Notícia Domando o nióbio: brasileiros da USP criam bateria revolucionária com metal nacional

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) alcançaram um marco inédito na ciência dos materiais ao desenvolver uma bateria capaz de utilizar o nióbio como elemento ativo principal no armazenamento de energia. A inovação supera a alta instabilidade química do metal, que até hoje impedia seu uso pleno em dispositivos de alta performance.

A tecnologia, que já teve patente depositada, cria um microambiente controlado que estabiliza o nióbio, permitindo que ele reaja eletroquimicamente de forma previsível e segura. Até então, o metal brasileiro era utilizado na indústria apenas como um coadjuvante — um aditivo em pequenas quantidades para melhorar baterias de lítio.

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A “conquista” do Nióbio


O grande obstáculo superado pelo grupo do Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) foi a reatividade do material. Em condições normais, o nióbio tende a sofrer reações de oxidação descontroladas que bloqueiam a transferência de elétrons, inviabilizando a carga. Para contornar isso, a equipe coordenada pelo professor Frank Crespilho desenvolveu uma solução inspirada em sistemas biológicos, como as proteínas.

A arquitetura da nova bateria utiliza duas camadas moleculares complementares. A primeira, batizada de NB-RAM, atua como uma “gaiola química” ao redor do átomo central, estabilizando-o. A segunda, chamada N-MER, funciona como reguladora, organizando o fluxo de elétrons durante os processos de carga e descarga. Essa engenharia molecular permitiu aos protótipos atingir tensões de cerca de 3 volts e operar por centenas de ciclos com alta reversibilidade.

Independência estratégica


O avanço é estratégico para o Brasil, detentor das maiores reservas mundiais do minério. Segundo os pesquisadores Luana Italiano, Graziela Sedenho e Rafael Colombo, que participaram do estudo, a inovação abre caminho para baterias com maior densidade energética e carregamento ultrarrápido, diminuindo a dependência global de metais críticos e caros, como lítio, cobalto e níquel.

Com a tecnologia validada em laboratório e patenteada no Brasil, o próximo passo envolve a proteção intelectual internacional e a busca por parceiros para o escalonamento industrial, visando aplicações que vão de eletrônicos portáteis a veículos elétricos híbridos.

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