Notícia Lancia acelera queda histórica e vende menos de 12 mil carros em 2025

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Texto: Marcos Camargo

A Lancia atravessa um dos momentos mais delicados de sua história no mercado europeu. Dados da European Automobile Manufacturers’ Association (ACEA) indicam que a marca italiana registrou menos de 12 mil veículos vendidos em 2025, um dos piores resultados desde sua fundação, confirmando um processo de retração que se arrasta há décadas. Para efeito de comparação, no início dos anos 1990 a Lancia comercializava cerca de 300 mil unidades por ano no continente.

A trajetória descendente é contínua. No fim dos anos 1990, as vendas anuais ainda giravam em torno de 170 mil unidades. Em 2010, o volume já havia recuado para aproximadamente 97 mil carros. Desde então, a marca perdeu relevância comercial, portfólio e presença geográfica.




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2025 marca o pior resultado recente




Em 2025, a Lancia somou 11.747 veículos registrados na Europa, segundo a ACEA — número que ainda inclui alguns registros residuais de modelos Chrysler, marca que deixou de atuar no continente, mas que permanece pontualmente nos relatórios oficiais. Dados da consultoria Dataforce apontam volume semelhante, com 11.719 emplacamentos exclusivamente da Lancia.

O resultado representa uma queda expressiva frente a 2024, quando a marca havia registrado mais de 32.600 unidades. A retração anual foi de cerca de 64%, uma das maiores entre os fabricantes ainda presentes oficialmente no mercado europeu.




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De referência técnica e esportiva a um único modelo




O contraste com o passado é significativo. Ao longo do século XX, a Lancia construiu reputação técnica e esportiva com modelos que marcaram época. O Lancia Lambda, lançado em 1922, foi um dos primeiros automóveis de produção com carroceria monobloco, solução que se tornaria padrão na indústria.

Nos anos seguintes, a marca consolidou sua imagem com sedãs como Aprilia, Aurelia — este último pioneiro no uso do motor V6 em produção seriada — e Flaminia, que reforçaram a associação da Lancia com engenharia avançada e conforto refinado.




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No universo esportivo, a marca alcançou status lendário com o Stratos HF, o 037 Rally e, principalmente, o Delta Integrale, modelo que dominou o Mundial de Rali e garantiu à Lancia seis títulos consecutivos de construtores, um recorde que permanece até hoje. No segmento executivo, nomes como Thema e Kappa também tiveram papel relevante, inclusive fora da Itália.

Esse legado contrasta com a realidade atual, em que a Lancia está reduzida a um único produto em linha.




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Ypsilon sustenta sozinho a marca




Atualmente, a estratégia da Lancia gira em torno do Ypsilon, hatch compacto do segmento A, baseado na plataforma CMP, a mesma utilizada por modelos como Peugeot 208,
2008 e Opel Corsa além do Citroën C3 e Aircross. O carro recebeu atualizações recentes, incluindo versões eletrificadas e ajustes de design, mas os volumes permanecem limitados.

Mesmo com a tentativa de expansão para mercados como França, Espanha, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Irlanda e Reino Unido, o Ypsilon não conseguiu gerar escala suficiente para alterar o cenário de retração. A presença do modelo segue concentrada e com impacto comercial restrito.




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Planos de retomada sob pressão




A Stellantis, grupo controlador da Lancia, prevê ampliar o portfólio nos próximos anos com o lançamento de novos modelos, entre eles o Gamma, um SUV médio de perfil fastback, e uma nova geração do Delta, nome que carrega forte peso histórico para a marca.

Ao mesmo tempo, o próprio CEO do grupo, Antonio Filosa, já declarou que a viabilidade de todas as marcas da Stellantis está sob revisão, em um contexto de maior foco em rentabilidade, eficiência industrial e racionalização de investimentos. Nesse cenário, a Lancia passa a depender diretamente do sucesso de sua reestruturação para justificar sua permanência no portfólio global do grupo.

A marca que já foi sinônimo de inovação técnica e protagonismo esportivo enfrenta agora o desafio de transformar legado em relevância comercial — em um mercado europeu cada vez mais competitivo e concentrado.




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