Um estudo qualitativo publicado na revista científica Transportation Research Interdisciplinary Perspectives revelou um dado preocupante sobre a segurança viária: o valor das gorjetas pagas antecipadamente influencia de forma direta a velocidade com que entregadores de aplicativos conduzem seus veículos.
Segundo o levantamento, a decisão de infringir os limites de velocidade está atrelada ao retorno financeiro imediato, em um fenômeno que os pesquisadores classificaram como “lance de velocidade”. Na prática, motoristas relatam sentir uma obrigação moral de retribuir a generosidade financeira do cliente com entregas mais rápidas. Em contrapartida, pedidos sem gorjeta extra frequentemente resultam em uma condução propositalmente lenta.
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A arquitetura gamificada dos aplicativos também é apontada como um fator de risco. O receio de sofrer punições por não cumprir as metas de tempo impostas pelos algoritmos força os condutores a acelerarem. O estudo notou uma diferença comportamental clara: enquanto entregadores novatos se arriscam mais no trânsito para bater os prazos das plataformas, os mais experientes admitem usar brechas no sistema para “ganhar tempo” de forma artificial, como informar ao aplicativo que o restaurante ainda está preparando o pedido.
A pesquisa ressalta que a conveniência do consumidor e a eficiência das empresas estão sendo priorizadas em detrimento da segurança pública. Em resposta a esse cenário, legisladores já começam a debater medidas de contenção. Em Nova York (EUA), um projeto de lei propõe obrigar os aplicativos a calcularem as estimativas de entrega baseando-se estritamente nos limites legais de velocidade das vias.
O objetivo de regulamentações como essa é transferir a responsabilidade pelas margens de tempo das costas do trabalhador para as plataformas de tecnologia, evitando que a pressão dos algoritmos e o sistema de gorjetas continuem incentivando práticas perigosas no trânsito.
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Segundo o levantamento, a decisão de infringir os limites de velocidade está atrelada ao retorno financeiro imediato, em um fenômeno que os pesquisadores classificaram como “lance de velocidade”. Na prática, motoristas relatam sentir uma obrigação moral de retribuir a generosidade financeira do cliente com entregas mais rápidas. Em contrapartida, pedidos sem gorjeta extra frequentemente resultam em uma condução propositalmente lenta.
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Pressão algorítmica e táticas de sobrevivência
A arquitetura gamificada dos aplicativos também é apontada como um fator de risco. O receio de sofrer punições por não cumprir as metas de tempo impostas pelos algoritmos força os condutores a acelerarem. O estudo notou uma diferença comportamental clara: enquanto entregadores novatos se arriscam mais no trânsito para bater os prazos das plataformas, os mais experientes admitem usar brechas no sistema para “ganhar tempo” de forma artificial, como informar ao aplicativo que o restaurante ainda está preparando o pedido.
A pesquisa ressalta que a conveniência do consumidor e a eficiência das empresas estão sendo priorizadas em detrimento da segurança pública. Em resposta a esse cenário, legisladores já começam a debater medidas de contenção. Em Nova York (EUA), um projeto de lei propõe obrigar os aplicativos a calcularem as estimativas de entrega baseando-se estritamente nos limites legais de velocidade das vias.
O objetivo de regulamentações como essa é transferir a responsabilidade pelas margens de tempo das costas do trabalhador para as plataformas de tecnologia, evitando que a pressão dos algoritmos e o sistema de gorjetas continuem incentivando práticas perigosas no trânsito.
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