SUVs híbridos e elétricos, além da renovação de modelos estratégicos como Wrangler, Grand Cherokee e o futuro Recon elétrico.
Executivos da Jeep avaliam que um comercial curto no intervalo do Super Bowl já não é suficiente para comunicar a complexidade do portfólio atual nem explicar, de forma clara, a transformação tecnológica em curso. Além disso, a fragmentação da audiência — hoje dividida entre TV aberta, canais pagos e plataformas de streaming — reduz o impacto concentrado que o evento já teve no passado.
Historicamente, o espaço mais nobre da publicidade televisiva nos EUA é dominado por gigantes como General Motors e Ford. Em 2026, o intervalo comercial do Super Bowl será ocupado por marcas como Pepsi Zero Sugar, Oakley Meta (óculos conectados), TurboTax, Uber Eats, Pringles e State Farm, reforçando o peso crescente de empresas fora do setor automotivo nesse palco publicitário.
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