Versão vem equipada com bons itens básicos, além do tradicional motor 1.0 TSI de até 116 cv
A geração Z chegou à maioridade e, com ela, um novo estilo de pensar o mundo. Em geral, essa “molecada” é focada no digital, além de valorizar a autenticidade e a liberdade. Obviamente, a indústria segue o desafio de acompanhar as gerações, sejam elas baby boomers ou millennials.
Por exemplo, o Fusca atendeu várias gerações, saindo lá dos anos 50 até os anos 90, sendo substituído pelo Gol, que dominou o mercado nacional por muito tempo, até perder o fôlego na década passada. Pois bem, desde que deixou de vender o hatch em dezembro de 2022, a Volkswagen não tinha nenhum modelo de impacto para atender esse novo perfil de consumidor, já contemplado pela Stellantis ao vender o Fiat Pulse a partir de 2020, ficando popular em um famoso reality show.
Embora tenha T-Cross e Nivus, que performam bem nas vendas, faltava um modelo que mexesse com os fãs da marca e também causasse polêmica, assim como algumas atitudes da geração Z. Portanto, é nesse contexto que o Tera chega ao Brasil, trazendo a simplicidade do Fusca e do Gol, aliada a um visual fora do padrão sisudo da Volkswagen. Há diversas versões, como a TSI, avaliada pela Revista Carro, que vem equipada com o tradicional motor 1.0 TSI de 116 cv e preço de R$ 118.890. Inclusive, o utilitário faz uma homenagem aos dois saudosos modelos da marca ao trazer a silhueta deles em um dos vidros.
Jeitão de Gol e Fusca poderia ter evoluído
Na época do Fusca e do Gol, o mercado brasileiro tinha pouca ou quase nenhuma concorrência, não sendo competitivo como agora. Dito isso, o Volkswagen Tera tem bons rivais, como o Pulse, que conta com opções de motores de quatro cilindros, 1.0 turbo de até 130 cv e versões híbridas; o Kardian, que representa uma evolução da Renault após tantos anos engatinhando com produtos de padrão Dácia; e o Honda WR-V, que voltou a ser vendido no Brasil com o conhecido motor aspirado de 126 cv, bons equipamentos e alto nível de acabamento. Por fim, a Nissan aposta no novo Kait, uma espécie de modernização do Kicks Play, mantendo o tradicional conjunto mecânico 1.6 aspirado.
Nesse caldeirão de rivais, o Volkswagen Tera deixa a desejar na simplicidade, com bancos em peça única não tão confortáveis como dos concorrentes, plástico duro por todos os cantos, ar-condicionado manual na versão TSI, além de faltar espaço interno para quem vai sentado no banco traseiro, no melhor estilo Gol e Fusca.
Embora seja um SUV compacto, o modelo não passa a sensação de direção elevada, o que é esperado em um utilitário, mas sim a de um hatch “bombado”, postura não vista no Honda WR-V, por exemplo. Já o Kardian e o Pulse são mais potentes, sendo o modelo da Renault com 125 cv e o da Fiat com 130 cv no motor 1.0 turbo e 107 cv quando equipado com o 1.3 Firefly, apenas 9 cv a menos do que o SUV fabricado em Taubaté, no interior de São Paulo, pela Volkswagen.
Essas características poderiam ter evoluído no Tera, uma vez que o modelo deixou de lado o visual sisudo da Volkswagen, trazendo linhas mais alegres e para-choques bem demarcados, dando aquela sensação de carro robusto e durável que o “volkslover” ama se gabar ao defender a marca na internet.
Mais conectado e seguro
Por outro lado dessa simplicidade, defendida por unhas e dentes pelos fãs da marca, a Volkswagen investiu em uma multimídia mais moderna, no melhor estilo chinês, só que sem girar. Nela, a marca incluiu uma Inteligência Artificial (IA), que funciona como um copiloto, ajudando o motorista após ser acionada por voz. De fato, não é aquela “Skynet” evoluída e esperada pelo grande público, mas representa uma evolução.
IA à parte, a multimídia na versão Tera TSI tem 10,1 polegadas e App-Connect, que permite ter o Waze nativo, ajudando a deixar o celular de lado. Caso o motorista queira conectar Android Auto ou Apple CarPlay, é fácil, com ou sem cabo, já que há duas portas do tipo USB-C. Todavia, a versão TSI não conta com carregador de smartphone por indução, que nas outras configurações utilizam uma saída de ar, conhecida nos carros da Stellantis, para resfriar o celular, fazendo com que ele funcione melhor. A tela tem um bom brilho, botões de acesso rápido e manuseio semelhante ao de um celular.
Diferentemente do Fusca e do Gol, o Volkswagen Tera é mais seguro. Aqui, leitor, vale uma licença poética: na época dos saudosos modelos, o apelo pela segurança ainda andava a passos de tartaruga. Por exemplo, o Fusca era vendido sem espelho retrovisor do lado direito, e as primeiras versões do Gol não tinham airbags nem ABS, já que não eram exigidos no passado.
Claro, o mundo mudou e o apelo pela segurança cresceu. O Tera TSI, que é apenas uma versão acima do Tera MPI, já vem equipado com AEB (frenagem autônoma de emergência), seis airbags, sendo dois frontais, dois laterais nos bancos dianteiros e dois de cortina, e detector de fadiga, reforçando o pacote de segurança. Com isso, o utilitário recebeu nota máxima de cinco estrelas no crash test do Latin NCAP, sendo um modelo seguro para adultos e crianças, além de apresentar bons resultados na segurança de pedestres. Só não espere câmera de ré para ajudar nas manobras.
Ficha técnica e motor conhecido
O Volkswagen Tera TSI traz no nome a motorização 1.0 turbo de até 116 cv, com 16,8 kgfm de torque. Vale lembrar que a Revista O Mecânico já gravou um Raio X do Tera, disponível no YouTube, detalhando os pontos positivos e sensíveis desse conjunto motriz com um mecânico especialista em carros populares. A transmissão é manual de cinco velocidades, com engates precisos, característica da marca.
Esse conjunto é responsável por boas entregas nas arrancadas e retomadas, já que o Tera pesa apenas 1.130 kg, resultando em uma relação peso-potência de 9,74 kg/cv e 67,3 kg/kgfm. É possível chegar aos 100 km/h em 10,1 segundos, um bom número para um SUV.
O consumo fica na casa dos 9 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada com etanol. Já com gasolina, faz 12,9 km/l no trecho urbano e 15 km/l no rodoviário, bons números para quem pretende utilizar o carro para trabalhar com aplicativos. O Tera TSI não vem equipado com rodas de liga leve, mas sim de aço, assim como Fusca e Gol. Neste caso, são de 16 polegadas, com pneus 205/60.
O SUV compacto mede 4,15 metros de comprimento, cabendo em todas as vagas de shopping sem dificuldade, 1,77 metro de largura, 1,47 metro de altura e 2,56 metros de entre-eixos, o que aperta um pouco as pernas de quem é mais alto. O porta-malas tem capacidade de 350 litros, dentro da média da categoria, mas distante do WR-V, que ultrapassa os 400 litros.
Quase uma ideologia
Com tudo isso posto, o Volkswagen Tera tem um “Q” das polêmicas da geração Z, algo não enfrentado por Fusca e Gol. Porém, diferentemente dos modelos clássicos da marca, o Tera parece iniciar um movimento de ame ou odeie, no melhor estilo das polêmicas vazias da internet, criando um “Terismo” a cada like ou compartilhamento nas redes sociais. Quem já comprou, mais de 50 mil unidades desde que começou a ser vendido em 2025, elogia o modelo, enquanto os haters abordam apenas os pontos negativos.
Nesse oito ou oitenta, o Tera é, sim, um substituto dos saudosos modelos da Volkswagen, mas se terá fôlego para passar por diversas gerações como os dois clássicos é outra história. Em relação aos pontos negativos, parece que a marca ainda vai demorar para melhorar a simplicidade de seus carros. Isso deve começar pelos elétricos Polo e T-Cross, que ainda vão chegar ao mercado europeu, o que levará tempo para desembarcar por aqui. Vale lembrar que a marca promete, para os próximos anos, híbridos leves, plenos e plug-in para o Brasil. O novo Taos chega ainda no primeiro semestre de 2026.
Certamente, os pontos positivos passam pelo fato de a marca estar bem estabelecida por aqui, seguindo aquela máxima do Fusca: “esse carro o dono arruma até nos rincões do Brasil”. A mecânica é conhecida e tem todos os “erros” já mapeados pelo mundo da mecânica. A conectividade coloca o Tera lado a lado com Kardian, Pulse e WR-V, além de torná-lo um bom rival dos chineses. Isso sem falar da segurança, que está na frente dos rivais. Enfim, a ver se o “Terismo” seguirá o mesmo sucesso do Fusca e do Gol; a princípio, sim.
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