Não ache estranho o título desta coluna, pois as fábricas de automóveis passaram, tempos atrás, a serem chamadas de “montadoras”. O jornalista Bob Sharp, ironicamente, chega a sugerir que a associação de fabricantes de automóveis (Anfavea) deveria mudar seu nome para “Anmavea”.
É fato que as fábricas recebem milhares de peças de fornecedores, mas produzem também outra quantidade de componentes. Basta entrar numa planta de automóveis para sentir o chão balançando com a operação das gigantescas prensas (que estampam peças da carroceria) de muitas toneladas. E a produção de motores e caixas de câmbio da maioria delas. E dezenas de outras peças.
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Mas, afinal, surgiu uma montadora (de verdade) no Brasil, a Planta Automotiva do Ceará (PACE), criada para montar automóveis a partir exclusivamente de um kit de peças (SKD). Como se fosse a montagem de um grande Lego.
A história desta fábrica começa em 1995, construída pelo empresário Rogerio Farias. Dois anos depois, é vendida para Mario Araripe, que passa a montar seu jipe Troller. Em 2007, é vendida para a Ford, que não tinha nenhum interesse no jipe, mas nos incentivos fiscais a que tinham direito seus produtos. Mas, por exigência do governo cearense, manteve sua produção, o que efetivamente ocorreu até 2021, quando a empresa norte-americana fechou todas suas fábricas no Brasil.
A planta ficou então fechada até que, três anos atrás, um grupo do Espírito Santo (Comexport) adquiriu e modernizou o galpão e implantou nova linha de montagem. Modelo a ser produzido? De qualquer marca interessada em contratar os serviços da PACE. A primeira interessada foi a GM: ela começou a parceria importando para o Ceará todos os componentes de seu SUV elétrico Spark EUV. E, logo depois, decidiu contratar a montadora para a produção do Chevrolet Captiva elétrico.
Poucas semanas depois, foi a vez de uma chinesa, a MG Motors, que pertence à poderosa SAIC, anunciar a montagem de dois modelos: o hatch MG4 e o SUV S5.
Que peças são fabricadas no Ceará? Por enquanto, rigorosamente nenhuma. Numa visita às suas instalações, brinquei com um de seus engenheiros: “De nacional, só o ar dos pneus?”. “Não – ele me respondeu – até o ar é chinês pois as rodas chegam com eles montados”.
Então, a PACE segue rigorosamente o conceito de uma montadora de automóveis: uma fábrica que nada fabrica, só monta.
É a primeira no Brasil, mas já existia uma outra operando nos mesmos moldes no Uruguai, a Nordex. Que monta veículos para a Ford (linha Transit de vans e furgões), Kia (pequeno caminhão Bongo e prevista também a picape Tasman). E modelos da Fiat e Peugeot, pois a Stellantis adquiriu uma parte da empresa.
As duas “montadoras” atraem empresas brasileiras pelos incentivos fiscais que incidem sobre este produtos. A Nordex por estar num país do Mercosul. A PACE pelos incentivos fiscais da região Nordeste.
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É fato que as fábricas recebem milhares de peças de fornecedores, mas produzem também outra quantidade de componentes. Basta entrar numa planta de automóveis para sentir o chão balançando com a operação das gigantescas prensas (que estampam peças da carroceria) de muitas toneladas. E a produção de motores e caixas de câmbio da maioria delas. E dezenas de outras peças.
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- Além de Captiva e Spark EUV, antiga fábrica da Troller fará outro carro chinês
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Mas, afinal, surgiu uma montadora (de verdade) no Brasil, a Planta Automotiva do Ceará (PACE), criada para montar automóveis a partir exclusivamente de um kit de peças (SKD). Como se fosse a montagem de um grande Lego.
A história desta fábrica começa em 1995, construída pelo empresário Rogerio Farias. Dois anos depois, é vendida para Mario Araripe, que passa a montar seu jipe Troller. Em 2007, é vendida para a Ford, que não tinha nenhum interesse no jipe, mas nos incentivos fiscais a que tinham direito seus produtos. Mas, por exigência do governo cearense, manteve sua produção, o que efetivamente ocorreu até 2021, quando a empresa norte-americana fechou todas suas fábricas no Brasil.
Ex-Troller, agora GM e MG
A planta ficou então fechada até que, três anos atrás, um grupo do Espírito Santo (Comexport) adquiriu e modernizou o galpão e implantou nova linha de montagem. Modelo a ser produzido? De qualquer marca interessada em contratar os serviços da PACE. A primeira interessada foi a GM: ela começou a parceria importando para o Ceará todos os componentes de seu SUV elétrico Spark EUV. E, logo depois, decidiu contratar a montadora para a produção do Chevrolet Captiva elétrico.
Poucas semanas depois, foi a vez de uma chinesa, a MG Motors, que pertence à poderosa SAIC, anunciar a montagem de dois modelos: o hatch MG4 e o SUV S5.
Que peças são fabricadas no Ceará? Por enquanto, rigorosamente nenhuma. Numa visita às suas instalações, brinquei com um de seus engenheiros: “De nacional, só o ar dos pneus?”. “Não – ele me respondeu – até o ar é chinês pois as rodas chegam com eles montados”.
Então, a PACE segue rigorosamente o conceito de uma montadora de automóveis: uma fábrica que nada fabrica, só monta.
Modelo uruguaio
É a primeira no Brasil, mas já existia uma outra operando nos mesmos moldes no Uruguai, a Nordex. Que monta veículos para a Ford (linha Transit de vans e furgões), Kia (pequeno caminhão Bongo e prevista também a picape Tasman). E modelos da Fiat e Peugeot, pois a Stellantis adquiriu uma parte da empresa.
As duas “montadoras” atraem empresas brasileiras pelos incentivos fiscais que incidem sobre este produtos. A Nordex por estar num país do Mercosul. A PACE pelos incentivos fiscais da região Nordeste.
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