Notícia Montadoras de caminhões investem pesado em estudos de aerodinâmica

Quando se pensa em caminhões, não esperamos que eles sejam aprimorados cada vez mais em aerodinâmica, já que eles são pesados, lentos e não são feitos para correr. Entretanto, as montadoras têm investido cada vez maisneste quesito e, hoje, oferecem até mesmo pacotes aerodinâmicos para seus caminhões.

A Peterbilt por exemplo oferece o pacote EPIQ MAX Aero: com ele, o caminhão ganha aletas de borracha embaixo dos para-choques e das “saias laterais”, assim como na caixa de roda para diminuir o arrasto. Até as rodas traseiras entram na jogada e ganham calotas para melhorar o fluxo do ar.

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A Volvo também oferta pacotes aerodinâmicos para a linha VNR e VNL, voltados para transporte de média e longa distância. No Brasil, a marca apresentou recentemente um pacote aerodinâmico para o pesado FH, que já estava disponível no mercado europeu.

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Diferença entre o Volvo VNL sem e com pacote aerodinâmico | Foto: Volvo Trucks | Divulgação)

Porque a aerodinâmica está em foco?​


Os caminhões têm recebido atenção na aerodinâmica para reduzir o consumo de combustível. Um bom exemplo é a montadora sueca Scania. Em 1991 ela lançou o Streamline, a série 3 com “linhas suaves”.

O resultado? De acordo com a revista de circulação própria, “Scania World” em sua edição “Edição Especial 1902-2002 um século na estrada”, a redução de coeficiente de resistência a velocidade (Cd) foi de 0,5 do Streamline para o série 3: apenas isso foi responsável por um redução de 4 a 5% no consumo ou 2 a 3 litros de diesel a cada 100 quilômetros rodados.

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Scania Série 3 e sua versão 'aerodinâmica'...
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a Streamline (Fotos: Scania | Divulgação)

Claro, o exemplo acima foi na Europa, totalmente diferente dos EUA. Uma das diferenças do mercado norte-americano, é que a velocidade máxima permitida para caminhões pode variar de estado para estado.

Em alguns estados, o limite de velocidade é de 55 MPH (88 km/h) mas outros estados, como o Texas, a velocidade máxima permitida para caminhões é de 80 MPH (128 km/h). Quanto maior a velocidade, maior é a resistência aerodinâmica.

Outro ponto é o próprio governo exige que os caminhõess sejam mais econômicos e menos poluentes. Com isso, as montadoras têm que extrair o máximo do projeto, ou seja, caso uma melhoria na aerodinâmica do caminhão gere 1% de economia, ela vai buscar esse 1.0%. Além disso, a própria concorrência do mercado cria essa corrida pelo produto de maior durabilidade e mais econômico.

‘Calota flutuante’​

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Patente foi registrada em janeiro, mas no ano passado montadora já havia registrado uma ideia parecida

A Paccar, empresa dona das marcas Peterbilt, Kenworth e DAF (essa com atuação no Brasil), registrou em janeiro deste ano, nos EUA ,uma patente de uma calota que cobre não só a roda, mas também o pneu, incluindo o espaço entre entre esse conjunto e a caixa de rodas. De acordo com o descritivo da patente, a ideia é melhorar o fluxo aerodinâmico e gerar uma melhor economia de combustível.

O funcionamento do dispositivo é relativamente simples. A calota fica presa no centro da roda junto a um rolamento – com isso a ela não gira junto. O componente é feito com certa flexibilidade, então ela acompanha o movimento da roda sem nenhum problema e ainda respeitando o espaço da calota para o pneu.

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Mesmo com o uso da calota, o caminhão consegue virar...
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... tanto para a esquerda quanto para a direita (Fotos: Paccar | Divulgação)

Por se tratar de uma patente, ainda não se sabe qual o real impacto que tal “invenção” pode proporcionar à economia de combustível no dia-a-dia.

Implementos também focam aerodinâmica​


Ainda olhando o mercado norte-americano, a venda de implementos em sua grande parte é composta de modelos baús, e, com isso, o arrasto aerodinâmico é maior. Por isso, algumas empresas desenvolveram dispositivos para melhorar o fluxo aerodinâmico do implemento.

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Solução usada no mercado dos EUA propõe melhorar a aerodinâmica e estabilidade dos implementos | Foto: Trailer Tail | Divulgação

As soluções são relativamente simples. O mais comum é a instalação de uma saia abaixo do implemento que pega o ar vindo de baixo do caminhão e joga ele para fora. Outra solução é a instalação de um “extensor” na traseira do implemento. Esse além de melhorar o fluxo também reduz a turbulência causada pelo conjunto.

De acordo com os fabricantes, essas soluções podem gerar uma economia de 1% a 10%, dependendo muito da aplicação do caminhão como também sua rota. Ainda outra vantagem é que o conjunto ganha mais estabilidade.

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