É comum que os lançamentos de carros no Brasil ocorram pouco depois que nos chamados mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa: em geral, essa defasagem é de pelo menos um ou dois anos. Entre outros fatores, isso ocorre porque os veículos precisam passar por um processo de “tropicalização”, que visa adaptar o projeto às condições de rodagem locais. Essas modificações quase sempre envolvem os sistemas de suspensão e de arrefecimento, por exemplo. Porém, às vezes os novos produtos acabam chegando tarde demais.
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O projeto de um veículo pode atrasar por diferentes motivos, como problemas inesperados de engenharia, falta de capacidade industrial ou simplesmente demora na tomada de uma decisão comercial. O caso é que essa morosidade pode ser fatal para determinados produtos, que acabam chegando já defasados, ou então após a renovação dos concorrentes.
O AutoPapo enumerou 5 carros cujos lançamentos ocorreram tarde demais no Brasil. Nenhum deles fez grande sucesso: talvez a história tivesse sido diferente se eles tivessem chegado ao mercado mais cedo. Seja lá como for, confira o listão!
Oroch permaneceu muito pouco tempo sem concorrência direta
Até que a Renault não demorou muito para trazer o Duster ao Brasil: o lançamento global data de novembro de 2009, enquanto a estreia no mercado local ocorreu em outubro de 2011. Só que o fabricante tardou para desenvolver a configuração picape, que só veio quase 4 anos depois do SUV, em setembro de 2015. É verdade que, ainda assim, a Oroch foi a pioneira do segmento das ditas “caminhonetes intermediárias”, entre as compactas e as grandes.
O problema é que a Renault não tinha tradição com esse tipo de veículo e, para piorar, a Fiat lançou a Toro, concorrente direta, apenas 5 meses depois, em fevereiro de 2016. O resultado é que o modelo da marca italiana logo dominou a categoria, enquanto a picape da fabricante francesa nunca despontou em vendas. Se tivesse chegado pelo menos 1 ano antes, a caminhonete da Renault poderia ter se consolidado no mercado antes da estreia da rival.
Já dirigimos a Renault Oroch 2023: assista ao vídeo!
História do Kia Rio no Brasil é digna de roteiro de novela
O Rio tem presença obrigatória em listas de carros cujos lançamentos atrasaram demais. A Kia passou anos prometendo trazer o hatch: chegou o confirmar a importação em 2016, no Salão do Automóvel de São Paulo. Não por coincidência, foi justamente naquele ano que o modelo começou a ser produzido no México, de onde poderia entrar no Brasil com isenção fiscal. Só que o tempo foi passando e… nada!
O desembarque do Rio acabou acontecendo somente em 2020, em um momento mais que desfavorável. É que, naquele ano, o mercado brasileiro já sofria com a desvalorização do Real e com a retração do segmento de hatches compactos. Não deu outra: as vendas ficaram abaixo das expectativas, e a Kia deixou de importar o modelo já em 2021. No total, apenas 540 unidades foram emplacadas no país.
Primeiro Vectra teve vendas tímidas
Antes que os fãs do Vectra venham atirar pedras na reportagem, cabe deixar bem claro: a menção aqui é somente para a primeira geração, conhecida globalmente como “A”. As duas safras seguintes venderam muito bem e permaneceram à venda por bastante tempo. Porém, esse não foi o caso modelo primogênito, que durou menos de 3 anos no mercado brasileiro. E isso se deve à demora da Chevrolet em nacionalizá-lo.
A estreia ocorreu em setembro de 1993, nada menos que 5 anos depois do lançamento na Europa, que data de outubro de 1988. Para completar, o sedan ainda sofreu com a concorrência interna do antecessor Monza, que tinha preços mais baixos e ainda vendia muito bem, e também com a avalanche de modelos importados que atingiu o país naquele ano. Na prática, o Vectra A foi sucesso de crítica, mas não de público. Pelo menos a Chevrolet não repetiu o erro com a segunda geração, que chegou apenas 7 meses após a apresentação global.
Brava acabou ofuscado por concorrentes mais jovens
A história da Fiat no Brasil inclui lançamentos de carros que criaram categorias e estrearam novas tecnologias. Contudo, a empresa tardou demais a trazer o Brava ao país: o modelo só chegou em setembro de 1999, com uma defasagem de quase 4 anos em relação ao similar europeu, que já havia vindo ao mundo em dezembro de 1995. Para piorar, àquela altura, o fabricante estava fora do segmento de hatches médios há mais de dois anos, desde a extinção do Tipo.
No fim das contas, o Brava nacional enfrentou uma situação mercadológica radicalmente oposta à ocorrida no velho continente: por lá, ele chegou antes da concorrência e somou bons números de vendas; entretanto, por aqui, acabou desembarcando depois que a Volkswagen e a Chevrolet já haviam renovado o Golf e o Astra, respectivamente. Coincidência ou não, os dois rivais dominaram o segmento por mais de uma década, enquanto o hatch médio da Fiat saiu de cena já em 2003.
Ford demorou 6 anos para lançar o sedan baseado no Escort
O caso do Verona é, de certo modo, parecido com o da Oroch: ambos derivam de carros que já existiam no mercado, mas os respectivos lançamentos só ocorreram muitos anos depois. O modelo da Ford, em particular, chegou ao mercado em novembro 1989, enquanto o Escort, que serviu de base para o projeto, já circulava pelas ruas do país desde julho 1983. Assim, houve uma longa lacuna de 6 anos entre os dois produtos da linha.
Uma das principais causas para tamanha demora foi, possivelmente, a criação da AutoLatina em 1987. Mas, conforme revelou a AutoEsporte, o desenvolvimento ainda sofreu atrasos devido a problemas estruturais na carroceria, que era exclusiva para o Brasil. O golpe de misericórdia foi a abertura do mercado às importações, que forçou a Ford a lançar a nova gama Escort em 1993. Por sua vez, o Ford Verona de primeira geração saiu de cena precocemente em 1992 junto com o Apollo, um clone da Volkswagen.
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O projeto de um veículo pode atrasar por diferentes motivos, como problemas inesperados de engenharia, falta de capacidade industrial ou simplesmente demora na tomada de uma decisão comercial. O caso é que essa morosidade pode ser fatal para determinados produtos, que acabam chegando já defasados, ou então após a renovação dos concorrentes.
5 carros cujos lançamentos demoraram demais
O AutoPapo enumerou 5 carros cujos lançamentos ocorreram tarde demais no Brasil. Nenhum deles fez grande sucesso: talvez a história tivesse sido diferente se eles tivessem chegado ao mercado mais cedo. Seja lá como for, confira o listão!
1. Renault Oroch
Oroch permaneceu muito pouco tempo sem concorrência direta
Até que a Renault não demorou muito para trazer o Duster ao Brasil: o lançamento global data de novembro de 2009, enquanto a estreia no mercado local ocorreu em outubro de 2011. Só que o fabricante tardou para desenvolver a configuração picape, que só veio quase 4 anos depois do SUV, em setembro de 2015. É verdade que, ainda assim, a Oroch foi a pioneira do segmento das ditas “caminhonetes intermediárias”, entre as compactas e as grandes.
O problema é que a Renault não tinha tradição com esse tipo de veículo e, para piorar, a Fiat lançou a Toro, concorrente direta, apenas 5 meses depois, em fevereiro de 2016. O resultado é que o modelo da marca italiana logo dominou a categoria, enquanto a picape da fabricante francesa nunca despontou em vendas. Se tivesse chegado pelo menos 1 ano antes, a caminhonete da Renault poderia ter se consolidado no mercado antes da estreia da rival.
Já dirigimos a Renault Oroch 2023: assista ao vídeo!
2. Kia Rio
História do Kia Rio no Brasil é digna de roteiro de novela
O Rio tem presença obrigatória em listas de carros cujos lançamentos atrasaram demais. A Kia passou anos prometendo trazer o hatch: chegou o confirmar a importação em 2016, no Salão do Automóvel de São Paulo. Não por coincidência, foi justamente naquele ano que o modelo começou a ser produzido no México, de onde poderia entrar no Brasil com isenção fiscal. Só que o tempo foi passando e… nada!
O desembarque do Rio acabou acontecendo somente em 2020, em um momento mais que desfavorável. É que, naquele ano, o mercado brasileiro já sofria com a desvalorização do Real e com a retração do segmento de hatches compactos. Não deu outra: as vendas ficaram abaixo das expectativas, e a Kia deixou de importar o modelo já em 2021. No total, apenas 540 unidades foram emplacadas no país.
3. Chevrolet Vectra (primeira geração)
Primeiro Vectra teve vendas tímidas
Antes que os fãs do Vectra venham atirar pedras na reportagem, cabe deixar bem claro: a menção aqui é somente para a primeira geração, conhecida globalmente como “A”. As duas safras seguintes venderam muito bem e permaneceram à venda por bastante tempo. Porém, esse não foi o caso modelo primogênito, que durou menos de 3 anos no mercado brasileiro. E isso se deve à demora da Chevrolet em nacionalizá-lo.
A estreia ocorreu em setembro de 1993, nada menos que 5 anos depois do lançamento na Europa, que data de outubro de 1988. Para completar, o sedan ainda sofreu com a concorrência interna do antecessor Monza, que tinha preços mais baixos e ainda vendia muito bem, e também com a avalanche de modelos importados que atingiu o país naquele ano. Na prática, o Vectra A foi sucesso de crítica, mas não de público. Pelo menos a Chevrolet não repetiu o erro com a segunda geração, que chegou apenas 7 meses após a apresentação global.
4. Fiat Brava
Brava acabou ofuscado por concorrentes mais jovens
A história da Fiat no Brasil inclui lançamentos de carros que criaram categorias e estrearam novas tecnologias. Contudo, a empresa tardou demais a trazer o Brava ao país: o modelo só chegou em setembro de 1999, com uma defasagem de quase 4 anos em relação ao similar europeu, que já havia vindo ao mundo em dezembro de 1995. Para piorar, àquela altura, o fabricante estava fora do segmento de hatches médios há mais de dois anos, desde a extinção do Tipo.
No fim das contas, o Brava nacional enfrentou uma situação mercadológica radicalmente oposta à ocorrida no velho continente: por lá, ele chegou antes da concorrência e somou bons números de vendas; entretanto, por aqui, acabou desembarcando depois que a Volkswagen e a Chevrolet já haviam renovado o Golf e o Astra, respectivamente. Coincidência ou não, os dois rivais dominaram o segmento por mais de uma década, enquanto o hatch médio da Fiat saiu de cena já em 2003.
5. Ford Verona
Ford demorou 6 anos para lançar o sedan baseado no Escort
O caso do Verona é, de certo modo, parecido com o da Oroch: ambos derivam de carros que já existiam no mercado, mas os respectivos lançamentos só ocorreram muitos anos depois. O modelo da Ford, em particular, chegou ao mercado em novembro 1989, enquanto o Escort, que serviu de base para o projeto, já circulava pelas ruas do país desde julho 1983. Assim, houve uma longa lacuna de 6 anos entre os dois produtos da linha.
Uma das principais causas para tamanha demora foi, possivelmente, a criação da AutoLatina em 1987. Mas, conforme revelou a AutoEsporte, o desenvolvimento ainda sofreu atrasos devido a problemas estruturais na carroceria, que era exclusiva para o Brasil. O golpe de misericórdia foi a abertura do mercado às importações, que forçou a Ford a lançar a nova gama Escort em 1993. Por sua vez, o Ford Verona de primeira geração saiu de cena precocemente em 1992 junto com o Apollo, um clone da Volkswagen.
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