É impossível pensar o atual mercado de automóveis no Brasil sem o SUVs, principalmente os compactos. Em 2024 esse tipo de carroceria foi responsável por 48,22% dos carros novos emplacados no país, com um total de 939.279 unidades.
Foi há exatos 10 anos que começou o movimento que popularizou os SUVs da forma que conhecemos hoje. Três lançamentos realizados no primeiro trimestre de 2015 subiram o patamar dos modelos compactos nacionais, colocando mais equipamentos e tornando-os mais desejáveis que os hatches, sedãs e minivans.
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Antes de 2015 o segmento dos SUVs compactos era composto por dois carros nacionais: o pioneiro Ford EcoSport e o Renault Duster. Ambos tinham projeto mais simples e ainda traziam proposta aventureira, com opção de tração integral. Por dentro eram bem similares aos hatches populares que serviam de base.
Existiam alguns modelos de menor volume, como o defasado Hyundai Tucson, o Chevrolet Tracker importado e o Mitsubishi ASX. Em 2014 o ano fechou com os SUVs sendo responsáveis por apenas 10,76% do mercado de carros novos. Em 2015 o segmento esse segmento cresceu para 14,8% e superou os sedãs médios.
Quer saber quais foram os carros que moldaram o segmento dos SUVs no Brasil? Vamos contar a seguir.
O HR-V usa a plataforma do Fit, compartilhando também o bom aproveitamento do interior (Foto: Honda | Divulgação)
O motor 1.8 de 140 cv veio do Civic, mas o câmbio aqui era o CVT (Foto: Honda | Divulgação)
A maçaneta traseira embutida dava ares de cupê (Foto: Honda | Divulgação)
O interior era caprichado e vinha com boa oferta de equipamentos, incluindo o freio de estacionamento por botão (Foto: Honda | Divulgação)
O console em dois andares é moda hoje (Foto: Honda | Divulgação)
Desde o final de 2014 que haviam expectativas sobre os novos SUVs compactos nacionais. Quem saiu na frente foi a Honda com o HR-V, modelo feito sobre a plataforma do Fit de terceira geração.
Diferente do Ford EcoSport e do Renault Duster, o Honda HR-V assumia sem medo que os SUVs compactos eram carros usados apenas no asfalto. O modelo japonês não contava com opção de tração integral, pneus de uso misto ou decoração evocando jipes.
A Honda usou um desenho mais esportivo na carroceria, com vincos fortes e rodas grandes que se destacavam. As maçanetas traseiras embutidas na coluna até davam uma aparência de cupê.
Na cabine era usada uma decoração sofisticada e o acabamento era esmerado. O HR-V trazia equipamentos raros nos carros nacionais, como a central multimídia, o freio de estacionamento eletrônico com auto-hold e câmera de ré. O espaço interno era amplo graças a plataforma do Fit, que também permitiu ter o banco traseiro modular Magic Seat.
Sob o capô estava o 1.8 flex do Civic, com 140 cv. Diferente do médio, aqui o motor era ligado a uma caixa CVT. A força adicional ajudava a justificar o preço maior que o do Fit e do City.
O Honda HR-V não foi apenas o primeiro dessa nova leva de SUVs compactos como também foi o mais vendido no ano. Ele fechou 2015 com 51.155 unidades. Nos anos seguintes ele também foi líder e mantém até hoje uma média anual de 50 mil carros emplacados, só vendeu menos durante a pandemia de Covid-19.
O 2008 tinha tudo para dar certo, mas a marca errou na escolha dos câmbios (Foto: Peugeot | Divulgação)
O confiável 1.6 16v aspirado usava a problemática caixa automática de quatro marchas (Foto: Peugeot | Divulgação)
Já o topo de linha 1.6 THP era apenas com câmbio manual, algo que não agradou aos compradores de SUV (Foto: Peugeot | Divulgação)
Itens como o ar-condicionado de duas zonas e o teto solar panorâmico são raros até em SUVs atuais (Foto: Peugeot | Divulgação)
O Peugeot 2008 foi lançado no início de abril e tinha tudo para alavancar as vendas da marca francesa no Brasil. O desenho sofisticado, o pacote de equipamentos e as duas opções de motorização eram boas escolhas. Porém a marca escorregou feio no lançamento com a escolha dos câmbios.
Em 2015 o câmbio automático já era uma realidade. Praticamente todos os compactos já ofereciam uma opção para quem não queria trocar as marchas e no segmento dos médios só havia o câmbio manual em modelos de entrada.
O Peugeot 2008 com o confiável motor 1.6 aspirado era oferecido com caixa manual de cinco marchas ou a problemática AL4 automática de 4 velocidades. Já a topo de linha Griffe 1.6 THP só vinha com câmbio manual de seis marchas.
O público entusiasta que iria se interessar pela combinação do THP de 173 cv com a caixa manual poderia escolher por um Citroën DS3 na concessionária ao lado. Já o 1.6 aspirado, que faria volume, ficou preso a um câmbio que já tinha fama de problemático.
Tirando esse deslize na mecânica, o Peugeot 2008 era um SUV bonito e bem acabado. Assim como o HR-V, ele não tentava parecer um jipe e agradava por vir bem equipado. Ele até oferecia ar-condicionado de duas zonas, item indisponível na geração atual do modelo.
A Peugeot trocou o câmbio AL4 pela caixa Aisin de 6 marcas nos modelos 1.6 aspirados em 2008. Essa caixa veio para o THP no mesmo ano, junto do lançamento do Citroën C4 Cactus. A PSA alegou que precisou redesenhar o câmbio para caber no cofre do motor dessa dupla.
Diferente do Honda HR-V, o Peugeot 2008 não foi um carro de grande volume. Em 2015 ele emplacou menos que modelos mais caros, como o Toyota SW4 e o Kia Sportage. Hoje ele está na segunda geração, com um desenho bastante ousado, motor 1.0 turbo da Fiat e preços agressivos.
A Jeep era considerada como marca premium no Brasil, o Renegade fez ela mais acessível (Foto: Jeep | Divulgação)
A gama era extensa e tinha duas opções de motores, o 1.8 flex aspirado só rendia em altas rotações e penava para mover os 1.500 kg do SUV (Foto: Jeep | Divulgação)
Já o diesel com tração integral honrava a grade de sete fendas (Foto: Jeep | Divulgação)
O Renegade só não vendeu mais por falta de concessionárias (Foto: Jeep | Divulgação)
O acabamento do interior tinha padrão de carro médio (Foto: Jeep | Divulgação)
No final de abril foi lançada a grande pedra no sapato do Honda HR-V: o Jeep Renegade. A Fiat-Chrysler (FCA) construiu uma fábrica em Goiana, no Pernambuco, para produzir carros feitos sobre a plataforma Small Wide 4×4.
Quem estreou essa linha de montagem foi o Jeep Renegade. Até então essa marca era considerada como premium no Brasil e o SUV compacto chegou como um modelo bastante desejável.
O Jeep Renegade era sofisticado em sua construção. A suspensão traseira independente, o acabamento soft-touch no painel e nas portas dianteiras e o pacote de equipamentos lembravam as ofertas dos sedãs médios. Mas o porte era de SUV compacto.
O desenho do Jeep Renegade tem um apelo retrô, com referência aos jipes antigos. A lanterna, por exemplo, é inspirada nos galões de gasolina que vinham na traseira do Willys MB da Segunda Guerra Mundial.
A cereja no bolo era a oferta de motor 2.0 turbodiesel junto da tração integral. Na época esse combustível era vantajoso e o torque desse motor compensava bem o peso da carroceria.
A outra opção de motor era o 1.8 E.Torq aspirado, que não combinava com esse carro pesado por só responder em altas rotações. Mas os compradores relevaram isso, pois estavam andando em um Jeep.
O Jeep Renegade, assim como o Honda HR-V, trazia confortos como a central multimídia, o freio de estacionamento eletrônico e outros agrados modernos. O calcanhar de Aquiles desse SUV compacto sempre foi o espaço interno, principalmente no porta-malas.
A Jeep ainda produz o Renegade de primeira geração no Brasil e tudo indica que ele seguirá no mercado por mais alguns anos até receber uma geração nova. Hoje ele está com um face-lift, que foi feito no Brasil, e conta apenas com o motor 1.3 turbo flex de 176 cv. Essa mecânica disfarça bem o peso do carro.
Em 2015 ele foi o segundo SUV mais vendido do Brasil, com 39.187 unidades. A rede de concessionárias da Jeep ainda era pequena e foi crescendo com o passar dos anos.
O Renegade foi importante também por ter dado origem ao Jeep Compass, o Commander, a Fiat Toro e a Ram Rampage. Todos são carros de sucesso.
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Foi há exatos 10 anos que começou o movimento que popularizou os SUVs da forma que conhecemos hoje. Três lançamentos realizados no primeiro trimestre de 2015 subiram o patamar dos modelos compactos nacionais, colocando mais equipamentos e tornando-os mais desejáveis que os hatches, sedãs e minivans.
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Antes de 2015 o segmento dos SUVs compactos era composto por dois carros nacionais: o pioneiro Ford EcoSport e o Renault Duster. Ambos tinham projeto mais simples e ainda traziam proposta aventureira, com opção de tração integral. Por dentro eram bem similares aos hatches populares que serviam de base.
Existiam alguns modelos de menor volume, como o defasado Hyundai Tucson, o Chevrolet Tracker importado e o Mitsubishi ASX. Em 2014 o ano fechou com os SUVs sendo responsáveis por apenas 10,76% do mercado de carros novos. Em 2015 o segmento esse segmento cresceu para 14,8% e superou os sedãs médios.
Quer saber quais foram os carros que moldaram o segmento dos SUVs no Brasil? Vamos contar a seguir.
1. Honda HR-V
O HR-V usa a plataforma do Fit, compartilhando também o bom aproveitamento do interior (Foto: Honda | Divulgação)
O motor 1.8 de 140 cv veio do Civic, mas o câmbio aqui era o CVT (Foto: Honda | Divulgação)
A maçaneta traseira embutida dava ares de cupê (Foto: Honda | Divulgação)
O interior era caprichado e vinha com boa oferta de equipamentos, incluindo o freio de estacionamento por botão (Foto: Honda | Divulgação)
O console em dois andares é moda hoje (Foto: Honda | Divulgação)
Desde o final de 2014 que haviam expectativas sobre os novos SUVs compactos nacionais. Quem saiu na frente foi a Honda com o HR-V, modelo feito sobre a plataforma do Fit de terceira geração.
Diferente do Ford EcoSport e do Renault Duster, o Honda HR-V assumia sem medo que os SUVs compactos eram carros usados apenas no asfalto. O modelo japonês não contava com opção de tração integral, pneus de uso misto ou decoração evocando jipes.
A Honda usou um desenho mais esportivo na carroceria, com vincos fortes e rodas grandes que se destacavam. As maçanetas traseiras embutidas na coluna até davam uma aparência de cupê.
Na cabine era usada uma decoração sofisticada e o acabamento era esmerado. O HR-V trazia equipamentos raros nos carros nacionais, como a central multimídia, o freio de estacionamento eletrônico com auto-hold e câmera de ré. O espaço interno era amplo graças a plataforma do Fit, que também permitiu ter o banco traseiro modular Magic Seat.
Sob o capô estava o 1.8 flex do Civic, com 140 cv. Diferente do médio, aqui o motor era ligado a uma caixa CVT. A força adicional ajudava a justificar o preço maior que o do Fit e do City.
O Honda HR-V não foi apenas o primeiro dessa nova leva de SUVs compactos como também foi o mais vendido no ano. Ele fechou 2015 com 51.155 unidades. Nos anos seguintes ele também foi líder e mantém até hoje uma média anual de 50 mil carros emplacados, só vendeu menos durante a pandemia de Covid-19.
2. Peugeot 2008
O 2008 tinha tudo para dar certo, mas a marca errou na escolha dos câmbios (Foto: Peugeot | Divulgação)
O confiável 1.6 16v aspirado usava a problemática caixa automática de quatro marchas (Foto: Peugeot | Divulgação)
Já o topo de linha 1.6 THP era apenas com câmbio manual, algo que não agradou aos compradores de SUV (Foto: Peugeot | Divulgação)
Itens como o ar-condicionado de duas zonas e o teto solar panorâmico são raros até em SUVs atuais (Foto: Peugeot | Divulgação)
O Peugeot 2008 foi lançado no início de abril e tinha tudo para alavancar as vendas da marca francesa no Brasil. O desenho sofisticado, o pacote de equipamentos e as duas opções de motorização eram boas escolhas. Porém a marca escorregou feio no lançamento com a escolha dos câmbios.
Em 2015 o câmbio automático já era uma realidade. Praticamente todos os compactos já ofereciam uma opção para quem não queria trocar as marchas e no segmento dos médios só havia o câmbio manual em modelos de entrada.
O Peugeot 2008 com o confiável motor 1.6 aspirado era oferecido com caixa manual de cinco marchas ou a problemática AL4 automática de 4 velocidades. Já a topo de linha Griffe 1.6 THP só vinha com câmbio manual de seis marchas.
O público entusiasta que iria se interessar pela combinação do THP de 173 cv com a caixa manual poderia escolher por um Citroën DS3 na concessionária ao lado. Já o 1.6 aspirado, que faria volume, ficou preso a um câmbio que já tinha fama de problemático.
Tirando esse deslize na mecânica, o Peugeot 2008 era um SUV bonito e bem acabado. Assim como o HR-V, ele não tentava parecer um jipe e agradava por vir bem equipado. Ele até oferecia ar-condicionado de duas zonas, item indisponível na geração atual do modelo.
A Peugeot trocou o câmbio AL4 pela caixa Aisin de 6 marcas nos modelos 1.6 aspirados em 2008. Essa caixa veio para o THP no mesmo ano, junto do lançamento do Citroën C4 Cactus. A PSA alegou que precisou redesenhar o câmbio para caber no cofre do motor dessa dupla.
Diferente do Honda HR-V, o Peugeot 2008 não foi um carro de grande volume. Em 2015 ele emplacou menos que modelos mais caros, como o Toyota SW4 e o Kia Sportage. Hoje ele está na segunda geração, com um desenho bastante ousado, motor 1.0 turbo da Fiat e preços agressivos.
3. Jeep Renegade
A Jeep era considerada como marca premium no Brasil, o Renegade fez ela mais acessível (Foto: Jeep | Divulgação)
A gama era extensa e tinha duas opções de motores, o 1.8 flex aspirado só rendia em altas rotações e penava para mover os 1.500 kg do SUV (Foto: Jeep | Divulgação)
Já o diesel com tração integral honrava a grade de sete fendas (Foto: Jeep | Divulgação)
O Renegade só não vendeu mais por falta de concessionárias (Foto: Jeep | Divulgação)
O acabamento do interior tinha padrão de carro médio (Foto: Jeep | Divulgação)
No final de abril foi lançada a grande pedra no sapato do Honda HR-V: o Jeep Renegade. A Fiat-Chrysler (FCA) construiu uma fábrica em Goiana, no Pernambuco, para produzir carros feitos sobre a plataforma Small Wide 4×4.
Quem estreou essa linha de montagem foi o Jeep Renegade. Até então essa marca era considerada como premium no Brasil e o SUV compacto chegou como um modelo bastante desejável.
O Jeep Renegade era sofisticado em sua construção. A suspensão traseira independente, o acabamento soft-touch no painel e nas portas dianteiras e o pacote de equipamentos lembravam as ofertas dos sedãs médios. Mas o porte era de SUV compacto.
O desenho do Jeep Renegade tem um apelo retrô, com referência aos jipes antigos. A lanterna, por exemplo, é inspirada nos galões de gasolina que vinham na traseira do Willys MB da Segunda Guerra Mundial.
A cereja no bolo era a oferta de motor 2.0 turbodiesel junto da tração integral. Na época esse combustível era vantajoso e o torque desse motor compensava bem o peso da carroceria.
A outra opção de motor era o 1.8 E.Torq aspirado, que não combinava com esse carro pesado por só responder em altas rotações. Mas os compradores relevaram isso, pois estavam andando em um Jeep.
O Jeep Renegade, assim como o Honda HR-V, trazia confortos como a central multimídia, o freio de estacionamento eletrônico e outros agrados modernos. O calcanhar de Aquiles desse SUV compacto sempre foi o espaço interno, principalmente no porta-malas.
A Jeep ainda produz o Renegade de primeira geração no Brasil e tudo indica que ele seguirá no mercado por mais alguns anos até receber uma geração nova. Hoje ele está com um face-lift, que foi feito no Brasil, e conta apenas com o motor 1.3 turbo flex de 176 cv. Essa mecânica disfarça bem o peso do carro.
Em 2015 ele foi o segundo SUV mais vendido do Brasil, com 39.187 unidades. A rede de concessionárias da Jeep ainda era pequena e foi crescendo com o passar dos anos.
O Renegade foi importante também por ter dado origem ao Jeep Compass, o Commander, a Fiat Toro e a Ram Rampage. Todos são carros de sucesso.
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