Notícia 7 carros nacionais que foram verdadeiras gambiarras

A gambiarra é um patrimônio brasileiro, nossos “engenheiros” informais conseguem criar soluções para qualquer coisa com o mínimo de custos. E isso parece inspirar as montadoras, que muitas vezes criam carros supostamente novos usando o que tem na prateleira.

É claro que essas gambiarras automotivas feitas por montadoras são bem mais complexas que aquele reparo feito em um chuveiro. Mas geralmente elas existem para que a fábrica não precise trazer um modelo mais novo, que exige um investimento grande e pode não agradar ao gosto do brasileiro.

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1. Chevrolet Agile​

chevrolet agile 2009 verde frente parado campo de provas da cruz alta

O Agile foi uma gambiarra feita para cobrir buraco na linha da marca (Foto: Chevrolet | Divulgação)

A Chevrolet do Brasil sempre fez carros de passeios com projeto da alemã Opel, enquanto os utilitários são da matriz norte-americana. No final dos anos 2000, essa diretriz mudou para projetos locais usando plataformas globais desenvolvidas na Coreia do Sul.

O Agile nasceu por um atraso na nova linha de compactos, que viria a ser o Onix. Como a terceira geração do Corsa havia chegado em 2002 e a concorrência já trazia novidades, a Chevrolet criou um novo compacto usando a base do Celta e do Classic para não ficar defasada.

Esse compacto foi o Agile, que trazia uma carroceria e interior aparentemente inéditos sobre uma base antiga. A plataforma do Celta não trazia a suspensão dianteira montada em sub-chassi do Corsa C, por exemplo. Era uma gambiarra mais no sentido técnico, pois visualmente parecia um carro todo novo.

Uma ironia do destino foi o Agile adiantar vários detalhes que hoje são norma: desenho inspirado em SUVs e com uma dianteira volumosa, aplique na coluna C para dar aspecto de teto flutuante e existiu até uma edição com roteador de internet Wi-Fi.

2. Peugeot 207​

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No lugar de trazer o 207 europeu, a Peugeot decidiu mexer no 206 (Foto: Peugeot | Divulgação)

Apesar de todas as piadas, o Peugeot 206 foi um sucesso de vendas no Brasil, figurando sempre no top 10 de vendas. Ele se destacou muito pelo design bem trabalhado e por ser bom de dirigir. Mas por algum motivo, esse sucesso não justificou a vinda do 207 europeu para cá.

No lugar, a filial brasileira optou por fazer uma gambiarra sobre o 206: colocou uma dianteira mais volumosa e com faróis maiores, fez um painel inspirado no modelo europeu e na traseira… lanternas com novo desenho. Assim nasceu o 207 brasileiro.

Junto dessa reforma visual, que poderia ser um facelift, veio a carroceria sedã de proporções esquisitas projetado pela Peugeot iraniana. O 207 teve uma família bem completa, com hatch de duas ou quatro portas, sedã e perua, oferecendo até câmbio automático.

Mas isso não foi o suficiente para competir com modelos mais novos e modernos, como o Fiat Punto, ou com o espaçoso Renault Sandero. Assim como no Agile, existiu uma ironia na família do 207: a picape Hoggar, que fracassou nas vendas, foi o modelo de desenho mais harmônico da linha.

3. Ford Ka (2ª geração)​

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O Ka ganhou uma reforma de baixo custo usando componentes emprestados (Foto: Ford | Divulgação)

O Ford Ka nasceu como um subcompacto urbano estiloso e esportivo. Mas esse conceito não deu muito certo no Brasil, aqui esse tipo de carro precisa ser pau para toda obra. Sem contar que seu desenho não foi bem aceito por aqui.

Enquanto a Europa recebeu uma segunda geração do Ka baseada no Fiat 500, a Ford do Brasil optou por fazer uma gambiarra reaproveitando o que tinha na dispensa. E botar reaproveitar nisso: portas dianteiras e para-brisas eram da primeira geração, rodas de liga leve eram do Fiesta, moldura da placa vieram do Fiesta Sedan e a dianteira ganhou o sub-chassi do Fiesta Street.

O Ka continuou com duas portas, mas redesenharam a porção traseira para melhorar o espaço interno. O teto mais alto e um banco para três passageiros não foram suficiente em um mercado onde os carros de quatro portas já dominavam a preferência do público.

4. Fiat Mobi​

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O Mobi parece um carro novo, mas é um Uno cortado (Foto: Fiat | Divulgação)

A Fiat do Brasil é mestre em reaproveitar plataformas. A base do Palio, lançado em 1996, foi reaproveitada por uma infinidade de carros por aqui. E essa arquitetura nem era das mais novas, tinha muito em comum com a do Uno italiano de 1983 — que não é a mesma do nosso, pois aqui tinha um compartilhamento com o 147.

Esses rebentos do Palio geralmente eram variações de carroceria ou modelos novos que tentavam esconder melhor as origens, como foi o novo Uno de 2010. O Mobi veio para substituir o Mille e o Pelio Fire como carro de entrada e a marca apostou em fazer um subcompacto urbano.

Essa fórmula já existia aqui com o up!, que trazia um projeto inteligente de aproveitamento do interior em uma carroceria bastante compacta. Já a Fiat foi mais simples: pegou o Uno, cortou ao meio e fez um carro menor sobre essa base.

Isso fica ainda mais evidente nas mulas de testes, o portal Autos Segredos fez flagras na época de um Uno encurtado. Assim a Fiat conseguiu um carro de entrada, mas os consumidores tiveram que lidar com um interior apertado e um porta-malas praticamente inexistente. Pelo menos a manutenção é acessível, já que tem muito em comum com outros carros da marca.

5. Volkswagen Logus e Pointer​

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A Volkswagen usou a plataforma do Escort para fazer dois carros novos (Foto: Volkswagen | Divulgação)

A Auto Latina foi uma parceria entre a Ford e a Volkswagen que gerou muitos casos curiosos: Gol com motor CHT, Escort com motor AP e carros idênticos que só trocavam os emblemas. Perto do final dessa parceria a VW tentou fazer dois carros derivados do Escort, porém com personalidade própria.

Daí que nasceu a dupla Logus e Pointer, os “Escorts da Volks”. Os desenhos eram bem resolvidos, mas era curioso como o sedã tinha duas portas enquanto o hatch era quatro portas, quando o mais lógico seria o oposto. Existia uma concorrência interna com o Golf importado e a família Gol, para complicar a situação.

Como a Auto Latina estava no fim, essas gambiarras automotivas duraram pouco: o Pointer foi de 1994 a 1996 enquanto o Logus foi lançado em 1993 e saiu de linha em 1997. Em meio a isso, a Ford ficou desfalcada por não poder fazer um compacto derivado do Gol e ter que insistir no antigo Escort Hobby e no Fiesta importado da Espanha.

6. Ford Del Rey​

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A antiga base do Corcel foi usada para um carro de luxo (Foto: Ford | Divulgação)

Os Fords Galaxie, LTD e Landau eram um luxo só: a carroceria montada sobre chassi, o motor V8 e os bancos macios faziam ele flutuar sobre as estrada brasileiras. Mas a crise do petróleo e a alta nos preços da gasolina fizeram dele inviável.

A Ford do Brasil havia considerado em fazer um carro novo sobre a base do Maverick ou nacionalizar o Sierra, assim como fez na Argentina. A escolha final foi mais anticlimática: usaram a plataforma do Corcel, que data de 1968 para fazer um novo sedã topo de linha mais econômico.

Assim nasceu o Del Rey, um caixote sobre rodas com coração de carro popular e interior luxuoso. Essa gambiarra foi apelidada de Corsário, o “Corcel de Otário”. O interior realmente tinha um bom padrão de acabamento e o painel era completo, mas o conjunto da obra foi envelhecido de uma hora para a outra com a chegada do moderno Monza.

7. Chevrolet Opala​

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Existe muito saudosismo com o Opala, mas sua origem foi uma gambiarra (Foto: Chevrolet | Divulgação)

A história do Chevrolet Opala sempre foi muito romantizada, a ponto de criarem uma lenda sobre seu nome vir da junção de Opel com Impala. Na prática ele foi a união da carroceria do Rekord alemão com os motores de quatro e seis cilindros da Chevrolet norte-americana.

O problema nisso é que o Opel Rekord foi feito para motores menores e mais leves que o seis em linha estadunidense. Essa gambiarra resultou em uma distribuição de peso bastante desfavorável e complicações na hora da manutenção.

O motor utilizava parafusos e porcas no padrão imperial enquanto os da carroceria eram no sistema métrico. Obrigando os mecânicos a terem dois jogos diferentes de ferramentas para poder mexer no carro. Ou usavam a boa e velha gambiarra. Essa situação foi resolvida com a linha 1980, que unificou tudo no padrão métrico.

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