Outro dia, um funcionário do setor de manutenção de uma de uma concessionária (de uma marca apócrifa) disse a seguinte frase: “O carro vende bem se tiver preço, nem precisa ser bonito ou recheado”, enquanto assoprava o copinho de café. Se ele tivesse dito isso há 20 anos, certamente estaria se referindo ao Dacia Logan, que por aqui conhecemos como Renault Logan.
VEJA TAMBÉM:
O Logan foi desenvolvido pela marca romena do Grupo Renault. Era um carro pensado para o mercado do leste europeu, com economia mais frágil que os demais países banhados pelo Atlântico e Mediterrâneo.
A premissa da Dacia era construir um carro barato e inquebrável. Seu preço tinha sido fixado em 5 mil euros. Algo em torno de R$ 18 mil, naquela época.
Para ser barato, o Logan abriu mão de todo e qualquer refinamento. Era um carro com linhas retilíneas e estamparia simples. Nada de recortes sofisticados que demandariam que a chapa passasse por incontáveis prensas.
Reestilização chegou no Brasil por volta de 2010 (Foto: Renault | Divulgação)
Os faróis eram de parábola simples (mais baratos), para-choque e grade eram integrados em uma mesma peça plástica. Por dentro, a simplicidade também imperava. Os retrovisores externos não tinham nem mesmo ajuste interno manual. O ajuste era com o dedão empurrando os espelhos.
Os comandos dos vidros foram posicionados no painel (como era no Gol G3) para economizar fiação passando pelas portas. Cada centavo economizado contava.
Conteúdos escassos e acabamento simples imperavam na primeira safra do Logan, para conquistar o consumidor pelo preço (Foto: Dacia | Divulgação)
Sob o capô, o Logan teve vários motores, partindo de uma unidade 1.2 de 75 cv, assim como um bloco 1.4 (também com 75 cv) e um “vigoroso” 1.6 de 85 cv. As entregas de torque variam de 11 a 13 kgfm de torque. Quem quisesse mais força teria que apostar em um motor 1.5 turbodiesel.
Ao final das contas, o Logan chegou ao mercado partindo de 5.900 euros. Um valor um pouco mais caro que a meta inicial. Mesmo assim era um carro barato e acessível na região.
O resultado foi além do esperado e o Grupo Renault expandiu a produção para vários mercados. Além da Roménia, o Logan foi montado na Rússia, Marrocos, Colômbia, Irã, Índia, África do Sul, e claro no Brasil. Estima-se que entre 2005 e 2010, 4 milhões de unidades do Logan foram produzidas.
Simples, mas espaçoso, o Logan criou a tendência dos compactos espaçosos que surgiria na década de 2010 (Foto Renault | Divulgação)
Por aqui, o modelo estreou em 2007. A filial brasileira da Renault percebeu que o Logan era o produto que ela precisava na região. Por aqui, ela fabricava o Clio e o Scenic. Mas carecia de um compacto de baixo custo.
Quando o Logan estreou por aqui, ele seguia a mesma filosofia. Um carro simples, com acabamento rudimentar e lista de conteúdos escassa. Mas caiu no gosto do comprador, pois tinha preço agressivo e um espaço interno que era ficção em sedãs como Fiat Siena, Chevrolet Corsa Sedan, Classic e Prisma, assim como no Ford Fiesta.
O modelo se encaixou tão bem que a engenharia brasileira desenvolveu o Sandero a partir dele, lançado também em 2007. A família se completou em 2011, com a chegada do Duster.
Com o passar dos anos, a Renault percebeu que poderia refinar o logan. Em 2010 ele passou por facelift, com direito a adornos cromados. Até mesmo uma versão que combinava motor 1.6 16V com caixa automática de quatro marchas foi disponibilizada por volta de 2012.
Sandero foi desenvolvido pela engenharia brasileira e incorporado em outros mercados (Foto: Renault | Divulgação)
Com o Logan, a Renault conseguiu apagar o estigma de que o carro francês era frágil. Com uma suspensão robusta, adequada para mercados em desenvolvimento, era um carro pensado para as buraqueiras brasileiras e demais países onde foi produzido.
A primeira geração do Logan ficou em linha até 2013, quando a Renault apresentou a segunda geração que está no mercado até hoje (lá fora está na terceira). Hoje, o Logan ainda figura como opção para quem busca um sedã de baixo custo. Vendido apenas com motor 1.0 de 82 cv, o Logan parte de R$ 96 mil. Mais barato que ele apenas as versões de entrada de Fiat Cronos (R$ 93 mil) e Hyundai HB20S (R$ 95 mil).
O Logan foi um dos 99 carros a terminar a corrida. (Foto: BRFoto)
O Logan é um carro tão pitoresco que em 2021, uma equipe de malucos preparou uma unidade de primeira geração para disputar as 24 Horas de Nurburgring. Equipado com motor 2.0 de 150 cv e conjunto de suspensão com ajuste semelhante ao do Sandero R.S. brasileiro, o Logan furioso não foi capaz de sobrepor aos poderosos Porsche 911, Audi R8, BMW M4 e demais GTs de alta performance. Mas completou a prova enquanto outros 22 bólidos ficaram pelo caminho.
Continue lendo...
VEJA TAMBÉM:
- [Avaliação] Renault Logan Iconic: contradições de um sedã
- Renault Logan Stepway será o primeiro sedã aventureiro do Brasil
- Logan termina à frente de Porsche nas 24h de Nurburgring
O Logan foi desenvolvido pela marca romena do Grupo Renault. Era um carro pensado para o mercado do leste europeu, com economia mais frágil que os demais países banhados pelo Atlântico e Mediterrâneo.
A premissa da Dacia era construir um carro barato e inquebrável. Seu preço tinha sido fixado em 5 mil euros. Algo em torno de R$ 18 mil, naquela época.
Para ser barato, o Logan abriu mão de todo e qualquer refinamento. Era um carro com linhas retilíneas e estamparia simples. Nada de recortes sofisticados que demandariam que a chapa passasse por incontáveis prensas.
Reestilização chegou no Brasil por volta de 2010 (Foto: Renault | Divulgação)
Os faróis eram de parábola simples (mais baratos), para-choque e grade eram integrados em uma mesma peça plástica. Por dentro, a simplicidade também imperava. Os retrovisores externos não tinham nem mesmo ajuste interno manual. O ajuste era com o dedão empurrando os espelhos.
Os comandos dos vidros foram posicionados no painel (como era no Gol G3) para economizar fiação passando pelas portas. Cada centavo economizado contava.
Conteúdos escassos e acabamento simples imperavam na primeira safra do Logan, para conquistar o consumidor pelo preço (Foto: Dacia | Divulgação)
Sob o capô, o Logan teve vários motores, partindo de uma unidade 1.2 de 75 cv, assim como um bloco 1.4 (também com 75 cv) e um “vigoroso” 1.6 de 85 cv. As entregas de torque variam de 11 a 13 kgfm de torque. Quem quisesse mais força teria que apostar em um motor 1.5 turbodiesel.
Ao final das contas, o Logan chegou ao mercado partindo de 5.900 euros. Um valor um pouco mais caro que a meta inicial. Mesmo assim era um carro barato e acessível na região.
Logan no Brasil
O resultado foi além do esperado e o Grupo Renault expandiu a produção para vários mercados. Além da Roménia, o Logan foi montado na Rússia, Marrocos, Colômbia, Irã, Índia, África do Sul, e claro no Brasil. Estima-se que entre 2005 e 2010, 4 milhões de unidades do Logan foram produzidas.
Simples, mas espaçoso, o Logan criou a tendência dos compactos espaçosos que surgiria na década de 2010 (Foto Renault | Divulgação)
Por aqui, o modelo estreou em 2007. A filial brasileira da Renault percebeu que o Logan era o produto que ela precisava na região. Por aqui, ela fabricava o Clio e o Scenic. Mas carecia de um compacto de baixo custo.
Quando o Logan estreou por aqui, ele seguia a mesma filosofia. Um carro simples, com acabamento rudimentar e lista de conteúdos escassa. Mas caiu no gosto do comprador, pois tinha preço agressivo e um espaço interno que era ficção em sedãs como Fiat Siena, Chevrolet Corsa Sedan, Classic e Prisma, assim como no Ford Fiesta.
Sandero, Duster e segunda geração
O modelo se encaixou tão bem que a engenharia brasileira desenvolveu o Sandero a partir dele, lançado também em 2007. A família se completou em 2011, com a chegada do Duster.
Com o passar dos anos, a Renault percebeu que poderia refinar o logan. Em 2010 ele passou por facelift, com direito a adornos cromados. Até mesmo uma versão que combinava motor 1.6 16V com caixa automática de quatro marchas foi disponibilizada por volta de 2012.
Sandero foi desenvolvido pela engenharia brasileira e incorporado em outros mercados (Foto: Renault | Divulgação)
Com o Logan, a Renault conseguiu apagar o estigma de que o carro francês era frágil. Com uma suspensão robusta, adequada para mercados em desenvolvimento, era um carro pensado para as buraqueiras brasileiras e demais países onde foi produzido.
A primeira geração do Logan ficou em linha até 2013, quando a Renault apresentou a segunda geração que está no mercado até hoje (lá fora está na terceira). Hoje, o Logan ainda figura como opção para quem busca um sedã de baixo custo. Vendido apenas com motor 1.0 de 82 cv, o Logan parte de R$ 96 mil. Mais barato que ele apenas as versões de entrada de Fiat Cronos (R$ 93 mil) e Hyundai HB20S (R$ 95 mil).
Logan voador
O Logan foi um dos 99 carros a terminar a corrida. (Foto: BRFoto)
O Logan é um carro tão pitoresco que em 2021, uma equipe de malucos preparou uma unidade de primeira geração para disputar as 24 Horas de Nurburgring. Equipado com motor 2.0 de 150 cv e conjunto de suspensão com ajuste semelhante ao do Sandero R.S. brasileiro, o Logan furioso não foi capaz de sobrepor aos poderosos Porsche 911, Audi R8, BMW M4 e demais GTs de alta performance. Mas completou a prova enquanto outros 22 bólidos ficaram pelo caminho.
Continue lendo...