Quando se fala em mercado de duas rodas, existe uma rivalidade popular que é inegável: Honda versus Yamaha. Essas duas japonesas chegaram ao Brasil no início dos anos 1970, praticamente juntas, e ao longo dos anos cada uma conquistou a sua legião de fãs, afinal são as duas maiores comerciantes de motos do Brasil há décadas. Porém, a marca da asa vermelha supera em muito o número de vendas da azulzinha dos três diapasões. E você sabe o por que disso?
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A Yamaha RD 50 foi a primeira moto fabricada no Brasil (Foto: Yamaha | Divulgação)
Cravar uma resposta concreta para mais de 50 anos de história, mercado e rivalidade seria muita ousadia, porém tem muitas coisas que explicam toda essa jornada da Honda e da Yamaha.
A Yamaha chegou ao Brasil em 1970 e em 1974 fabricou sua primeira motocicleta em território nacional, a RD 50, um modelo simples para os dias de hoje, mas que foi revolucionário naqueles tempos. Já a Honda iniciou suas atividades um pouco depois, chegando ao país em 1971 e fazendo sua primeira moto por aqui em 1976.
Entretanto, mesmo atrasada em relação à concorrente, a Honda começou acertando. Isso por que até suas motos importadas (desde 1971) já contavam com a tecnologia do motor 4 tempos, tipos que são usados até hoje de forma majoritária na indústria automobilística. A C110 foi a primeira a ser importada pela marca e está cinquentinha já contava com essa motorização.
A grande questão era que na época não havia motos desta capacidade – que inclusive pela lei da época podiam ser pilotadas por menores de idade sem habilitação – com motores 4 tempos. Todas eram 2 tempos – incluindo a RD 50 da Yamaha.
Nada contra os motores 2 tempos, estes foram usados por muitas décadas pela indústria, porém dois pontos eram o faziam muito negativos em relação aos novos que a Honda trazia: eram muito barulhentos e soltavam muita fumaça.
A C110 foi a primeira moto da Honda no Brasil, ainda importada (Foto: Honda | Divulgação)
O motor mais silencioso e com menos emissão de fumaça fez Honda ser vista de uma forma mais positiva no mercado da época, levando as graças do povo. O especialista consultor automotivo e CEO da Mobiauto, Sant Clair Castro Jr., também se apoia na ideia de que a estratégia de implantação de cada uma destas marcas é o grande fator para o resultado de popularidade que temos hoje.
Além de trazer um produto mais moderno, silencioso e menos poluente, a Honda se deu melhor que a Yamaha em seu sistema de consórcios. Desta vez chegando na frente, a vermelhinha começou seu sistema de consórcios de motos em 1981, um ano antes que a Yamaha que só foi entrar nessa em 1982.
Decorrente de toda essa melhor largada que a Honda teve, não teve jeito e a marca conseguiu crescer muito mais que a Yamaha no Brasil. Segundo as assessorias de cada uma das japonesas, a Honda hoje é literalmente duas vezes maior que a Yamaha no quesito número de lojas concessionárias e/ou assistências autorizadas. São 1.119 pontos de comercialização Honda, enquanto a Yamaha tem 559 lojistas espalhados pelo país.
A Yamaha Ténéré 700 foi o ultimo lançamento da marca no Brasil (Foto: AutoPapo | Lucas Silvério)
Toda essa história ao longo dos mais de 50 anos da Honda e da Yamaha pode ser traduzida em números de emplacamento. Há anos a Honda é líder absoluta no mercado de motocicletas brasileiro.
Desde o início dos anos 2000 a Honda segue dominando cerca de 70% de todo o mercado, transitando algumas vezes na casa dos 60%, e mais ainda nos 80%. Em contrapartida a Yamaha segue como vice quase absoluta tendo apenas cerca de 12% do mercado durante todo este período.
No mesmo dia que a Ténéré, a Honda XR 300L tornado ganhou os holofotes como lançamento (Foto: AutoPapo | Lucas Silvério)
Como dito no início, cravar algo é muito ousado e claro que a Yamaha pode se tornar líder do segmento algum dia. Porém isso exigiria muito investimento e tempo para que o brasileiro migrasse de uma marca para a outra.
Toda a história da Honda que chegou com um produto melhor, explorou mais as ofertas para o cidadão e expandiu muito mais seu negócio, certamente vai dar trabalho para ser superada.
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A Yamaha RD 50 foi a primeira moto fabricada no Brasil (Foto: Yamaha | Divulgação)
Cravar uma resposta concreta para mais de 50 anos de história, mercado e rivalidade seria muita ousadia, porém tem muitas coisas que explicam toda essa jornada da Honda e da Yamaha.
Honda x Yamaha: a chegada das japonesas no Brasil
A Yamaha chegou ao Brasil em 1970 e em 1974 fabricou sua primeira motocicleta em território nacional, a RD 50, um modelo simples para os dias de hoje, mas que foi revolucionário naqueles tempos. Já a Honda iniciou suas atividades um pouco depois, chegando ao país em 1971 e fazendo sua primeira moto por aqui em 1976.
Entretanto, mesmo atrasada em relação à concorrente, a Honda começou acertando. Isso por que até suas motos importadas (desde 1971) já contavam com a tecnologia do motor 4 tempos, tipos que são usados até hoje de forma majoritária na indústria automobilística. A C110 foi a primeira a ser importada pela marca e está cinquentinha já contava com essa motorização.
A grande questão era que na época não havia motos desta capacidade – que inclusive pela lei da época podiam ser pilotadas por menores de idade sem habilitação – com motores 4 tempos. Todas eram 2 tempos – incluindo a RD 50 da Yamaha.
Nada contra os motores 2 tempos, estes foram usados por muitas décadas pela indústria, porém dois pontos eram o faziam muito negativos em relação aos novos que a Honda trazia: eram muito barulhentos e soltavam muita fumaça.
- O óleo lubrificante dos motores 2 tempos era adicionado junto ao combustível e então ele queimava diretamente no escapamento, assim a fumaça branca com cheiro de queimado era constante.
A C110 foi a primeira moto da Honda no Brasil, ainda importada (Foto: Honda | Divulgação)
O motor mais silencioso e com menos emissão de fumaça fez Honda ser vista de uma forma mais positiva no mercado da época, levando as graças do povo. O especialista consultor automotivo e CEO da Mobiauto, Sant Clair Castro Jr., também se apoia na ideia de que a estratégia de implantação de cada uma destas marcas é o grande fator para o resultado de popularidade que temos hoje.
Há motivos históricos que ajudam a explicar essa vantagem da Honda. Um deles, que data de décadas passadas, está relacionado à linha de produtos e o tipo de tecnologia adotados pela Honda no início de sua produção no Brasil, concentrando-se nos modelos 125 com motor 4 tempos. A Yamaha preferiu motores 2 tempos (RD 50), que eram eficientes e tinham manutenção simples. Mas não forneciam a mesma confiabilidade, durabilidade e o baixo consumo da Honda.”, aponta Castro Jr.
Democratização das motos
Além de trazer um produto mais moderno, silencioso e menos poluente, a Honda se deu melhor que a Yamaha em seu sistema de consórcios. Desta vez chegando na frente, a vermelhinha começou seu sistema de consórcios de motos em 1981, um ano antes que a Yamaha que só foi entrar nessa em 1982.
Expansão das lojas Honda
Decorrente de toda essa melhor largada que a Honda teve, não teve jeito e a marca conseguiu crescer muito mais que a Yamaha no Brasil. Segundo as assessorias de cada uma das japonesas, a Honda hoje é literalmente duas vezes maior que a Yamaha no quesito número de lojas concessionárias e/ou assistências autorizadas. São 1.119 pontos de comercialização Honda, enquanto a Yamaha tem 559 lojistas espalhados pelo país.
- Estes números explicam a brincadeira popular que diz que peça de Honda se acha até na padaria.
O que se viu a seguir foi consequência desse primeiro passo. A Honda era mais bem vista e isso se traduzia em vendas. E mais vendas se transformaram em mais concessionárias. Resultado: hoje, em um momento em que ambas produzem motos com tecnologias semelhantes, a rede autorizada Honda possui mais de 1.000 pontos de vendas no país contra menos de 600 da Yamaha. Por este motivo a vantagem da Honda persiste até hoje.”, finaliza o CEO Sant Clair Castro Jr..
A Yamaha Ténéré 700 foi o ultimo lançamento da marca no Brasil (Foto: AutoPapo | Lucas Silvério)
Números do mercado atual
Toda essa história ao longo dos mais de 50 anos da Honda e da Yamaha pode ser traduzida em números de emplacamento. Há anos a Honda é líder absoluta no mercado de motocicletas brasileiro.
Desde o início dos anos 2000 a Honda segue dominando cerca de 70% de todo o mercado, transitando algumas vezes na casa dos 60%, e mais ainda nos 80%. Em contrapartida a Yamaha segue como vice quase absoluta tendo apenas cerca de 12% do mercado durante todo este período.
- Em 2022 a Yamaha deu um salto significativo em seus números, alcançando 18% do mercado, mas no ano seguinte ela voltou a sua média de sempre.
No mesmo dia que a Ténéré, a Honda XR 300L tornado ganhou os holofotes como lançamento (Foto: AutoPapo | Lucas Silvério)
Honda x Yamaha: expectativa de crescimento da marca dos três diapasões
Como dito no início, cravar algo é muito ousado e claro que a Yamaha pode se tornar líder do segmento algum dia. Porém isso exigiria muito investimento e tempo para que o brasileiro migrasse de uma marca para a outra.
Toda a história da Honda que chegou com um produto melhor, explorou mais as ofertas para o cidadão e expandiu muito mais seu negócio, certamente vai dar trabalho para ser superada.
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