Notícia Marcopolo amplia aposta no exterior para compensar juros altos e queda de demanda no Brasil

A fabricante gaúcha Marcopolo está reorientando sua estratégia comercial para o mercado externo como resposta direta ao ciclo de juros altos e ao consequente arrefecimento da demanda por ônibus no Brasil. Com a perspectiva de uma retração mais acentuada no mercado doméstico em 2026, a empresa busca consolidar sua presença na Europa e em mercados estratégicos da América Latina para manter o equilíbrio financeiro.

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O movimento tenta mitigar os impactos de um cenário nacional onde o crédito restrito — com a taxa Selic atingindo 14,75% em março — tem dificultado a renovação de frotas por parte das empresas de transporte. Os balanços mais recentes já refletem essa inversão: enquanto a receita líquida no Brasil recuou 10%, somando R$ 4,95 bilhões, as operações internacionais saltaram para 45,4% do faturamento total da companhia, registrando um crescimento de 9% no volume de exportações.

Expansão na América Latina e ofensiva europeia


Países como Argentina, Peru, Bolívia e Paraguai têm funcionado como um “colchão” de segurança para as exportações da marca. No entanto, a ambição da Marcopolo vai além da exportação direta: a empresa planeja se estabelecer como fabricante local no continente europeu a longo prazo. O objetivo é proteger a operação contra tarifas alfandegárias e aumentar a competitividade frente a rivais chineses como Yutong e BYD, que já possuem forte penetração na região.

Para viabilizar essa expansão, a Marcopolo firmou um acordo estratégico com o Grupo Volvo para a comercialização de veículos na França e na Itália. A parceria prevê que os ônibus da marca brasileira utilizem a rede de vendas e o suporte de pós-venda da montadora sueca. O cronograma de expansão contempla ainda Portugal e Espanha, com foco inicial na homologação de produtos para a futura instalação de uma linha de montagem final em solo europeu.

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