Em nosso trabalho de avaliar carros aqui no AutoPapo, precisamos analisar o conjunto todo. Porém, muitas vezes, algum ponto se destaca mais que outros: o acerto de suspensão é muito bom, mas falta motor. O carro é confortável, mas não possui “mimos”. Um item que sempre damos atenção é o motor, pois ele é o “coração” do carro.
O propulsor precisa ser condizente com a proposta do veículo, não apenas nos números de potência e torque como também na forma que eles são entregues. Para um esportivo, não é problema precisar de altas rotações para encontrar a potência máxima; já um SUV familiar precisa ter um bom torque para tirar o peso maior da inércia.
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Mas os fabricantes não podem criar um motor específico para cada carro, e acabam usando o que tem disponível. Isso acaba criando algumas combinações exóticas, como foi o Renault Captur que foi lançado com um 1.6 subdimensionado para o seu peso e o antigo 2.0 com câmbio automático de quatro marchas que proporcionava desempenho similar ao 1.6.
Mas e quando o motor supera as capacidades do carro? Essa lista é sobre isso. Separamos alguns carro relativamente sem sal e com motores que seriam melhores aproveitados em outro modelo.
Motor forte e escapamento duplo fazem parecer que o HR-V Touring é esportivo, mas o acerto era confortável (Foto: Honda | Divulgação)
O Honda HR-V fez sucesso no Brasil por oferecer um bom espaço interno, as soluções modulares do Fit e a fama de confiável da marca. Mas a experiência de dirigir o SUV não é envolvente como a de um Civic, por exemplo. O HR-V prima pelo conforto.
Sua versão topo de linha, a Touring, recebeu o motor 1.5 turbo de 173 cv em 2019. Esse motor é o mesmo que era usado no Civic topo de linha que levava o mesmo sobrenome. O salto em desempenho foi enorme, deixando quase todos os concorrentes comendo poeira – exceto o Citroën C4 Cactus THP.
Mas o acerto do chassi continuou o mesmo, voltado para quem prioriza uma tocada mais tranquila. O preço também era salgado, já que o motor vinha importado. O modelo pareceu interessante para quem pretendia blindar o carro, já que com o motor mais forte o ganho de peso não afetaria o desempenho.
Seria o Linea T-Jet para o pai de família que queria um esportivo mas não pode deixar as responsabilidades de lado? (Foto: Fiat | Divulgação)
A estratégia da Fiat com o Linea na época do lançamento foi ousada: ela tentou colocar o sedã derivado do compacto Punto como um concorrente de médios. E para chamar atenção, colocou equipamentos inéditos no país como o navegador GPS integrado, um clube para os proprietários e o acabamento em bege no interior das versões de topo.
O motor 1.9 16v já entregava desempenho similar ao dos sedãs médios, mas a Fiat foi além e ofereceu o 1.4 turbo com câmbio manual. Esse conjunto chegou no sedã antes de equipar o Punto, e trazia junto um acerto mais firme de suspensão. Isso contrastava com o interior de acabamento claro e toda a proposta de conforto do carro.
Uma vantagem do Linea T-Jet hoje é ser mais fácil de encontrar um usado bem conservado. O Punto T-Jet com sua decoração esportiva, cores fortes e porte menor atrai quem quer gosta de preparação ou dirige de forma mais agressiva.
Dentre os SUV compactos atuais, o Renault Duster é o que mais se assemelha a um SUV tradicional – aquele com chassi separado da carroceria – e na posição de dirigir. Sentado ao volante do carro você realmente se sente em um utilitário. Mas a sua condução não traz nada de esportividade.
O motor 1.3 turbo TCE veio para suceder o antigo 2.0, e foi uma adoção bem vinda pois o 1.6 aspirado sentia o peso do veículo. Ao dirigir o Duster mais potente, a sensação é de que o motor “sobra”, pois o desempenho em acelerações e retomadas é muito bom.
Nos países vizinhos, o Duster é oferecido com esse motor turbo aliado a um câmbio manual de seis marchas e tração integral. Com isso a proposta do carro muda, já que o torque do motor aliado a tração integral fazem dele um SUV valente nas trilhas.
O Camry é um sofázão que acelera rápido, mas seu motor brilha mais nos carros da Lotus (Foto: Toyota | Divulgação)
Existe uma discreta categoria de sedãs grandes de marcas generalistas equipados com motor V6 que oferece uma alternativa menos chamativa aos modelos de marcas premium como Mercedes-Benz e BMW. Hoje a única oferta desse segmento específico é o Hyundai Azera, já que o Honda Accord vem apenas como híbrido.
Uma opção tradicional era o Toyota Camry, sedã que liderou o mercado de carros dos EUA por muitos anos. O fabricante japonês nunca escondeu que os seus sedãs são carros para quem quer conforto, trazendo direção leve e suspensão macia.
Desde a geração lançada em 2006 que o Camry usa o motor V6 2GR, um 3.5 que produzia 284 cv. Na última geração que veio para o Brasil, esse motor rendia 310 cv. Ele é usado até hoje pela Lotus: já equipou o Exige e o Evora, hoje está no Emira.
No Camry o desempenho é forte em linha reta, mas como o carro roda macio e isolado do mundo, a sensação de velocidade é pouco sentida. O Hyundai Azera compartilha dessa característica, mas o Camry chama mais atenção pelo desempenho superior.
O 2.0 com injeção direta rendia 176 cv, mas combina melhor com o Focus (Foto: Ford | Divulgação)
A evolução mais expressiva nos SUVs modernos foi no acerto de suspensão. Quem anda em um modelo atual nem imagina que o EcoSport trazia um aviso no quebra-sol sobre o risco de capotamento devido o centro de gravidade alto. Na segunda geração do modelo que inaugurou segmento de SUVs compactos no Brasil, a estabilidade melhorou, mas estava longe de ser referência.
A última atualização recebida pelo EcoSport foi trocar o motor 1.6 pelo 1.5 tricilindrico Dragon, enquanto o 2.0 Duratec com injeção multiponto foi trocado pela versão de injeção direta já usada pelo Focus. Além disso, o famigerado câmbio PowerShift de dupla embreagem deu lugar a uma tradicional caixa automática com conversor de torque.
O 1.5 Dragon já trazia um bom equilíbrio entre desempenho e consumo para o SUV. Já o 2.0 de 176 cv e 22,5 kgfm parecia um pouco demais para o carro. O conjunto era mais adequado para o Focus, mas o médio morreu sem oferecer o câmbio automático.
O post Conheça 5 carros sem graça, mas com bom motor apareceu primeiro em AutoPapo.
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O propulsor precisa ser condizente com a proposta do veículo, não apenas nos números de potência e torque como também na forma que eles são entregues. Para um esportivo, não é problema precisar de altas rotações para encontrar a potência máxima; já um SUV familiar precisa ter um bom torque para tirar o peso maior da inércia.
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Mas os fabricantes não podem criar um motor específico para cada carro, e acabam usando o que tem disponível. Isso acaba criando algumas combinações exóticas, como foi o Renault Captur que foi lançado com um 1.6 subdimensionado para o seu peso e o antigo 2.0 com câmbio automático de quatro marchas que proporcionava desempenho similar ao 1.6.
Mas e quando o motor supera as capacidades do carro? Essa lista é sobre isso. Separamos alguns carro relativamente sem sal e com motores que seriam melhores aproveitados em outro modelo.
1. Honda HR-V Touring 1.5 turbo
Motor forte e escapamento duplo fazem parecer que o HR-V Touring é esportivo, mas o acerto era confortável (Foto: Honda | Divulgação)
O Honda HR-V fez sucesso no Brasil por oferecer um bom espaço interno, as soluções modulares do Fit e a fama de confiável da marca. Mas a experiência de dirigir o SUV não é envolvente como a de um Civic, por exemplo. O HR-V prima pelo conforto.
Sua versão topo de linha, a Touring, recebeu o motor 1.5 turbo de 173 cv em 2019. Esse motor é o mesmo que era usado no Civic topo de linha que levava o mesmo sobrenome. O salto em desempenho foi enorme, deixando quase todos os concorrentes comendo poeira – exceto o Citroën C4 Cactus THP.
Mas o acerto do chassi continuou o mesmo, voltado para quem prioriza uma tocada mais tranquila. O preço também era salgado, já que o motor vinha importado. O modelo pareceu interessante para quem pretendia blindar o carro, já que com o motor mais forte o ganho de peso não afetaria o desempenho.
2. Fiat Linea T-Jet
Seria o Linea T-Jet para o pai de família que queria um esportivo mas não pode deixar as responsabilidades de lado? (Foto: Fiat | Divulgação)
A estratégia da Fiat com o Linea na época do lançamento foi ousada: ela tentou colocar o sedã derivado do compacto Punto como um concorrente de médios. E para chamar atenção, colocou equipamentos inéditos no país como o navegador GPS integrado, um clube para os proprietários e o acabamento em bege no interior das versões de topo.
O motor 1.9 16v já entregava desempenho similar ao dos sedãs médios, mas a Fiat foi além e ofereceu o 1.4 turbo com câmbio manual. Esse conjunto chegou no sedã antes de equipar o Punto, e trazia junto um acerto mais firme de suspensão. Isso contrastava com o interior de acabamento claro e toda a proposta de conforto do carro.
Uma vantagem do Linea T-Jet hoje é ser mais fácil de encontrar um usado bem conservado. O Punto T-Jet com sua decoração esportiva, cores fortes e porte menor atrai quem quer gosta de preparação ou dirige de forma mais agressiva.
3. Renault Duster TCE
Dentre os SUV compactos atuais, o Renault Duster é o que mais se assemelha a um SUV tradicional – aquele com chassi separado da carroceria – e na posição de dirigir. Sentado ao volante do carro você realmente se sente em um utilitário. Mas a sua condução não traz nada de esportividade.
O motor 1.3 turbo TCE veio para suceder o antigo 2.0, e foi uma adoção bem vinda pois o 1.6 aspirado sentia o peso do veículo. Ao dirigir o Duster mais potente, a sensação é de que o motor “sobra”, pois o desempenho em acelerações e retomadas é muito bom.
Nos países vizinhos, o Duster é oferecido com esse motor turbo aliado a um câmbio manual de seis marchas e tração integral. Com isso a proposta do carro muda, já que o torque do motor aliado a tração integral fazem dele um SUV valente nas trilhas.
4. Toyota Camry V6
O Camry é um sofázão que acelera rápido, mas seu motor brilha mais nos carros da Lotus (Foto: Toyota | Divulgação)
Existe uma discreta categoria de sedãs grandes de marcas generalistas equipados com motor V6 que oferece uma alternativa menos chamativa aos modelos de marcas premium como Mercedes-Benz e BMW. Hoje a única oferta desse segmento específico é o Hyundai Azera, já que o Honda Accord vem apenas como híbrido.
Uma opção tradicional era o Toyota Camry, sedã que liderou o mercado de carros dos EUA por muitos anos. O fabricante japonês nunca escondeu que os seus sedãs são carros para quem quer conforto, trazendo direção leve e suspensão macia.
Desde a geração lançada em 2006 que o Camry usa o motor V6 2GR, um 3.5 que produzia 284 cv. Na última geração que veio para o Brasil, esse motor rendia 310 cv. Ele é usado até hoje pela Lotus: já equipou o Exige e o Evora, hoje está no Emira.
No Camry o desempenho é forte em linha reta, mas como o carro roda macio e isolado do mundo, a sensação de velocidade é pouco sentida. O Hyundai Azera compartilha dessa característica, mas o Camry chama mais atenção pelo desempenho superior.
5. Ford EcoSport 2.0 com injeção direta
O 2.0 com injeção direta rendia 176 cv, mas combina melhor com o Focus (Foto: Ford | Divulgação)
A evolução mais expressiva nos SUVs modernos foi no acerto de suspensão. Quem anda em um modelo atual nem imagina que o EcoSport trazia um aviso no quebra-sol sobre o risco de capotamento devido o centro de gravidade alto. Na segunda geração do modelo que inaugurou segmento de SUVs compactos no Brasil, a estabilidade melhorou, mas estava longe de ser referência.
A última atualização recebida pelo EcoSport foi trocar o motor 1.6 pelo 1.5 tricilindrico Dragon, enquanto o 2.0 Duratec com injeção multiponto foi trocado pela versão de injeção direta já usada pelo Focus. Além disso, o famigerado câmbio PowerShift de dupla embreagem deu lugar a uma tradicional caixa automática com conversor de torque.
O 1.5 Dragon já trazia um bom equilíbrio entre desempenho e consumo para o SUV. Já o 2.0 de 176 cv e 22,5 kgfm parecia um pouco demais para o carro. O conjunto era mais adequado para o Focus, mas o médio morreu sem oferecer o câmbio automático.
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