Notícia 20 anos do Logan: o popular romeno que deu certo no Brasil

Outro dia, um funcionário do setor de manutenção de uma de uma concessionária (de uma marca apócrifa) disse a seguinte frase: “O carro vende bem se tiver preço, nem precisa ser bonito ou recheado”, enquanto assoprava o copinho de café. Se ele tivesse dito isso há 20 anos, certamente estaria se referindo ao Dacia Logan, que por aqui conhecemos como Renault Logan.

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O Logan foi desenvolvido pela marca romena do Grupo Renault. Era um carro pensado para o mercado do leste europeu, com economia mais frágil que os demais países banhados pelo Atlântico e Mediterrâneo.

A premissa da Dacia era construir um carro barato e inquebrável. Seu preço tinha sido fixado em 5 mil euros. Algo em torno de R$ 18 mil, naquela época.

Para ser barato, o Logan abriu mão de todo e qualquer refinamento. Era um carro com linhas retilíneas e estamparia simples. Nada de recortes sofisticados que demandariam que a chapa passasse por incontáveis prensas.

renault logan automatico 2012 prata em movimento

Reestilização chegou no Brasil por volta de 2010 (Foto: Renault | Divulgação)

Os faróis eram de parábola simples (mais baratos), para-choque e grade eram integrados em uma mesma peça plástica. Por dentro, a simplicidade também imperava. Os retrovisores externos não tinham nem mesmo ajuste interno manual. O ajuste era com o dedão empurrando os espelhos.

Os comandos dos vidros foram posicionados no painel (como era no Gol G3) para economizar fiação passando pelas portas. Cada centavo economizado contava.

dacia logan interior 2005

Conteúdos escassos e acabamento simples imperavam na primeira safra do Logan, para conquistar o consumidor pelo preço (Foto: Dacia | Divulgação)

Sob o capô, o Logan teve vários motores, partindo de uma unidade 1.2 de 75 cv, assim como um bloco 1.4 (também com 75 cv) e um “vigoroso” 1.6 de 85 cv. As entregas de torque variam de 11 a 13 kgfm de torque. Quem quisesse mais força teria que apostar em um motor 1.5 turbodiesel.

Ao final das contas, o Logan chegou ao mercado partindo de 5.900 euros. Um valor um pouco mais caro que a meta inicial. Mesmo assim era um carro barato e acessível na região.

Logan no Brasil​


O resultado foi além do esperado e o Grupo Renault expandiu a produção para vários mercados. Além da Roménia, o Logan foi montado na Rússia, Marrocos, Colômbia, Irã, Índia, África do Sul, e claro no Brasil. Estima-se que entre 2005 e 2010, 4 milhões de unidades do Logan foram produzidas.

f renault logan

Simples, mas espaçoso, o Logan criou a tendência dos compactos espaçosos que surgiria na década de 2010 (Foto Renault | Divulgação)

Por aqui, o modelo estreou em 2007. A filial brasileira da Renault percebeu que o Logan era o produto que ela precisava na região. Por aqui, ela fabricava o Clio e o Scenic. Mas carecia de um compacto de baixo custo.

Quando o Logan estreou por aqui, ele seguia a mesma filosofia. Um carro simples, com acabamento rudimentar e lista de conteúdos escassa. Mas caiu no gosto do comprador, pois tinha preço agressivo e um espaço interno que era ficção em sedãs como Fiat Siena, Chevrolet Corsa Sedan, Classic e Prisma, assim como no Ford Fiesta.

Sandero, Duster e segunda geração​


O modelo se encaixou tão bem que a engenharia brasileira desenvolveu o Sandero a partir dele, lançado também em 2007. A família se completou em 2011, com a chegada do Duster.

Com o passar dos anos, a Renault percebeu que poderia refinar o logan. Em 2010 ele passou por facelift, com direito a adornos cromados. Até mesmo uma versão que combinava motor 1.6 16V com caixa automática de quatro marchas foi disponibilizada por volta de 2012.

renault sandero

Sandero foi desenvolvido pela engenharia brasileira e incorporado em outros mercados (Foto: Renault | Divulgação)

Com o Logan, a Renault conseguiu apagar o estigma de que o carro francês era frágil. Com uma suspensão robusta, adequada para mercados em desenvolvimento, era um carro pensado para as buraqueiras brasileiras e demais países onde foi produzido.

A primeira geração do Logan ficou em linha até 2013, quando a Renault apresentou a segunda geração que está no mercado até hoje (lá fora está na terceira). Hoje, o Logan ainda figura como opção para quem busca um sedã de baixo custo. Vendido apenas com motor 1.0 de 82 cv, o Logan parte de R$ 96 mil. Mais barato que ele apenas as versões de entrada de Fiat Cronos (R$ 93 mil) e Hyundai HB20S (R$ 95 mil).

Logan voador​

Dacia Logan termina as 24 horas de Nurburgring

O Logan foi um dos 99 carros a terminar a corrida. (Foto: BRFoto)

O Logan é um carro tão pitoresco que em 2021, uma equipe de malucos preparou uma unidade de primeira geração para disputar as 24 Horas de Nurburgring. Equipado com motor 2.0 de 150 cv e conjunto de suspensão com ajuste semelhante ao do Sandero R.S. brasileiro, o Logan furioso não foi capaz de sobrepor aos poderosos Porsche 911, Audi R8, BMW M4 e demais GTs de alta performance. Mas completou a prova enquanto outros 22 bólidos ficaram pelo caminho.

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