Notícia Emerson Fittipaldi: Meu último ano na McLaren (parte 2)

Depois da primeira colocação no GP de Buenos Aires e da segunda no de São Paulo, dos quais falei na coluna passada (leia aqui), o campeonato de 1975 começou a desandar, com problemas no antes confiável M23. No GP da África do Sul, ele parou com um plugue rachado quando eu disputava o terceiro lugar com a Tyrrell de Patrick Depailler.

Na corrida seguinte, da Espanha, me recusei a correr por motivos de segurança, como já expliquei aqui. Depois veio Mônaco, no qual terminei em segundo lugar – mas, depois disso, a corrida da Bélgica foi pior: me classifiquei em oitavo e terminei em sétimo, perdendo a liderança do campeonato pela primeira vez na temporada para Niki Lauda, da Ferrari.

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Lauda não saiu mais da liderança do campeonato, tornando-se campeão pela Scuderia com cinco vitórias. Eu ganhei dois dos GPs – um deles o de Silvertone, ao qual já dediquei uma coluna anterior (leia aqui) – e terminei o ano em segundo lugar, atrás de Lauda. Se não tivesse deixado de marcar pontos na África do Sul, Espanha, Bélgica, Suécia, Holanda, Alemanha e Áustria, as coisas teriam sido bem diferentes.

“Eu podia ter vencido naquele dia, se não
tivesse sido frustrado pelo companheiro de Niki na Ferrari, Clay Regazzoni.”​


Nos dois últimos GPs de 1975, Monza e Watkins Glen, minha McLaren M23 voltou a ser rápida e confiável, e fui o segundo colocado em ambos. Neste último, fui derrotado por Lauda, chegando ao final da prova pouco mais de quatro segundos atrás dele – e mais de 40 segundos à frente do terceiro colocado, meu companheiro de equipe Jochen Mass.

Devo dizer que eu poderia – e deveria – ter vencido naquele dia, se não tivesse sido frustrado por meu velho bête noire, o companheiro de equipe de Lauda na Ferrari, Clay Regazzoni. Lauda e eu largamos nas primeiras posições. Volta após volta, segui colado nele, planejando uma ultrapassagem. Mas meus planos foram frustrados quando encontramos Clay como retardatário – ele havia se classificado em 11º, e estava fazendo uma corrida bastante ruim.

Clay deixou Lauda ultrapassá-lo imediatamente, mas ficou me segurando, ignorando as bandeiras azuis dos comissários – apesar de estar uma volta atrás de mim. Tentei várias vezes ultrapassar, mas ele continuava me fechando. Era perigoso – e irritante – e acenei para ele várias vezes. Ainda assim, continuou me bloqueando: uma atitude vergonhosa da parte dele, para ser sincero.

No fim, Clay recebeu a bandeira preta (de desclassificação), mas Lauda já abrira uma boa vantagem. Eu estava com raiva, e fiz o melhor que pude para tirar a diferença, inclusive marcando a volta mais rápida da prova. Mas o comportamento antiesportivo de Clay acabou com minhas chances, e tive que me contentar com o segundo lugar.

Fiquei furioso – na verdade, sabia que Clay estava desesperado para se vingar por tê-lo vencido no Campeonato Mundial de Pilotos, também em Watkins Glen, no ano anterior. Depois disso, deixei a McLaren, em 1976, juntando-me à equipe Copersucar-Fittipaldi (leia mais aqui) do meu irmão Wilson, na qual pilotei na Fórmula 1 até 1980.

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