Notícia SUVs serão como cigarros: do charme ao desprezo

Os cigarros já foram símbolo de status, independência e charme. Grande cenas do cinema já tiveram o tabaco como coadjuvantes. As marcas patrocinavam eventos esportivos (!), equipes de Fórmula 1 e festivais de música. Mas neste século, quem dá umas tragadas é mal-visto pela sociedade. Segregado! Fumar, só em lugar aberto. Em algumas cidades, nem debaixo da marquise pode ficar.

“Nossa… O AutoPapo não é um site de carro? Por que esse discurso a la Dráuzio Varella”, deve estar perguntando um dos meus três leitores. Porque daqui a pouco, o SUV, sim o desejado utilitário esportivo, vai ser marginalizado tal qual o cigarro.

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O SUV é um carro grande e pesado que vai na contramão do que se espera dos carros do futuro: ser eficiente. Recentemente, em entrevista à publicação inglesa AutoExpress, o CEO da Citroën, Vincent Cobée decretou: “O mundo dos SUVs acabou”.

Para o executivo, os utilitarios esportivos são incompatíveis com o futuro elétrico dos carros. “Em um carro elétrico, se sua aerodinâmica estiver errada, a penalidade em termos de alcance é enorme. Você pode perder 50 quilômetros entre uma aerodinâmica boa e ruim, e entre um SUV e um sedã você fala 60 a 80 quilômetros com muita facilidade”, explicou Cobée.

O CEO continua explicando o seu ponto de vista que esses carros terão o peso e os tamanhos das baterias limitados, seja por meio de impostos, incentivos ou regulamentação. Mais ou menos como acontece com os cigarros hoje, onde uma carga tributária mais alta tenta limitar o seu consumo.

ford f 150 lightning platinum supercrew frente parada em garagem com carregador plugado

F-150 elétrica pode ser 1 tonelada mais pesada que a sua similar a combustão (Foto: Ford | Divulgação)

Constrangimento​


Por fim, Cobée acredita que os próprios consumidores irão se constranger em optar por um SUV em um mundo onde as preocupações com condições climáticas estarão cada vez mais evidentes. “Se você mora em uma cidade grande, cinco anos atrás, se você deixou seus filhos com um SUV grande , você é um homem. Agora, se você fizer isso, você é um ‘terrorista’…”, sentenciou.

Por fim, Cobée também critica o ganho de peso dos carros. “Na década de 1970, um carro pesava 700 kg. Hoje, um carro médio pesa 1.300 kg. Amanhã um carro médio pesará duas toneladas. Portanto, estamos usando três vezes mais recursos para fornecer o mesmo serviço, apenas para ser ‘ecológicos’.”

Segurança​


A preocupação com o peso dos SUVs elétricos vai além da questão ambiental. A chefe do National Transportation Safety Board – órgão que investiga acidentes nos EUA – expressou preocupação sobre os riscos de segurança que os veículos elétricos pesados representam se colidirem com veículos mais leves.

Jennifer Homendy exemplificou que um GMC Hummer elétrico pesa cerca 4.000 kg com uma bateria que sozinha pesa 1.300 kg, aproximadamente o peso total de um carro médio. Homendy ainda explicou que a picape F-150 Lightning EV da Ford é de 900 kg a 1.350 kg mais pesada que a versão de combustão do mesmo modelo.

“Temos que ter cuidado para não criar consequências não intencionais: mais mortes em nossas estradas”, disse ela. “A segurança, especialmente quando se trata de novas políticas de transporte e novas tecnologias, não pode ser negligenciada.”

Além do peso, os elétricos têm alto desempenho permitindo que acelerem rapidamente mesmo em áreas urbanas lotadas. “As pessoas não são treinadas para lidar com esse tipo de aceleração. Simplesmente não é algo que os motoristas estão acostumados a fazer”, disse Brooks.

Ao que tudo indica, será uma questão de tempo vermos os SUVs fora das ruas… Até mesmo, porque nós sabemos que a indústria automotiva vive de ciclos e modinhas. Quer um? Aproveite antes de ficar brega!

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