Notícia Sabe como são feitas as baterias que equipam carros elétricos?

O futuro da mobilidade está sendo apostado nos veículos elétricos. Carros, motos, ônibus, caminhões, todos estão deixando os motores a combustão e incorporando motores alimentados por baterias. Os blocos a gasolina estão no mercado há mais de um século e já são bem conhecidos pelos cidadãos, mas e os veículos elétricos?

O AutoPapo esteve na linha de produção da BorgWarner, uma fabricante de baterias e tecnologias focadas na descarbonização dos veículos, para mostrar como estas “pilhas” são fabricadas e como elas atuam nos automóveis. A marca, que é fornecedora de turbos para a Stellantis e Volkswagen, também equipa ônibus elétricos da Mercedes-Benz, que rodam como coletivos em São Paulo (SP). Ela abriu as portas do seu processo de produção para que tudo ficasse mais claro para os consumidores.

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A fábrica de Piracicaba é a responsável pelas baterias (Foto: BorgWarner | Divulgação)
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Ela é fornecedora de baterias para os ônibus Mercedes-Bens(Foto: BorgWarner | Divulgação)
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Cada modelo utiliza cerca de quatro baterias (Foto: BorgWarner | Divulgação)

Partes das baterias​


Antes de entender o processo de fabricação, é importante saber do que é composto cada parte das baterias dos veículos elétricos.

O sistema de baterias de veículos elétricos é composto por um gabinete recheado de células de energia (pilhas), que comporta também o Sistema de Gerenciamento da Bateria (BMS), peça fundamental para monitorar o sistema e levar informações até o condutor do veículo. Além destes componentes que ficam juntos existem os módulos de conexão entre as baterias (Junction box), que interligam as baterias caso haja mais de uma. E existem também as unidades de recarga de corrente direta (DCCU) e a Unidade eletrônica de controle (EDCU).

De dentro para fora, a menor parte de uma bateria BorgWarner são as células de energia. Estas pilhas são interligadas entre si e a junção de centenas delas formam um módulo de baterias. Estes módulos são praticamente as baterias e a junção de nove deles completa o conjunto que com a participação do BMS formam o gabinete ou simplesmente uma bateria de veículo elétrico.

Essa separação das partes da bateria em nove módulos tem várias importâncias, como por exemplo a praticidade de manutenção, pois se alguma célula daquele módulo falhar, basta trocar apenas ele ou até mesmo parte dele. Outra importância está na segurança. Cada módulo é equipado com paredes feitas de materiais isolantes e próprios para segurar, por exemplo, incêndios. Assim a chance da bateria sofrer menos danos é menor.

Processo de montagem​


No Brasil, a marca ainda não produz as baterias em sua totalidade. O que acontece é que por aqui as baterias chegam importadas, em sua grande maioria da Alemanha, e o desafio da empresa é de configurar os equipamentos para os veículos nacionais.

Os gabinetes equipados com os módulos chegam na fábrica de Piracicaba (SP) da BorgWarner e os técnicos locais abrem o equipamento para implantar o BMS configurado no Brasil. Depois que o equipamento é totalmente atualizado, ele é novamente fechado para poder ser enviado para os ônibus que serão instalados.

Durante a visita foi possível ver como as baterias de veículos elétricos são montadas com equipamentos de última geração, que inspecionam o trabalho dos técnicos e os impedem de falhar ou pular algum processo.

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As baterias são atualizadas pelos operadores e por ferramentas especificas Foto: BorgWarner | Divulgação)
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as ferramentas são de ultima geração (Foto: BorgWarner | Divulgação)
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Todas as partes das baterias são conferidas Foto: BorgWarner | Divulgação)
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Após as modificações elas são fechadas novamente Foto: BorgWarner | Divulgação)
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A precisão de cada movimento é monitorada Foto: BorgWarner | Divulgação)
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As baterias tem sua selagem verificada Foto: BorgWarner | Divulgação)

Funcionamento das baterias de veículos elétricos​


Quando prontas, estas baterias de veículos elétricos são enviadas aos ônibus que irão rodar na cidade de São Paulo. Cada modelo comporta de quatro a cinco baterias, além das unidades de conexão, controle e recarga.

Cada uma destas baterias opera em até 665 V e é capaz de armazenar 98 kWh de energia, o que é suficiente para que os ônibus cumpram sua rota durante todo um dia de trabalho e se recarreguem à noite para estarem aptos e totalmente carregados na manhã seguinte.

A BorgWarner também garante que a vida útil de seus equipamentos é de 4000 cílios de recarga, o que na prática chega a cerca de 8 anos de uso. Após o fim de sua vida, ela não está totalmente inutilizada, apenas com menos eficiência, e pode ser usada como bateria de bancos de recarga ou 100% recicladas. A unidade de Piracicaba ainda não faz este processo, mas outras unidades do mundo já contam com essa operação.

Segurança das baterias de veículos elétricos​


Uma das preocupações dos usuários tem sido em torno das situações de incêndio com as baterias de veículos elétricos. Diante disso, é importante destacar como a fabricante se preocupa com essas questões.

No encerramento da visita à BorgWarner, que aconteceu em novembro, executivos foram questionados quanto a suas medidas de segurança. A fabricante respondeu que além das medidas de segurança já existentes dentro das baterias, há acordos e treinamentos com os órgãos de segurança estão em pauta.

É importante falar que quando uma bateria como essas se incendeia ela começa uma combustão química e não se apaga até que todo o componente das pilhas seja consumido. Entretanto, este incêndio pode ser controlado e contido para que apenas as baterias ou até mesmo apenas um módulo seja afetado.

Futuro dos veículos elétricos​


Na ocasião, o Diretor de Sistemas de Baterias, Marcelo Rezende, também mostrou os números de crescimento da marca e anunciou que a partir do ano que vem a marca irá começar a exportar baterias para outros mercados em que a BorgWarner atua. Para isso a produção irá aumentar em até quatro vezes.

A BorgWarner tem uma visão muito clara de que a gente busca um mundo mais energeticamente eficiente e mais limpo, então nós entendemos que o caminho é a eletrificação. É um caminho, no nosso ponto de vista, sem volta, que já tem sido uma realidade em vários países, em vários lugares e que está chegando cada vez mais aqui no Brasil. Essa eletrificação, no nosso ponto de vista, vai acontecer principalmente por setores, por segmentos. Quando a gente olha especificamente para o Brasil, o nosso entendimento é de que os veículos comerciais, de família e ônibus para transporte de passageiros, são o que tem sido protagonistas na eletrificação. E por isso que a BorgWarner investiu aqui já no Brasil numa fábrica de baterias sendo protagonista no fornecimento desse tipo de produto porque com a expansão e o crescimento da produção para esse mercado que é um mercado que já é uma realidade nós entendemos que isso vai se expandir para os outros setores e a eletrificação vai acabar acontecendo também nos outros ramos e para isso que estaríamos preparados aqui em Piracicaba, fornecendo baterias e sistemas de baterias para todos os nossos clientes”, apontou o diretor, em entrevista exclusiva para o AutoPapo.

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