Notícia Brasil vive grave escassez de caminhoneiros; 88% das empresas têm dificuldades nas contratações

A escassez de mão de obra qualificada consolidou-se como um dos principais gargalos do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Segundo levantamento nacional da NTC&Logística, 88% das empresas do setor relatam dificuldades para contratar motoristas e agregados. O problema já se traduz em frotas ociosas: entre as transportadoras que afirmaram ter veículos parados, a média é de oito caminhões parados por empresa por falta de condutores.

O estudo revela que o “apagão” de profissionais é hoje a segunda maior limitação ao crescimento do segmento, apontada por 28,1% dos entrevistados. O entrave fica atrás apenas da retração do mercado interno (40,7%), mas supera a dificuldade de acesso ao capital (17%).

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A pressão financeira agrava o cenário. No transporte rodoviário de cargas, os motoristas representam 19,5% dos custos operacionais, atrás apenas do combustível (43,2%) e dos veículos (29,1%). Nos últimos 24 meses, a despesa com mão de obra acumulou alta de 13,42%, superando a variação dos insumos técnicos. Apesar da pressão, o repasse ao frete é insuficiente: a defasagem média entre os custos calculados e os valores efetivamente recebidos pelas empresas é de 10,1%.

O setor também lida com o impacto de novas regulamentações, como os custos de seguros da Lei 14.599/23 e decisões judiciais (ADI 5322) sobre tempos de descanso, que reduziram a disponibilidade da frota. Para 2026, o cenário de incerteza trava investimentos: 61,5% das empresas não pretendem renovar a frota, embora 92,6% planejem aplicar recursos em treinamento para mitigar a falta de profissionais.

A entidade alerta ainda que o ano inicia sob pressão da reoneração da folha de pagamento e da Selic elevada. Para a maioria das transportadoras (57%), a perspectiva é de estabilidade, enquanto quase 30% já projetam uma piora no ambiente de negócios nos próximos meses.

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