Notícia Exeed: marca chinesa de carros premium vai repetir erro da Chery?

A Chery, uma das maiores fábricas de automóveis na China, cometeu diversos erros simultâneos ao estabelecer fábrica no Brasil. Começou errando ao selecionar sua linha de modelos a serem produzidos, pois imaginou que o brasileiro correria atrás de sedãs e hatches baratos.

Em segundo lugar, foi rigorosamente inábil ao decidir a localização da fábrica: na pior região possível, em Jacareí, no estado de São Paulo, pois seus funcionários eram filiados ao sindicato de São José dos Campos, talvez o mais complicado para qualquer tipo de negociação do país. A GM que o diga…

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Além disso, iniciou a produção sem uma bem estabelecida rede de concessionários e volume adequado de peças de reposição.

Caoa salvou a Chery​


Quem a salvou do fracasso foi a Caoa, que se associou aos chineses, assumiu suas operações e colocou a marca no invejável patamar que hoje se encontra, entre as dez maiores do país. Mudou radicalmente a gama de produtos e investiu na preferência nacional, os SUVs e um ou outro sedã médio. E fechou há meses a fábrica de Jacareí, sem – obviamente – nenhuma perspectiva de reativá-la.


O “Dr. Caoa” (Carlos Alberto Oliveira Andrade, fundador da empresa) tinha uma razoável rede de revendas, extraordinário poder de marketing e conhecia como poucos o mercado brasileiro. Ele mesmo chegou a anunciar, em 2020, a vinda da marca premium da Chery, a Exeed, para nosso mercado, mas o processo foi interrompido pela pandemia.

Agora, uma misteriosa novidade: a Exeed – por meio de uma desconhecida gerente de imprensa na China – convida jornalistas para uma apresentação da marca on-line. A Caoa, consultada a respeito, diz não ter participado nem ter sido informada de qualquer movimentação em relação ao mercado brasileiro. Alguns carros da marca já foram vistos rodando em São Paulo. E, pelas redes sociais, a Exeed anuncia a chegada de alguns modelos. A tal entrevista coletiva online foi cancelada por “problemas técnicos”.

Chery vai repetir erro com a Exeed?​


Será que a Chery pretende repetir com a Exeed a mesma aventura desastrosa de se lançar no mercado brasileiro desprezando o potencial da Caoa?

Talvez ela esteja mirando no exemplo de outras duas chinesas se instalando aqui: a Great Wall Motors (GWM) que comprou a fábrica de automóveis da Mercedes-Benz em Iracemápolis e a BYD que já opera no Brasil há cerca de cinco anos com plataformas de veículos pesados elétricos, baterias e células fotovoltaicas.

A Chery teria vários problemas pela frente: ela não é, como a GWM e BYD, especializada em veículos elétricos. Sua linha premium segue o mesmo conceito da Lexus, divisão de luxo da Toyota, ou a Infinity da Nissan, ou Acura, que é Honda. Ou seja, o Exeed seria um carro sofisticado, porém dividindo plataforma mecânica (e barateando custo) com a Chery.

exeed txl azul no asfalto

SUV da Exeed, como o TXL, compartilha mecânica com os da Chery

Desprezar a parceria com a Caoa exigiria a montagem de um rede independente de concessionárias, estoque de peças de reposição (que a Caoa já tem, em grande parte), formação de mecânicos e outros investimentos de difícil retorno para o baixo volume de unidades importadas. Além disso, existe um contrato entre Caoa e Chery que poderia dificultar ainda mais a solitária aventura da Exeed no Brasil.

Aguardemos os próximos capítulos desta misteriosa novela…

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