Notícia Mercedes pode trocar plataforma elétrica própria por base da Geely, diz site chinês



Texto: Marcos Camargo Jr.

A Mercedes-Benz pode adotar uma arquitetura elétrica desenvolvida pela chinesa Geely para seus futuros carros compactos, segundo informações publicadas pelo site chinês 36Kr. A possível mudança envolveria a criação de uma nova plataforma chamada Phoenix, que substituiria a atual base MMA (Mercedes Modular Architecture) usada nos modelos elétricos da marca.

A informação ainda não foi confirmada oficialmente pela montadora alemã, mas o tema ganhou repercussão no setor automotivo por indicar uma possível mudança estrutural na estratégia de engenharia da marca, conhecida por desenvolver internamente suas plataformas ao longo de mais de um século de história.




Nova plataforma elétrica global


De acordo com o relatório do 36Kr, a nova plataforma Phoenix estaria em fase inicial de desenvolvimento e teria como base a arquitetura eletrônica GEEA 4.0, criada pela Geely para seus veículos eletrificados.

Essa arquitetura seria utilizada para futuros modelos compactos da Mercedes, como as próximas gerações de A-Class, B-Class, GLA, GLB e CLA, que continuariam sendo vendidos globalmente.




A expectativa é que a nova base entre em produção por volta de 2030, substituindo gradualmente a atual plataforma MMA, lançada recentemente para sustentar a nova geração de compactos eletrificados da marca.

Centro de desenvolvimento na China


Outro ponto relevante da reportagem é a mudança na estrutura de desenvolvimento da Mercedes.

Segundo as fontes citadas pelo site chinês, o centro de pesquisa e desenvolvimento da Mercedes na China passaria a liderar globalmente o desenvolvimento de carros compactos, enquanto as equipes na Alemanha ficariam responsáveis pelos modelos médios e grandes.




Se confirmada, essa seria a primeira vez em 130 anos que a marca alemã permitiria o desenvolvimento de uma plataforma global fora da Alemanha, algo considerado simbólico para a engenharia da empresa.

Redução de custos e pressão competitiva


Fontes da indústria apontam que o principal motivo da possível cooperação seria a redução de custos no desenvolvimento de veículos elétricos, um dos maiores desafios para as montadoras tradicionais.

A Mercedes também enfrenta forte pressão no mercado chinês, onde fabricantes locais ganharam espaço com carros elétricos mais baratos e tecnologia avançada. Nesse cenário, utilizar soluções desenvolvidas na China poderia acelerar projetos e reduzir investimentos em software e arquitetura eletrônica.

A Geely já possui experiência nesse campo e desenvolve arquiteturas eletrônicas que integram sistemas de condução assistida, software e conectividade — elementos essenciais nos veículos elétricos atuais.




Mercedes nega informações


Apesar da repercussão, a Mercedes-Benz afirmou que as informações publicadas pelo 36Kr não são verdadeiras, classificando a cooperação descrita como “fabricada e incorreta”.

Mesmo assim, analistas avaliam que parcerias desse tipo tendem a se tornar mais comuns na indústria automotiva, especialmente no desenvolvimento de software e arquitetura eletrônica para carros elétricos.


Relação antiga entre Mercedes e Geely


A possível cooperação não seria totalmente inédita. A Geely é uma das maiores acionistas institucionais da Mercedes-Benz e as duas empresas já colaboraram em projetos de motores e sistemas híbridos, além da joint venture da marca Smart para carros elétricos.

Caso o projeto Phoenix realmente avance, a parceria poderia marcar uma nova fase na indústria automotiva global, com fabricantes tradicionais europeus recorrendo cada vez mais à tecnologia desenvolvida por grupos chineses para acelerar a transição elétrica.


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