Notícia Montadoras paradas: e o preço dos carros usados, vai subir?

Nas últimas semanas, cinco montadoras se viram obrigadas a paralisar a sua produção de veículos no Brasil e dar férias coletivas aos funcionários, alegando falta de componentes eletrônicos para equipar os novos modelos, Mas a verdade é que a demanda pelo carro 0 km diminuiu em 2023.

Na última vez que houve uma pausa na produção, foi durante a pandemia, quando começou a faltar carro novo no mercado, e as pessoas precisaram recorrer a modelos seminovos e usados, que registraram uma alta de 25%. Mas o cenário agora é um pouco diferente.

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Para deixar a situação um pouco mais clara o AutoPapo conversou com Enilson Sales, Presidente da Fenauto, e Glênio Junior, presidente da associação das revendedoras de carro usados de Minas Gerais. E, antes de falar propriamente do impacto no mercado, é preciso entender o contexto que o Brasil está inserido, explicado por Sales:

  • O Brasil tem uma carga tributária altíssima e, para pagar os impostos da maneira correta e mantendo lucro considerável no seu negócio, as montadoras precisaram recorrer a carros mais sofisticados e caros, que deixam uma rentabilidade maior.
  • A população de classe baixa tem um poder de compra cada vez menor, e não tem condições de comprar esses veículos sofisticados. Uma saída seria os modelos de entrada, mas eles estão cada vez menos em oferta.
  • Com isso, a demanda diminui, as concessionárias não têm linha de crédito para colocar o carro no salão de vendas, e a indústria brasileira trava.
  • Essa culpa pode ser atribuída ao governo, que cobra juros altos, os bancos que não liberam o crédito por causa da inadimplência e incerteza econômica, e às montadoras, que só oferecem carros de alto padrão para aumentar a margem de lucro.

Como a paralisação das montadoras afeta o mercado de carros usados​


De acordo com Glenio, nos dois primeiros meses de 2023 o mercado de usados teve um crescimento de 21% em Minas Gerais, e 30% em BH, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Os números do primeiro trimestre – que ainda não foi divulgado – não deve variar muito, considerando que as paralisações começaram em março.

Além disso, Junior aponta que a mudança não deve ser muito significativa, pois as montadoras deram uma pausa de aproximadamente 30 dias, enquanto o estoque no pátio tem ‘suprimento’ para 42 dias.

Essas férias coletivas não devem atrapalhar, já que o estoque médio dessas montadoras no pátio é um período de 42 dias, então não vai falta carro [novo] no mercado.

Sendo objetivo ela não afeta diretamente a venda de usados e seminovos, em um primeiro momento. A tendência também é que o preço do seminovo continue baixando, mas de forma quase inexpressiva. Para 2023 a probabilidade de crescimento do segmento é de em torno de 5% em relação ao ano passado.

Mas Enilson Sales aponta que em um período de 2 a 3 anos essa situação pode ser tornar um problema. Com o mercado continuando a oferecer apenas modelos mais caros, o consumidor comum vai seguir optando pela escolha de um seminovo, até o momento que não vai mais existir oferta de modelos usados.

A curto prazo é bom para o segmento de seminovos, no longo prazo não. Por enquanto, vemos montadoras entregando modelos que o consumidor pede, e, quando a procura não é atendida, o comprador recorre a um carro de 2019 a 2021. Isso faz a cadeia de usados rodar mais rápido, como vemos hoje, e eles vendem num ritmo razoável.

Esse mercado ainda não tem perspectiva de baixa de preço, porque continua pressionado pela falta do 0 km. Para quem comercializa esse tipo de veículo é ótimo, mas uma hora a conta vai chegar, porque não existe fábrica de carro usado.

Em 2024/2025, quem procurar um modelo 2020 ou 2021 vai ter dificuldade de encontrar, porque foi quando começou a paralisação na produção por causa da pandemia, e agora enfrentamos essa nova baixa na produção. Com isso, fica uma buraco de 4 anos de veículos seminovos que vai impactar negativamente no mercado no futuro.

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