Traseira arqueada de caminhão é um assunto que sempre gera discussão. Para quem não sabe, esse tipo de modificação é quando um caminhoneiro levanta o eixo posterior do seu caminhão (seja ele um conjunto ou um chassi rígido), sempre causa polêmicas entre aqueles que defendem a prática aqueles que são contrários.
Sem tomar partido de um lado ou outro, há casos que vão muito do que permitido pelo Contran. Um exemplo de modificações extremas é o que fez o influenciador digital Nelio Dgrazi. Com mais de 500 mil seguidores no Instagram, o influenciador ficou popular pelo sorteio de carros personalizados, por meio de rifas.
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Recentemente ele divulgou em sua rede social fotos de seu novo caminhão, um Volkswagen Constellation. O cavalo-mecânico foi acoplado a um implemento de dois eixos (do tipo carga seca). No entanto a composição se destaca pela traseira exageradamente alta. Estima-se que a traseira esteja erguida ou arqueada em 3 metros de altura. Ou seja, é altura do pé direito padrão de um imóvel.
Para chegar ao resultado, o implemento recebeu no primeiro eixo um sistema de suspensão a ar com o suporte alongado. Já no último eixo foram adicionadas 60 molas usadas para deixar a traseira bem alta.
A publicação gerou reações, muitas delas contrárias à modificação do caminhão. “Pra quem realmente vive de caminhão e fica na estrada isso ai prejudica a classe inteira! Qualquer B.O (sic) que der, a polícia vai para a pista fiscalizar quem realmente trabalha!”
Já outro seguidor menciona: “Isso é só para PRF (Polícia Rodoviária Federal) ver na mídia e reforçar a perseguição contra caminhão com fundo alto. Uma pena que quem é prejudicado é só quem vive e luta em cima de um caminhão feito um homem para leva o sustento pra casa”
A moda de arquear a traseira dos caminhões não é nova. Ela começou a se popularizar nas redes sociais por volta de 2010. E há quem defenda que ao arquear o caminhão, o mesmo ganha mais estabilidade, já que o peso da carga fica deslocada para o eixo dianteiro, o que otimizaria seu comportamento nas curvas.
No entanto, não há estudos com diferentes tipos de caminhões, cargas e tipos de suspensão, que mensuram e ratificam a tão melhora. Ou seja não há nenhuma conclusão técnica que caminhão fique mais estável nas curvas. Além disso, ao erguer a traseira e alongar o para-choque traseiro, o risco de fatalidade numa colisão traseira é acentuada.
Outro problema atinge diretamente o bolso do caminhoneiro. Muitos embarcadores não aceitem carregar e descarregar caminhões que tenham alterações fora do que é permitido pelo Contran. E falando nisso, qual é o limite?
A resolução 479 do Contran estabelece limites para alterações na altura da suspensão do caminhão. A resolução permite que caminhões sejam elevados em 2 graus, o que na prática representa 3,5 centímetros por metro de comprimento.
Sendo assim, um caminhão que possui uma carroceria de 8 metros de comprimento poderá ter uma diferença de 28 centímetros de altura do começo até o final da carroceria. Além disso, as lanternas traseiras não podem estar acima de 1,20 metros do chão e as lanternas laterais (ou luzes de posição) não podem estar acima de 1,50 metro do chão.
Outro aspecto importante, é que a resolução também autoriza o uso de calço na suspensão. Porém, ao utilizá-lo, serão definidos dois pontos de referência no chassi (X e Y) com uma distância de 1000 milímetros entre eles. Então será realizada uma medida a altura desses dois pontos em relação ao solo. E a diferença de altura desses dois pontos não pode passar de 35 milímetros. Confira no exemplo abaixo:
Resolução permite o uso de calço na suspensão, mas desde que não ultrapasse o limite de 35 milímetros entre o ponto X e Y ( Foto: Reprodução | Contran)
A resolução ainda deixa claro que rebaixar a frente do caminhão ou alterar o eixo dianteiro não é permitido, apenas para instalação do segundo eixo auxiliar. Além disso, todas as alterações devem constar no CRV (Certificado de Registro do Veículo) e no CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo).
Ou seja, dentro da legalidade, arquear a traseira do caminhão tem um efeito mínimo e quase imperceptível, o que pode estimular os caminhoneiros a erguerem a traseira em alturas, no mínimo beirando o ridículo, para poder chamar a atenção, inclusive das autoridades.
Procurado pelo AutoPapo, o influenciador não retornou a nossa mensagem para falar sobre a modificação em seu caminhão.
O post Traseira arqueada: caminhão do influencer Nelio Dgrazi volta à polêmica apareceu primeiro em AutoPapo.
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Sem tomar partido de um lado ou outro, há casos que vão muito do que permitido pelo Contran. Um exemplo de modificações extremas é o que fez o influenciador digital Nelio Dgrazi. Com mais de 500 mil seguidores no Instagram, o influenciador ficou popular pelo sorteio de carros personalizados, por meio de rifas.
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Recentemente ele divulgou em sua rede social fotos de seu novo caminhão, um Volkswagen Constellation. O cavalo-mecânico foi acoplado a um implemento de dois eixos (do tipo carga seca). No entanto a composição se destaca pela traseira exageradamente alta. Estima-se que a traseira esteja erguida ou arqueada em 3 metros de altura. Ou seja, é altura do pé direito padrão de um imóvel.
Para chegar ao resultado, o implemento recebeu no primeiro eixo um sistema de suspensão a ar com o suporte alongado. Já no último eixo foram adicionadas 60 molas usadas para deixar a traseira bem alta.
A publicação gerou reações, muitas delas contrárias à modificação do caminhão. “Pra quem realmente vive de caminhão e fica na estrada isso ai prejudica a classe inteira! Qualquer B.O (sic) que der, a polícia vai para a pista fiscalizar quem realmente trabalha!”
Já outro seguidor menciona: “Isso é só para PRF (Polícia Rodoviária Federal) ver na mídia e reforçar a perseguição contra caminhão com fundo alto. Uma pena que quem é prejudicado é só quem vive e luta em cima de um caminhão feito um homem para leva o sustento pra casa”
Qual a razão da traseira arqueada
A moda de arquear a traseira dos caminhões não é nova. Ela começou a se popularizar nas redes sociais por volta de 2010. E há quem defenda que ao arquear o caminhão, o mesmo ganha mais estabilidade, já que o peso da carga fica deslocada para o eixo dianteiro, o que otimizaria seu comportamento nas curvas.
No entanto, não há estudos com diferentes tipos de caminhões, cargas e tipos de suspensão, que mensuram e ratificam a tão melhora. Ou seja não há nenhuma conclusão técnica que caminhão fique mais estável nas curvas. Além disso, ao erguer a traseira e alongar o para-choque traseiro, o risco de fatalidade numa colisão traseira é acentuada.
Outro problema atinge diretamente o bolso do caminhoneiro. Muitos embarcadores não aceitem carregar e descarregar caminhões que tenham alterações fora do que é permitido pelo Contran. E falando nisso, qual é o limite?
O que diz a lei
A resolução 479 do Contran estabelece limites para alterações na altura da suspensão do caminhão. A resolução permite que caminhões sejam elevados em 2 graus, o que na prática representa 3,5 centímetros por metro de comprimento.
Sendo assim, um caminhão que possui uma carroceria de 8 metros de comprimento poderá ter uma diferença de 28 centímetros de altura do começo até o final da carroceria. Além disso, as lanternas traseiras não podem estar acima de 1,20 metros do chão e as lanternas laterais (ou luzes de posição) não podem estar acima de 1,50 metro do chão.
Outro aspecto importante, é que a resolução também autoriza o uso de calço na suspensão. Porém, ao utilizá-lo, serão definidos dois pontos de referência no chassi (X e Y) com uma distância de 1000 milímetros entre eles. Então será realizada uma medida a altura desses dois pontos em relação ao solo. E a diferença de altura desses dois pontos não pode passar de 35 milímetros. Confira no exemplo abaixo:
Resolução permite o uso de calço na suspensão, mas desde que não ultrapasse o limite de 35 milímetros entre o ponto X e Y ( Foto: Reprodução | Contran)
A resolução ainda deixa claro que rebaixar a frente do caminhão ou alterar o eixo dianteiro não é permitido, apenas para instalação do segundo eixo auxiliar. Além disso, todas as alterações devem constar no CRV (Certificado de Registro do Veículo) e no CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo).
Ou seja, dentro da legalidade, arquear a traseira do caminhão tem um efeito mínimo e quase imperceptível, o que pode estimular os caminhoneiros a erguerem a traseira em alturas, no mínimo beirando o ridículo, para poder chamar a atenção, inclusive das autoridades.
Procurado pelo AutoPapo, o influenciador não retornou a nossa mensagem para falar sobre a modificação em seu caminhão.
O post Traseira arqueada: caminhão do influencer Nelio Dgrazi volta à polêmica apareceu primeiro em AutoPapo.
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