Notícia Azul patrocina a CBF, mas seleção brasileira vai para a Copa no avião dos Rolling Stones

A Azul firmou uma parceria firme com a Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo 2026. Além de patrocinar o time do Brasil, a companhia aérea fez até um voo rasante de um jato nacional — o Embraer 195-E2 — sobre as praias do Rio de Janeiro, a fim promover o jogo contra o Panamá.

Na hora de transportar os jogadores para competição, entretanto, a Azul não pôde atender à Seleção: o voo que levará jogadores e comissão técnica aos Estados Unidos não será feito por uma aeronave regular da própria frota da empresa. A delegação brasileira viajará em um Boeing 767-300 em configuração 100% VIP fretado, operado pela sul-africana Aeronexus.

O avião da CBF


O contraste chama atenção porque a Azul anunciou em abril um acordo de patrocínio com a CBF válido até 2030. A parceria transformou a empresa na companhia aérea oficial das seleções brasileiras, incluindo equipes masculinas, femininas, categorias de base, futsal, beach soccer e eSports. O contrato também prevê a possibilidade de a Azul assumir o transporte das delegações em compromissos esportivos e institucionais.

Na prática, porém, a operação internacional da Seleção exige uma aeronave muito específica. Segundo informações publicadas pelo ABC+, o contrato prevê que, em viagens desse tipo, o avião tenha pelo menos 60 lugares de classe executiva, quantidade difícil de encontrar em aviões comerciais convencionais. Por isso, o voo para os Estados Unidos será feito em um Boeing 767-300 com configuração VIP, locado e adesivado para a ocasião.

A aeronave foi fabricada em 1990, passou originalmente pela frota da polonesa LOT e depois foi convertida para uso executivo. Segundo o BNews, a reforma reduziu a capacidade original de 243 poltronas comerciais para apenas 96 assentos amplos de primeira classe. O mesmo avião já foi usado pelos Rolling Stones na turnê comemorativa de 60 anos da banda, em 2022.

Problemas com a frota

FotoAzul
Azul desfilou seu moderno jato da Embraer pelas praias do Rio; modelo eficiente não atende voos internacionais (Foto: Azul | Divulgação)

A escolha também ocorre em um momento delicado para a frota internacional da Azul. A companhia vem ajustando sua operação de longa distância após processo de reestruturação. Em fevereiro, o CEO John Rodgerson admitiu que a frota de sete modernos Airbus A330neo seria devolvida à locadora dos aviões até agosto. A Azul ponderou que receberia novos A330-900 ainda em 2026, mas a transição reduz a disponibilidade imediata de widebodies próprios para missões especiais.

Parte dessa transição já apareceu em episódios recentes. Um Airbus A330neo da Azul ficou retido em Lisboa após falha técnica em abril e não voltou ao Brasil: seguiu diretamente para o processo de devolução aos arrendadores. Segundo a AERO Magazine, a retirada da aeronave já estava programada e fazia parte do processo de reestruturação e redução de frota da companhia.

Ao mesmo tempo, a Azul recorreu a longevos Boeing 767-300ER fretados para algumas rotas internacionais, com resultados problemáticos. Em junho de 2025, um Boeing 767-300ER da EuroAtlantic, contratado para operar Recife–Madri, teve problemas técnicos em dois voos seguidos.

No segundo caso, o avião decolou com atraso, apresentou falha nos flapes e precisou retornar ao Recife; dias depois, o UOL registrou a terceira ocorrência de retorno de aeronave da Azul ao aeroporto de origem em quatro dias.

As aeronaves também são criticadas pelo acabamento antigo, com telas pequenas, comandos analógicos e ausência de cabines econômicas premium ou executivas.

Continue lendo...
 
Top