Notícia Óleo de câmbio automático: troca é quase 10 vezes mais barato que uma caixa nova

Quando falamos em troca de óleo no carro a primeira coisa que vem a mente é o lubrificante do motor. Mas o câmbio automático também possui um fluído similar, chamado de ATF, que exige trocas periódicas, caso contrário o proprietário poderá receber uma conta salgada mais tarde.

O câmbio manual também possui seu óleo, mas aqui vamos focar nos automáticos. Esse tipo de caixa já representa por mais de 50% das vendas de carros novos e sua procura também cresceu no mercado de usados.

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Verificar o óleo do câmbio automático ou questionar o proprietário se as trocas foram feitas é um hábito que deve entrar na rotina de quem está procurando um carro usado.

Quando trocar o óleo de câmbio

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O prazo da troca é previsto no manual (Foto: Shutterstock)

O prazo para a troca do óleo do câmbio é determinado pelo fabricante no manual do veículo. Se não tiver com esse documento, é possível encontrá-lo no site do fabricante.

Nos câmbios automáticos convencionais a sugestão costuma ser de trocar a cada 60 mil km. Em modelos mais antigos os prazos eram menores, na faixa de 40 mil km. Também existem veículos que prometem durabilidade maior do óleo, o câmbio de 10 marchas da Ford Transit exige troca após 250 mil km.

Nos câmbios CVT também é preciso trocar o óleo, chamado de CVTF. O intervalo é mais próximo, a Honda indica fazer a cada 40 mil km nos seus carros atuais, por exemplo.

Existem marcas que só recomendam a troca no uso severo. É bom lembrar que trajetos curtos, trânsito intenso, engarrafamentos e uso majoritariamente urbano é considerado como severo.

O que acontece se não trocar o óleo do câmbio

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O carro começa a dar trancos quando o óleo está ruim (Foto: Shutterstock)

O mecânico Ludovico Ballesteros, proprietário da Pitucha Centro Automotivo, explica que esse fluído trabalha com pressão e temperatura dentro do câmbio. Com o uso ele perde as propriedades e acumula os desgaste internos da caixa automática.

Acontecendo isso começa a dar trancos nas trocas, patinação e aumenta o desgastes dos componentes, que pode terminar num problema serio, grave na transmissão.

O câmbio automático tem o óleo como um elemento essencial para o seu funcionamento. Ele trabalha de forma pressurizada e se movimento pelo componente para mudar as relações.

E a caixa só funciona com o fluído pressurizado. Por isso, quando ele perde sua propriedades o funcionamento fica irregular.

Quanto custa trocar o óleo de câmbio


A troca do óleo de câmbio não é um serviço tão simples quanto a do lubrificante do motor. É preciso ser feito em uma oficina que tenha os equipamentos necessários.

Vamos usar como exemplo o Honda Fit do repórter que vos fala, que é um dos carros automáticos usados mais procurados do mercado. O fabricante recomenda a troca a cada 60 mil km.

O serviço com a troca total do fluído saiu por cerca de R$ 1.780, incluindo a mão de obra. Já um câmbio para reposição custa cerca de R$ 10 mil, mas é uma peça usada. Se somar a mão de obra pode passar dos R$ 15 mil.

Troca total ou parcial?


Existem duas formas de trocar o óleo do câmbio automático. A mais simples é a parcial, onde o bujão é aberto e o líquido é removido por gravidade. Dessa forma não sai todo o fluído e o volume trocado é menor, cerca de 2/3 dele.

A troca total exige equipamento especializada. A Motul explica que o processo é como uma diálise, onde a máquina é conectada ao câmbio e ele é colocado para funcionar.

Durante o processo o óleo novo também limpa a caixa por dentro. Por isso, é usado também dois litros a mais. Mas no final do serviço o carro está com o fluído todo novo e evita contaminações.

Sinais de que é preciso trocar o óleo do câmbio

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Esse lubrificante é vendido pelas principais marcas do mercado (Foto: Lubrax | Divulgação)

O carro apresenta sintomas caso o óleo do câmbio não seja trocado. Ludovico diz que ele pode apresentar trancos nas trocas de marchas, atrasos, principalmente nas trocas para drive ou ré e pode até emitir um cheiro de queimado.

Também existe uma luz de aviso no painel. Insistir em rodar assim pode causar danos internos na caixa, com reparos bem caros.

Como verificar o nível do óleo de caixa

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Diferente do lubrificante do motor, esse precisa ser verificado com o motor quente (Foto: Honda)

Assim como o óleo do motor, o do câmbio automático também possui uma vareta para a verificação do nível. Ela fica mais escondida e o procedimento para a verificação é diferente.

Antes de puxá-la para ver o nível é preciso funcionar o motor do carro, até que chegue a temperatura de funcionamento. Depois desligue o motor, remova a vareta, limpe-a, coloque de volta no câmbio e remova-a para ver o nível.

O óleo do câmbio deve ser verificado com ele já aquecido, por isso tome cuidado na hora de limpar a vareta antes da verificação. Se o nível estiver abaixo do recomendado, procure uma oficina.

Atualmente a vareta do câmbio está sumida, é mais fácil achar ela em carros com mais de 10 anos, principalmente nos japoneses. Sem ela é preciso ir no mecânico para avaliar o fluído.

Câmbio automático que não exige troca de óleo

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Caixas modernas chegam seladas da fábrica e não possuem a vareta, para evitar contaminação externa (Foto: Stellantis | Divulgação)

Uma polêmica que veio com a popularização dos câmbios automáticos no Brasil é a das caixas que não exigem troca de óleo. Segundo os fabricantes, elas vêm seladas do fornecedores e o fluído tem dura toda a vida útil do veículo.

O grande problema nisso é o tempo que consideram como “vida útil do veículo”. Na Europa esse prazo é considerado como 180 mil km. Mas isso não significa que o carro irá parar de rodar após essa quilometragem, se o carro for bem cuidado ele pode rodar bem mais que isso.

Os carros que não recomendam trocar o óleo do câmbio não trazem a vareta para verificação. A caixa de marchas já vem selada de fábrica para evitar a entrada de ar no interior, para não contaminar o fluído.

Eles também utilizam um óleo ATF diferente, já pensados na longevidade maior. Roberta Teixeira, diretora de Lubrificantes da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) explica que a durabilidade maior está relacionada à evolução dos óleos básicos e da aditivação adicionada a ele:

Os fluidos long life apresentam maior resistência à oxidação, menor formação de depósitos e maior estabilidade de viscosidade, mesmo quando submetidas a temperaturas elevadas.

A evolução dos câmbios automáticos também ajudam na durabilidade, tanto que os carros que exigem trocas possuem uma periodicidade maior que os modelos mais antigos. “Os câmbios modernos contam com sistemas mais eficientes de controle eletrônico, melhor gerenciamento de temperatura e sistemas de filtragem que ajudam a reduzir a contaminação do fluido ao longo do uso”, aponta Roberta Teixeira.

O menor estresse da caixa contribuem que o óleo do câmbio dure mais. Mas a especialista comenta que o uso severo pode gerar impactos ao fluído long life:

Embora seja uma condição real por conta do avanço tecnológico, as condições de dirigibilidade nas grandes cidades vem exigido demais desses fluídos, fazendo com que a km de troca reduza para os períodos de 60 mil km a 100 mil km.

Como de costume, o uso severo é sempre um fator a ser considerado na manutenção do carro. Nem o óleo feito para durar a vida toda do veículo fica a salvo.

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