Imagem: Sustainability-Central South University
A China vai lançar em julho de 2026 o primeiro padrão técnico oficial para baterias de estado sólido voltadas a veículos elétricos. A informação foi confirmada pelo cientista-chefe do China Automotive Technology and Research Center (CATARC), órgão responsável por pesquisa e regulamentação automotiva no país.
O rascunho da norma GB/T “Solid-state batteries for electric vehicles – Part 1: Terminology and Classification” foi concluído em dezembro de 2025, com consulta pública encerrada em fevereiro de 2026. O CATARC também programou testes de verificação para ajustar métodos e critérios de avaliação. A expectativa é que o texto final seja aprovado em abril e oficialmente publicado em julho.
O que muda com esse padrão?
A norma vai estabelecer definições claras para:
- Baterias líquidas (íon-lítio convencionais)
- Baterias semissólidas (sólido-líquidas)
- Baterias totalmente de estado sólido
Outras etapas do padrão devem incluir exigências técnicas para eletrólitos sólidos e componentes internos, criando uma base regulatória para produção em larga escala.
Hoje, diversas montadoras chinesas já trabalham nessa tecnologia, que promete:
- Densidade energética acima de 300 Wh/kg
- Maior segurança contra incêndios
- Melhor desempenho em temperaturas extremas
A Dongfeng Motor Corporation, por exemplo, iniciou testes com uma bateria de 350 Wh/kg no sedã elétrico eπ 007, com promessa de mais de 1.000 km de autonomia no ciclo chinês e retenção de 72% da carga a -30 °C.
Além disso, fabricantes como BYD, Geely, Chery, GAC Group e FAW Group já anunciaram que iniciarão testes com baterias totalmente sólidas nos próximos anos.
Impacto no Brasil: o que pode acontecer?
A padronização é um passo decisivo para acelerar a produção em massa e isso pode ter reflexos diretos no mercado brasileiro.
Hoje, o Brasil já sente fortemente a presença de marcas chinesas, principalmente da BYD e da GWM. Se as baterias de estado sólido entrarem em produção a partir de 2027 ou 2028, é coreto pensar que:
Carros elétricos chineses cheguem com mais autonomia – Modelos com 800 a 1.000 km de alcance podem se tornar realidade, um argumento forte em um país com infraestrutura de recarga ainda em expansão.
Maior segurança pode impulsionar aceitação – O receio sobre incêndios em baterias pode diminuir para parte do público brasileiro. A maior resistência térmica das baterias sólidas pode ajudar a reduzir essa preocupação.
Pressão sobre montadoras tradicionais – Se as marcas chinesas avançarem primeiro, fabricantes instaladas no Brasil (europeias, japonesas e americanas) podem ser obrigadas a acelerar seus próprios projetos de eletrificação.
Possível impacto na produção nacional – Com a instalação de fábricas de veículos elétricos chineses no Brasil, como o projeto da BYD na Bahia, a adoção dessa tecnologia poderia, no médio prazo, chegar à produção local.
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