O Grupo BMW, a Toyota da Europa, Bosch e Repsol iniciaram, na Espanha, um projeto-piloto para avaliar o uso de gasolina 100% renovável em veículos já em circulação. Com duração de seis meses, a iniciativa busca demonstrar que a tecnologia pode contribuir para a redução das emissões de CO₂ sem exigir alterações nos motores ou na infraestrutura de abastecimento existente.
Os testes começaram no início de julho e envolvem cerca de 20 veículos das marcas BMW, Toyota e Lexus, abastecidos exclusivamente com a gasolina renovável Nexa 95, produzida pela Repsol a partir de matérias-primas renováveis e em conformidade com a diretiva europeia de energias renováveis (RED) e a norma EN 228. O combustível é compatível com os atuais motores a gasolina e pode ser distribuído pelos mesmos postos e redes logísticas dos combustíveis convencionais, o que o coloca na categoria dos chamados drop-in, que não exigem adaptação do carro.
A Espanha foi escolhida para sediar o projeto por ser o único país onde a Repsol já comercializa esse combustível em postos abertos ao público. Para dar segurança aos dados, o piloto conta com o sistema Digital Fuel Twin, da Bosch, que registra informações dos veículos, dos postos e das transações de pagamento para garantir a rastreabilidade de todo o ciclo do combustível e servir de base para futuras regulamentações.
Diferentemente dos combustíveis sintéticos (os e-fuels), produzidos a partir de hidrogênio e CO₂ capturado — um processo ainda caro e difícil de escalar —, a Nexa 95 é um biocombustível. Ela é fabricada no complexo industrial da Repsol em Tarragona, a partir de matérias-primas biogênicas: resíduos agrícolas, florestais e orgânicos, além de outros resíduos de biomassa.
A lógica ambiental está no balanço de carbono. Como as plantas que originam esses resíduos absorveram CO₂ durante o crescimento, boa parte das emissões liberadas na queima é compensada na origem. Por isso a Repsol afirma que o combustível reduz em mais de 70% as emissões líquidas de CO₂ em relação à gasolina fóssil, medidas no ciclo do poço à roda. O produto levou mais de dois anos de desenvolvimento, em parceria com a Honeywell, cumpre a norma europeia EN 228 e recebeu uma formulação com efeito “Keep Clean”, pensada para manter limpos o sistema de injeção e as válvulas do motor.
No lançamento ao público, em outubro de 2025, a Repsol posicionou a Nexa 95 cerca de nove centavos de euro por litro acima da gasolina comum de 95 octanas, mas quatro centavos abaixo da gasolina premium de 98 octanas. Na prática, é um sobrepreço pequeno para um combustível que dispensa qualquer troca de carro ou de hábito de abastecimento.
O gargalo, por enquanto, é a escala. A gasolina renovável está disponível em poucas dezenas de postos espanhóis, com expansão prevista para cidades como Valência, Saragoça e Bilbao. A Repsol projeta que os combustíveis 100% renováveis possam cobrir 30% da demanda europeia por gasolina até 2030 e até 65% em meados do século, apoiada na abertura de novas plantas — entre elas uma segunda unidade em Puertollano, com capacidade de 200 mil toneladas por ano.
Segundo as empresas participantes, os dados obtidos durante o projeto serão compartilhados com órgãos reguladores da União Europeia e demais entidades do setor automotivo. O objetivo é reforçar que os combustíveis renováveis podem complementar a eletrificação na descarbonização do transporte e reduzir emissões da atual frota de veículos a combustão, num momento em que cresce o debate sobre a proibição da venda de carros novos a combustão prevista para 2035 na Europa.
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Os testes começaram no início de julho e envolvem cerca de 20 veículos das marcas BMW, Toyota e Lexus, abastecidos exclusivamente com a gasolina renovável Nexa 95, produzida pela Repsol a partir de matérias-primas renováveis e em conformidade com a diretiva europeia de energias renováveis (RED) e a norma EN 228. O combustível é compatível com os atuais motores a gasolina e pode ser distribuído pelos mesmos postos e redes logísticas dos combustíveis convencionais, o que o coloca na categoria dos chamados drop-in, que não exigem adaptação do carro.
A Espanha foi escolhida para sediar o projeto por ser o único país onde a Repsol já comercializa esse combustível em postos abertos ao público. Para dar segurança aos dados, o piloto conta com o sistema Digital Fuel Twin, da Bosch, que registra informações dos veículos, dos postos e das transações de pagamento para garantir a rastreabilidade de todo o ciclo do combustível e servir de base para futuras regulamentações.
Como a gasolina renovável é fabricada
Diferentemente dos combustíveis sintéticos (os e-fuels), produzidos a partir de hidrogênio e CO₂ capturado — um processo ainda caro e difícil de escalar —, a Nexa 95 é um biocombustível. Ela é fabricada no complexo industrial da Repsol em Tarragona, a partir de matérias-primas biogênicas: resíduos agrícolas, florestais e orgânicos, além de outros resíduos de biomassa.
A lógica ambiental está no balanço de carbono. Como as plantas que originam esses resíduos absorveram CO₂ durante o crescimento, boa parte das emissões liberadas na queima é compensada na origem. Por isso a Repsol afirma que o combustível reduz em mais de 70% as emissões líquidas de CO₂ em relação à gasolina fóssil, medidas no ciclo do poço à roda. O produto levou mais de dois anos de desenvolvimento, em parceria com a Honeywell, cumpre a norma europeia EN 228 e recebeu uma formulação com efeito “Keep Clean”, pensada para manter limpos o sistema de injeção e as válvulas do motor.
É uma ideia viável?
No lançamento ao público, em outubro de 2025, a Repsol posicionou a Nexa 95 cerca de nove centavos de euro por litro acima da gasolina comum de 95 octanas, mas quatro centavos abaixo da gasolina premium de 98 octanas. Na prática, é um sobrepreço pequeno para um combustível que dispensa qualquer troca de carro ou de hábito de abastecimento.
O gargalo, por enquanto, é a escala. A gasolina renovável está disponível em poucas dezenas de postos espanhóis, com expansão prevista para cidades como Valência, Saragoça e Bilbao. A Repsol projeta que os combustíveis 100% renováveis possam cobrir 30% da demanda europeia por gasolina até 2030 e até 65% em meados do século, apoiada na abertura de novas plantas — entre elas uma segunda unidade em Puertollano, com capacidade de 200 mil toneladas por ano.
Segundo as empresas participantes, os dados obtidos durante o projeto serão compartilhados com órgãos reguladores da União Europeia e demais entidades do setor automotivo. O objetivo é reforçar que os combustíveis renováveis podem complementar a eletrificação na descarbonização do transporte e reduzir emissões da atual frota de veículos a combustão, num momento em que cresce o debate sobre a proibição da venda de carros novos a combustão prevista para 2035 na Europa.
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