O Ministério da Fazenda identificou indícios de pirâmide financeira e fraude na venda antecipada de veículos elétricos e híbridos da marca brasileira Lecar. As suspeitas baseiam-se no modelo de negócio da empresa, que recebe pagamentos antecipados (“sinais”), mas não apresenta provas concretas do início da fabricação ou da capacidade de entrega dos veículos. As irregularidades foram detalhadas em uma nota técnica elaborada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
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"Maquete" foi apresentado no Salão do Automóvel (Foto: AutoPapo | Marcelo Jabulas)
Modelo chegou empurrado ao palco (Foto: AutoPapo | Marcelo Jabulas)
Histórico de promessas e descumprimentosAtualmente, a Lecar é uma das marcas nacionais mais comentadas, mas nem sempre por motivos positivos. No mercado desde 2022, a empresa ganhou repercussão negativa no fim de 2025 quando, após sucessivos adiamentos, voltou a descumprir prazos no Salão do Automóvel de São Paulo. Na ocasião, a promessa era apresentar um veículo eletrificado funcional, mas a marca exibiu apenas uma “maquete” (mockup).
Mesmo sem uma fábrica construída ou veículos produzidos, a empresa comercializa automóveis por meio da modalidade “Compra Programada”. Nesse sistema, o cliente adere a um plano de pagamentos (48, 60 ou 72 meses, sem juros) com a promessa de receber o carro na metade do período. Segundo apuração do portal Metrópoles, a nota técnica do Ministério da Fazenda aponta que a Lecar não possui autorização da pasta para operar essa modalidade financeira.
O documento oficial é enfático: “O negócio da Lecar possui características típicas de esquemas de pirâmide financeira”. O relatório destaca que a promessa de ganhos sem investimento real é um sinal de alerta clássico monitorado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pelos órgãos de defesa do consumidor.
A análise do Ministério elenca quatro pilares suspeitos:
A manifestação da SPA atende a uma solicitação do Ministério Público Federal (MPF), que instaurou inquérito para apurar os fatos. O documento aponta a prática de dois ilícitos principais: a estrutura assemelhada à pirâmide e a publicidade enganosa, violando diversos artigos do Código de Defesa do Consumidor.
Flávio Figueiredo Assis, o “Elon Musk brasileiro”, afirma apenas atraso (Foto: Internet | Reprodução)
Ao portal Metrópoles, o empresário Flávio Figueiredo Assis — que já se autointitulou o “Elon Musk brasileiro” — negou as acusações. Em nota, afirmou que a comunicação do negócio é transparente e que não há táticas de escassez.
“Não temos o carro homologado, não temos fábrica; tudo está em desenvolvimento. Não estamos vendendo algo diferente do que comunicamos”, declarou Assis. Ele defendeu o modelo de negócio ao afirmar que o plano prevê contribuição de 50% para a entrega do bem e que “é óbvio que, quanto mais clientes entram, maior o volume de contribuições”.
O empresário, no entanto, recusou-se a informar o número de veículos já vendidos ou o quadro de executivos da companhia. Sobre a fábrica em Sooretama (ES), admitiu novos atrasos, mas afirmou que o processo está “avançando bem”.
Um rastro de contradiçõesAs promessas da Lecar acumulam mudanças drásticas desde 2024. O modelo Lecar 459, inicialmente anunciado como 100% elétrico com fabricação no Rio Grande do Sul, mudou de estratégia diversas vezes: a sede foi transferida para o Espírito Santo, surgiu a hipótese de importação da China e o motor passou a ser anunciado como híbrido.
Em 2025, a empresa expandiu os anúncios para a picape Campo e um terceiro veículo, ainda que nunca tenha apresentado um protótipo capaz de rodar. Em 2026, a empresa passou a captar revendedores pelas redes sociais, exigindo investimentos iniciais para pontos de venda que não possuem sequer carros de demonstração ou para test-drive.
Apesar das projeções ambiciosas de produzir 120 mil veículos por ano, a realidade atual mostra que a unidade de Sooretama não teve sequer a terraplanagem iniciada. Diante do cenário, as primeiras entregas foram reprogramadas — agora com expectativa para meados de 2027.
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"Maquete" foi apresentado no Salão do Automóvel (Foto: AutoPapo | Marcelo Jabulas)
Modelo chegou empurrado ao palco (Foto: AutoPapo | Marcelo Jabulas)
Histórico de promessas e descumprimentosAtualmente, a Lecar é uma das marcas nacionais mais comentadas, mas nem sempre por motivos positivos. No mercado desde 2022, a empresa ganhou repercussão negativa no fim de 2025 quando, após sucessivos adiamentos, voltou a descumprir prazos no Salão do Automóvel de São Paulo. Na ocasião, a promessa era apresentar um veículo eletrificado funcional, mas a marca exibiu apenas uma “maquete” (mockup).
Mesmo sem uma fábrica construída ou veículos produzidos, a empresa comercializa automóveis por meio da modalidade “Compra Programada”. Nesse sistema, o cliente adere a um plano de pagamentos (48, 60 ou 72 meses, sem juros) com a promessa de receber o carro na metade do período. Segundo apuração do portal Metrópoles, a nota técnica do Ministério da Fazenda aponta que a Lecar não possui autorização da pasta para operar essa modalidade financeira.
Os indícios de irregularidade
O documento oficial é enfático: “O negócio da Lecar possui características típicas de esquemas de pirâmide financeira”. O relatório destaca que a promessa de ganhos sem investimento real é um sinal de alerta clássico monitorado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pelos órgãos de defesa do consumidor.
A análise do Ministério elenca quatro pilares suspeitos:
- Taxa de adesão: exigência de pagamento para que o participante atue como revendedor;
- Venda de promessas: comercialização de entrega futura sem a existência de um produto validado;
- Gatilhos psicológicos: uso de táticas de urgência e escassez para pressionar a adesão imediata;
- Dependência de novos membros: declaração expressa de que o fluxo de caixa depende da entrada de novos consumidores.
A manifestação da SPA atende a uma solicitação do Ministério Público Federal (MPF), que instaurou inquérito para apurar os fatos. O documento aponta a prática de dois ilícitos principais: a estrutura assemelhada à pirâmide e a publicidade enganosa, violando diversos artigos do Código de Defesa do Consumidor.
O posicionamento da empresa
Flávio Figueiredo Assis, o “Elon Musk brasileiro”, afirma apenas atraso (Foto: Internet | Reprodução)
Ao portal Metrópoles, o empresário Flávio Figueiredo Assis — que já se autointitulou o “Elon Musk brasileiro” — negou as acusações. Em nota, afirmou que a comunicação do negócio é transparente e que não há táticas de escassez.
“Não temos o carro homologado, não temos fábrica; tudo está em desenvolvimento. Não estamos vendendo algo diferente do que comunicamos”, declarou Assis. Ele defendeu o modelo de negócio ao afirmar que o plano prevê contribuição de 50% para a entrega do bem e que “é óbvio que, quanto mais clientes entram, maior o volume de contribuições”.
O empresário, no entanto, recusou-se a informar o número de veículos já vendidos ou o quadro de executivos da companhia. Sobre a fábrica em Sooretama (ES), admitiu novos atrasos, mas afirmou que o processo está “avançando bem”.
Um rastro de contradiçõesAs promessas da Lecar acumulam mudanças drásticas desde 2024. O modelo Lecar 459, inicialmente anunciado como 100% elétrico com fabricação no Rio Grande do Sul, mudou de estratégia diversas vezes: a sede foi transferida para o Espírito Santo, surgiu a hipótese de importação da China e o motor passou a ser anunciado como híbrido.
Em 2025, a empresa expandiu os anúncios para a picape Campo e um terceiro veículo, ainda que nunca tenha apresentado um protótipo capaz de rodar. Em 2026, a empresa passou a captar revendedores pelas redes sociais, exigindo investimentos iniciais para pontos de venda que não possuem sequer carros de demonstração ou para test-drive.
Apesar das projeções ambiciosas de produzir 120 mil veículos por ano, a realidade atual mostra que a unidade de Sooretama não teve sequer a terraplanagem iniciada. Diante do cenário, as primeiras entregas foram reprogramadas — agora com expectativa para meados de 2027.
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