Os anos 1970 marcaram a consolidação definitiva da Porsche como referência nas competições de turismo e provas de longa duração. Após o impacto técnico e esportivo do 917 em Le Mans, a fabricante alemã ampliou sua atuação em diferentes categorias, criando uma família de modelos de corrida derivados diretamente de carros de produção.
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O ponto de partida dessa estratégia foi o lançamento do Porsche 930, em 1973, a segunda geração do 911. Com a introdução da versão Turbo, caracterizada pela carroceria alargada no eixo traseiro e pelo uso extensivo da sobrealimentação, o 930 tornou-se a base técnica para uma série de projetos de competição que moldariam o automobilismo da década. Dentre eles, o 934, o 935 e, de forma especial, o 934/5.
O Sorcerer é fiel ao 934/5 que tinha frente de 934 e traseira de 935
Produzido em apenas dez unidades, o Porsche 934/5 ocupa uma posição singular na história da marca. Apresentado em 22 de janeiro de 1977 para disputar o Grupo 4 da IMSA (entidade que regulamenta o automobilismo nos Estados Unidos) o modelo representava uma solução híbrida, criada para explorar brechas do regulamento norte-americano. Ele combinava a seção dianteira do 934 com a traseira do 935, incorporando soluções aerodinâmicas mais agressivas, melhor gerenciamento térmico e avanços em tração e estabilidade. Na prática, o 934/5 antecipava conceitos que se tornariam padrão nos carros de competição da Porsche, funcionando como um elo técnico entre dois projetos consagrados.
Quase cinco décadas depois, esse legado volta a ganhar forma com o DLS Turbo Sorcerer, apresentado pela Singer Design. Reconhecida por reinterpretar modelos clássicos da Porsche sob uma ótica contemporânea, a Singer se inspira diretamente no espírito experimental do 934/5 para inaugurar o programa DLS Turbo, uma evolução do projeto Dynamics and Lightweighting Study.
Imenso aerofólio era uma solução de aerodinâmica dos anos 1970
Baseado no Porsche 911 da geração 964, produzida entre 1989 e 1994, o DLS Turbo Sorcerer parte de um carro fornecido pelo cliente e passa por uma reconstrução integral. A proposta preserva a experiência de condução analógica, mas incorpora soluções modernas de engenharia, especialmente no uso da turboalimentação, elemento central tanto no 934/5 original quanto nesta releitura contemporânea.
O motor é um seis-cilindros opostos de 3,8 litros, com dois turbocompressores, desenvolvido a partir da base mecânica do 964. A arquitetura híbrida de refrigeração (cabeçotes a água e cilindros a ar) remete à busca por eficiência térmica sob altas cargas, um desafio já enfrentado nos carros de corrida da década de 1970. A potência supera os 700 cv, com torque próximo de 76 kgfm e regime de rotações acima de 9.000 rpm. A transmissão é manual de seis marchas, com tração traseira.
A carroceria utiliza painéis de fibra de carbono sobre uma estrutura de aço reforçada. O desenvolvimento aerodinâmico recorre a simulações computacionais e traz referências diretas aos Porsche 934, 935 e, sobretudo, ao 934/5, tanto na gestão do fluxo de ar quanto nas soluções de refrigeração. A suspensão dianteira adota arquitetura de duplo braço sobreposto, com componentes redesenhados também no eixo traseiro.
No lugar das turbinas expostas sob as lanternas, o Turbo Sorcerer ganhou difusores de ar para melhorar a performance
Detalhes funcionais reforçam o vínculo com o modelo histórico, como os coletores de ar integrados às janelas espias. Diferentemente do carro de competição, que mantinha as turbinas expostas, o Sorcerer utiliza extratores inferiores e posiciona as saídas de escape lateralmente, evocando soluções de pista em um contexto contemporâneo.
O conjunto é complementado por freios carbono-cerâmicos, rodas de magnésio e pneus Michelin Pilot Sport Cup 2. Sistemas eletrônicos permitem ajustes de tração, estabilidade e ABS, além de um mecanismo de elevação do eixo dianteiro para uso urbano.
Interior tem acabamento impecável, com mescla de elementos modernos e nostálgicos
No interior, o acabamento artesanal combina couro, Alcantara e fibra de carbono, com instrumentação analógica redesenhada e integração discreta de recursos modernos. O que a Singer não revela é o preço da brincadeira e nem que é o endinheirado que encomendou o “feiticeiro”.
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O ponto de partida dessa estratégia foi o lançamento do Porsche 930, em 1973, a segunda geração do 911. Com a introdução da versão Turbo, caracterizada pela carroceria alargada no eixo traseiro e pelo uso extensivo da sobrealimentação, o 930 tornou-se a base técnica para uma série de projetos de competição que moldariam o automobilismo da década. Dentre eles, o 934, o 935 e, de forma especial, o 934/5.
O Sorcerer é fiel ao 934/5 que tinha frente de 934 e traseira de 935
Produzido em apenas dez unidades, o Porsche 934/5 ocupa uma posição singular na história da marca. Apresentado em 22 de janeiro de 1977 para disputar o Grupo 4 da IMSA (entidade que regulamenta o automobilismo nos Estados Unidos) o modelo representava uma solução híbrida, criada para explorar brechas do regulamento norte-americano. Ele combinava a seção dianteira do 934 com a traseira do 935, incorporando soluções aerodinâmicas mais agressivas, melhor gerenciamento térmico e avanços em tração e estabilidade. Na prática, o 934/5 antecipava conceitos que se tornariam padrão nos carros de competição da Porsche, funcionando como um elo técnico entre dois projetos consagrados.
Sorcerer, o 934/5 da Singer
Quase cinco décadas depois, esse legado volta a ganhar forma com o DLS Turbo Sorcerer, apresentado pela Singer Design. Reconhecida por reinterpretar modelos clássicos da Porsche sob uma ótica contemporânea, a Singer se inspira diretamente no espírito experimental do 934/5 para inaugurar o programa DLS Turbo, uma evolução do projeto Dynamics and Lightweighting Study.
Imenso aerofólio era uma solução de aerodinâmica dos anos 1970
Baseado no Porsche 911 da geração 964, produzida entre 1989 e 1994, o DLS Turbo Sorcerer parte de um carro fornecido pelo cliente e passa por uma reconstrução integral. A proposta preserva a experiência de condução analógica, mas incorpora soluções modernas de engenharia, especialmente no uso da turboalimentação, elemento central tanto no 934/5 original quanto nesta releitura contemporânea.
O motor é um seis-cilindros opostos de 3,8 litros, com dois turbocompressores, desenvolvido a partir da base mecânica do 964. A arquitetura híbrida de refrigeração (cabeçotes a água e cilindros a ar) remete à busca por eficiência térmica sob altas cargas, um desafio já enfrentado nos carros de corrida da década de 1970. A potência supera os 700 cv, com torque próximo de 76 kgfm e regime de rotações acima de 9.000 rpm. A transmissão é manual de seis marchas, com tração traseira.
Passado, presente e futuro
A carroceria utiliza painéis de fibra de carbono sobre uma estrutura de aço reforçada. O desenvolvimento aerodinâmico recorre a simulações computacionais e traz referências diretas aos Porsche 934, 935 e, sobretudo, ao 934/5, tanto na gestão do fluxo de ar quanto nas soluções de refrigeração. A suspensão dianteira adota arquitetura de duplo braço sobreposto, com componentes redesenhados também no eixo traseiro.
No lugar das turbinas expostas sob as lanternas, o Turbo Sorcerer ganhou difusores de ar para melhorar a performance
Detalhes funcionais reforçam o vínculo com o modelo histórico, como os coletores de ar integrados às janelas espias. Diferentemente do carro de competição, que mantinha as turbinas expostas, o Sorcerer utiliza extratores inferiores e posiciona as saídas de escape lateralmente, evocando soluções de pista em um contexto contemporâneo.
O conjunto é complementado por freios carbono-cerâmicos, rodas de magnésio e pneus Michelin Pilot Sport Cup 2. Sistemas eletrônicos permitem ajustes de tração, estabilidade e ABS, além de um mecanismo de elevação do eixo dianteiro para uso urbano.
Interior tem acabamento impecável, com mescla de elementos modernos e nostálgicos
No interior, o acabamento artesanal combina couro, Alcantara e fibra de carbono, com instrumentação analógica redesenhada e integração discreta de recursos modernos. O que a Singer não revela é o preço da brincadeira e nem que é o endinheirado que encomendou o “feiticeiro”.
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