Notícia Volkswagen vai matar metade dos modelos; veja quais já saíram de linha

O Grupo Volkswagen anunciou uma mudança drástica em sua estratégia global e vai cortar até 50% de seu portfólio de modelos. A medida, que entra em vigor com efeito imediato, busca otimizar a operação diante de um cenário de dificuldades financeiras e de perda de mercado. Além de extinguir veículos, a montadora planeja reduzir em até 75% as opções de configuração dos carros que permanecerem em linha.

A lógica da reestruturação é concentrar esforços em produtos de maior valor — e, portanto, de margens mais expressivas —, priorizando os segmentos mais atraentes e populares e abandonando nichos que não justificam a complexidade produtiva. Hoje, o grupo mantém cerca de 150 linhas de modelos espalhadas por marcas como VW, Audi, Skoda, Seat, Cupra, Porsche, Bentley e Lamborghini. A companhia também pretende unificar suas divisões de tecnologia — plataformas, arquitetura eletrônica e software — para atender aos mercados ocidental e oriental sem duplicar sistemas.

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O movimento responde à pressão das montadoras chinesas, às tarifas dos Estados Unidos e à queda nas vendas. No segundo trimestre, as entregas globais do grupo recuaram 8,6%, o pior resultado em quatro anos, puxadas por uma queda de 36,6% na China; as ações acumulam perdas superiores a 30% em 2026. O pacote, com 12 iniciativas e metas para 2030, foi apresentado ao conselho de supervisão pelo presidente-executivo, Oliver Blume, em meio a protestos de trabalhadores nas fábricas alemãs.

O impacto já é visível. Modelos como o Touareg e a minivan Touran foram descontinuados, e o T-Roc conversível tem fim de linha marcado para 2027. A Audi segue o mesmo caminho, tirando de catálogo o A1 e o Q2, depois de já ter encerrado ícones como o TT e o R8; na Porsche, a era dos esportivos 718 Boxster e Cayman a combustão chegou ao fim.

volkswagen touareg r line 256

Paralelamente, a empresa quer limitar a capacidade produtiva anual a cerca de nove milhões de unidades, ante os cerca de 12 milhões projetados antes da pandemia — dois milhões já foram cortados. Segundo publicações como a Manager Magazin e a Automotive News, o plano poderia dobrar o número de demissões, para até 100 mil vagas até 2030, e fechar quatro fábricas na Alemanha: Hannover, Zwickau, Emden e a unidade da Audi em Neckarsulm. Oficialmente, porém, o grupo não confirma fechamentos nem cortes além dos cerca de 50 mil já acordados.

Para o mercado, a guinada chama atenção pela magnitude, sobretudo em uma companhia acostumada a portfólios vastos e multimarcas. O desfecho, no entanto, ainda depende de uma queda de braço entre acionistas: o controle do grupo está concentrado nas famílias Porsche e Piëch, enquanto o sindicato IG Metall e o estado da Baixa Saxônia, também sócios, resistem à perda de empregos.

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