Para vender carro vale tudo. Muitas fabricantes adoram usar números como argumento irrefutáveis de venda… Mas até eles podem ser “distorcidos”
O modelo é anunciado como o mais vendido do mercado, forte argumento estatístico para convencer o freguês. Mas é apenas meia-verdade: o campeão de vendas engloba não apenas o número de unidades adquiridas pelo consumidor final, mas também as chamadas “vendas diretas”, centenas de milhares de carros vendidos para frotistas e locadoras.
Explico isso melhor no vídeo abaixo:
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“Aproveite a redução do imposto para levar seu zero km”. Muitas vezes não passa de conversa “pra boi dormir”: o governo o reduziu recentemente em 25%. Mas o preço do carro aumentou. Como assim? A explicação marota do fabricante: “Já estava previsto um aumento de 7% na tabela. Com a redução do imposto, nós aumentamos apenas 3%”…
Aferir consumo num motor a combustão não é tarefa simples. No Brasil, já existe uma padronização, implantada pelo Inmetro. Mas as coisas se complicam com a entrada de modelos híbridos e elétricos no mercado. Até porque existem dois padrões de medição. O mais usado hoje é o WLTP, mas o primeiro foi o NEDC, menos rigoroso.
Fundamental no caso de picapes, as fábricas costumam praticar verdadeiro malabarismo nas mensagens publicitárias. Caso famoso foi no lançamento da Ford Courier: a fábrica exibiu um vídeo com um caixotão (“700 kg” pintado em corpo garrafal) sendo colocado na caçamba. Sim, este era realmente o peso admitido pela Courier. Mas o total, incluindo motorista e passageiro…
Uma das caixas automáticas aplicadas atualmente é a CVT. Que significa “Transmissão Continuamente Variável” e que não tem marchas definidas, pois varia a relação continuamente, como diz o nome. Mas o motorista pode bloquear o sistema em alguns pontos, o que passou a ser chamado de “marcha virtual”. A fábrica pode decidir quantas: três, quatro, nove, dez, vinte, trinta…
Explico melhor sobre o CVT. Confira o vídeo:
De 3, 5 e até 6 anos. O que a fábrica não explica é que vários componentes não estão incluídos neste prazo. Em alguns outros, recorre-se ao nebuloso argumento do “mau uso” para se isentar de responsabilidade. E sobra sempre para o dono do carro. Que imaginava dormir tranquilo ao comprar um “zero km”.
Há uma regulamentação do Contran que limita o escurecimento dos filmes que se aplicam sobre os vidros. O que não fica bem explicado para o dono do carro é que, além do percentual gravado na película, deve-se somar o do próprio vidro. Se o filme tem 28% e o vidro sai de fábrica com 10%, passa a valer a soma: 38%. Se o policial estiver munido do aparelho de medição (“Luxímetro”), é possível configurar a infração e o motorista pode ser autuado.
Novo golpe na praça é anunciar a possibilidade de se obter um bom desconto na dívida por atraso nas prestações do financiamento. “50% de redução” é o que anuncia a quadrilha que entra em contato com o dono do carro sem que a instituição financeira credora saiba como os marginais obtiveram o valor, nome, endereço e telefone da vítima. Cobra uma taxa para reduzir a dívida e o dono do carro só percebe que caiu no “conto do vigário” quando o oficial de justiça bate á porta.
Algumas fábricas sequer enrubescem ao anunciar um modelo que jamais existirá: é o tal “básico dos básicos”, desprovido de qualquer equipamento ou acessório e oferecido por um valor bem atrativo. Mas uma versão que só existe na lista de preços, jamais será produzida, e apenas cumpre o papel de atrair o interessado à concessionária.
Volume de bagagem admitida no porta-malas é uma característica importante para o motorista que viaja com frequência e carrega uma razoável tralha. Mas há diversas formas de se medir (e anunciar) este volume. A mais mentirosa é a que se utiliza de saquinhos de água para avaliar quantos litros ele comporta. Só que estes saquinhos se acomodam em qualquer espaço que, a rigor, jamais terá utilidade para coisa alguma. Existe uma norma (VDA) para aferir este volume, preenchendo o porta-malas com blocos de um litro (1 dm³).
O post Automóvel: cuidado, até os números podem mentir apareceu primeiro em AutoPapo.
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Mais vendido
O modelo é anunciado como o mais vendido do mercado, forte argumento estatístico para convencer o freguês. Mas é apenas meia-verdade: o campeão de vendas engloba não apenas o número de unidades adquiridas pelo consumidor final, mas também as chamadas “vendas diretas”, centenas de milhares de carros vendidos para frotistas e locadoras.
Explico isso melhor no vídeo abaixo:
VEJA TAMBÉM:
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IPI reduzido
“Aproveite a redução do imposto para levar seu zero km”. Muitas vezes não passa de conversa “pra boi dormir”: o governo o reduziu recentemente em 25%. Mas o preço do carro aumentou. Como assim? A explicação marota do fabricante: “Já estava previsto um aumento de 7% na tabela. Com a redução do imposto, nós aumentamos apenas 3%”…
Consumo hibrido/elétrico
Aferir consumo num motor a combustão não é tarefa simples. No Brasil, já existe uma padronização, implantada pelo Inmetro. Mas as coisas se complicam com a entrada de modelos híbridos e elétricos no mercado. Até porque existem dois padrões de medição. O mais usado hoje é o WLTP, mas o primeiro foi o NEDC, menos rigoroso.
Peso admissível
Fundamental no caso de picapes, as fábricas costumam praticar verdadeiro malabarismo nas mensagens publicitárias. Caso famoso foi no lançamento da Ford Courier: a fábrica exibiu um vídeo com um caixotão (“700 kg” pintado em corpo garrafal) sendo colocado na caçamba. Sim, este era realmente o peso admitido pela Courier. Mas o total, incluindo motorista e passageiro…
Marchas ‘virtuais’
Uma das caixas automáticas aplicadas atualmente é a CVT. Que significa “Transmissão Continuamente Variável” e que não tem marchas definidas, pois varia a relação continuamente, como diz o nome. Mas o motorista pode bloquear o sistema em alguns pontos, o que passou a ser chamado de “marcha virtual”. A fábrica pode decidir quantas: três, quatro, nove, dez, vinte, trinta…
Explico melhor sobre o CVT. Confira o vídeo:
Garantia
De 3, 5 e até 6 anos. O que a fábrica não explica é que vários componentes não estão incluídos neste prazo. Em alguns outros, recorre-se ao nebuloso argumento do “mau uso” para se isentar de responsabilidade. E sobra sempre para o dono do carro. Que imaginava dormir tranquilo ao comprar um “zero km”.
Películas
Há uma regulamentação do Contran que limita o escurecimento dos filmes que se aplicam sobre os vidros. O que não fica bem explicado para o dono do carro é que, além do percentual gravado na película, deve-se somar o do próprio vidro. Se o filme tem 28% e o vidro sai de fábrica com 10%, passa a valer a soma: 38%. Se o policial estiver munido do aparelho de medição (“Luxímetro”), é possível configurar a infração e o motorista pode ser autuado.
Redução da dívida
Novo golpe na praça é anunciar a possibilidade de se obter um bom desconto na dívida por atraso nas prestações do financiamento. “50% de redução” é o que anuncia a quadrilha que entra em contato com o dono do carro sem que a instituição financeira credora saiba como os marginais obtiveram o valor, nome, endereço e telefone da vítima. Cobra uma taxa para reduzir a dívida e o dono do carro só percebe que caiu no “conto do vigário” quando o oficial de justiça bate á porta.
Carro de “entrada”
Algumas fábricas sequer enrubescem ao anunciar um modelo que jamais existirá: é o tal “básico dos básicos”, desprovido de qualquer equipamento ou acessório e oferecido por um valor bem atrativo. Mas uma versão que só existe na lista de preços, jamais será produzida, e apenas cumpre o papel de atrair o interessado à concessionária.
Porta-malas
Volume de bagagem admitida no porta-malas é uma característica importante para o motorista que viaja com frequência e carrega uma razoável tralha. Mas há diversas formas de se medir (e anunciar) este volume. A mais mentirosa é a que se utiliza de saquinhos de água para avaliar quantos litros ele comporta. Só que estes saquinhos se acomodam em qualquer espaço que, a rigor, jamais terá utilidade para coisa alguma. Existe uma norma (VDA) para aferir este volume, preenchendo o porta-malas com blocos de um litro (1 dm³).
O post Automóvel: cuidado, até os números podem mentir apareceu primeiro em AutoPapo.
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