Notícia Bônus do governo para caminhões 0 km não vai ajudar em nada

A medida provisória do governo federal para estimular a venda de carros novos – o retorno dos carros populares – foi estendida ao segmento de veículos comerciais, dos semileves até os pesados e como também ônibus. De acordo com a MP, o valor total dos recursos é de R$ 700 milhões, permitindo a concessão de descontos que ficam entre R$ 33.600 e R$ 80.300, dependendo do tamanho do caminhão.

Diferente dos descontos concedidos para os carros populares, para os caminhões existem algumas regras a serem seguidas e aí que as coisas começam a ficar um pouco estranhas. Para obter o desconto, o comprador deve entregar caminhão com mais de 20 anos de fabricação. Já a concessionária que receber o caminhão usado deverá apresentar um documento para comprovar a destinação do veículo antigo para o desmonte.

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A ideia por trás dessa medida é estimular a renovação de frota. O problema é que o desconto proporcionado pelo incentivo governamental não compensa.

Se olhamos a tabela de desconto, ela fica assim:

CategoriaPBTDesconto
Semileves3,5 a 6 toneladasR$ 33,6 mil
Leves7 a 10 toneladasR$ 38 mil
Médios11 a 16 toneladasR$ 45 mil
Semipesados17 a 23 toneladasR$ 60 mil reais
Pesadosacima de 23 toneladasR$ 80,3 mil reais

Se imaginarmos uma situação na qual um motorista autônomo tenha um Mercedes-Benz L1620 6×2 ano 2002. Este modelo e é um excelente caminhão, mecânica de fácil acesso e baratae da categoria semipesado, já que o seu Peso Bruto Total e de 23 toneladas.

Segundo a tabela, ele tem um desconto de R$ 60 mil, o que você pode achar um bom valor. Porém um L1620 ano 2002 tem um valor médio no mercado de usados de R$ 180 MIL, ou seja, três vezes o valor do desconto.

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Caminhão usado 2002 ainda tem valor elevado no mercado (Foto: Reprodução da internet)

E se dono do L1620 quiser um modelo equivalente, ele teria que optar Atego 2429 6×2, que de acordo com a tabela FIPE tem o valor de R$ 613.720, ou seja, a conta não vai fechar.

Claro que o nosso caminhão de exemplo tem 21 anos de uso, o que é relativamente novo, porém, caminhões antigos ainda custam caro, e o governo não parece saber disso, nem agora, nem na antiga proposta de renovação de frota, que foi uma piada de mau gosto.

Procurada por esta coluna, a Confederação Nacional Dos Transportes Autônomos (CNTA) menciona que a medida é positiva, mas os valores não.

A Medida Provisória, em sua iniciativa, é positiva porque demonstra que o governo, de certa forma, tem preocupação com a frota envelhecida de caminhões, que é uma pauta discutida pela categoria.

Porém, em uma avaliação inicial da CNTA, a MP apresenta pontos incompatíveis com a realidade do setor, dos autônomos e do mercado de veículos pesados.

Primeiro porque o bônus por si só, desagregado de financiamento do saldo, perde a eficácia, já que o degrau financeiro entre o bônus e um veículo 0 Km é muito grande. O ideal seria um financiamento em 96 meses com juros fixos de 1% ao mês, no máximo.

Segundo porque deveria ser dada preferência para os autônomos, que tem a frota envelhecida, com média de idade de 22 anos. As empresas têm frota média de 10 anos, não precisam disso. Os recursos dessa medida poderiam ser destinados exclusivamente aos TACs”.

De certa forma, a medida parece que não vai ajudar nem quem tem um caminhão apenas, como o autônomo ou empresas de pequeno e médio porte. As empresas de grande porte já têm descontos ao realizar compras em lotes, geralmente de 50 a 200 caminhões. Além disso, as próprias empresas têm aberto revendas de caminhões seminovos. Ou seja, compra com desconto e vendem com preço de mercado, com isso a desvalorização é pequena.

Ainda vale lembrar que o desconto nos primeiros 15 dias será exclusivo para pessoa física, transportador autônomo e microempreendedor individual, microempresa e empresa de pequeno porte. Após isso, demais poderão realizar a compra.

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