Notícia Brasileiro quer tecnologia no carro, mas ainda teme elétricos

Estudo aponta que qualidade, desempenho e custo-benefício lideram a decisão de compra no Brasil, elétricos ainda geram dúvidas

A transformação da indústria automotiva está mudando também o comportamento do consumidor brasileiro. Embora os veículos eletrificados ganhem espaço no mercado, a infraestrutura de recarga ainda é um dos principais obstáculos para quem pensa em migrar para um modelo elétrico.

É o que mostra a edição 2026 do Global Automotive Consumer Study, levantamento realizado pela Deloitte com mais de 28 mil consumidores em 27 países. No Brasil, mil pessoas participaram da pesquisa, revelando um comprador cada vez mais atento à tecnologia embarcada, à conectividade e à relação entre custo e benefício.

Apesar do crescimento nas vendas de veículos eletrificados, os modelos movidos a gasolina e diesel continuam sendo a preferência da maioria dos brasileiros. Segundo o estudo, 51% dos entrevistados pretendem adquirir um veículo com motor a combustão na próxima compra. Já os híbridos aparecem na segunda posição, com 21% da preferência.

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Infraestrutura de recarga ainda preocupa

O avanço dos veículos elétricos esbarra em um desafio conhecido: a disponibilidade de pontos de recarga. A pesquisa aponta que 37% dos brasileiros consideram a infraestrutura de carregamento uma das principais preocupações na hora de avaliar um veículo elétrico. Além disso, 93% esperam realizar a recarga em locais privados, como residências ou locais de trabalho.

O problema é que a realidade ainda está distante desse cenário. Entre os consumidores que pretendem carregar o veículo em casa, 67% afirmam não possuir carregador residencial.

Além da infraestrutura, outros fatores influenciam a decisão de compra. O custo de substituição das baterias preocupa 33% dos entrevistados, enquanto autonomia e tempo de carregamento aparecem como preocupação para 31% dos consumidores.

Qualidade pesa mais que preço

Quando o assunto é trocar de carro, o consumidor brasileiro demonstra critérios bastante definidos. A qualidade do veículo lidera os fatores mais importantes na decisão de compra, citada por 65% dos entrevistados. O desempenho aparece logo atrás, com 56%, seguido pelo preço, mencionado por 44%.

O levantamento também mostra que os brasileiros estão menos ligados à fidelidade de marca do que consumidores de outros mercados. Mais da metade dos entrevistados afirmou que pretende considerar fabricantes diferentes na próxima compra, desde que o produto ofereça melhor custo-benefício e atenda às suas necessidades.

Redes sociais ganham força na decisão de compra

A forma de pesquisar um novo veículo também está mudando. No Brasil, as redes sociais e avaliações feitas por influenciadores digitais já ocupam a segunda posição entre as principais fontes de informação para quem pretende comprar um automóvel.

Segundo o estudo, 44% dos entrevistados consultam conteúdos publicados em redes sociais antes de tomar uma decisão. Apenas a visita presencial às concessionárias aparece à frente, com 58%. O resultado reforça a importância crescente do ambiente digital na jornada de compra dos consumidores.

Carro conectado ganha espaço

A pesquisa também mostra uma forte aceitação dos brasileiros em relação aos veículos definidos por software, conceito que reúne automóveis capazes de receber atualizações remotas e incorporar novas funções digitais ao longo do tempo.

Para 64% dos entrevistados, esse tipo de tecnologia agrega valor ao produto. Além disso, 68% afirmam que utilizariam recursos personalizados por inteligência artificial, como ajustes automáticos de climatização, posição dos bancos e preferências de condução.

Outro dado relevante mostra que 76% dos brasileiros consideram o ecossistema digital do veículo tão importante quanto o de seus smartphones.

Segurança lidera interesse por serviços conectados

Entre os recursos pelos quais os consumidores estariam dispostos a pagar mensalmente, os serviços ligados à segurança aparecem no topo da lista. O rastreamento anti-furto foi citado por 85% dos entrevistados, enquanto sistemas de assistência emergencial receberam aprovação de 81%.

Por outro lado, o compartilhamento de dados ainda gera preocupação. Cerca de 60% dos brasileiros demonstram receio em relação ao uso de informações como localização, dispositivos conectados e câmeras internas.

O estudo indica que o consumidor brasileiro está cada vez mais aberto à inovação, mas continua exigindo soluções práticas para questões como infraestrutura, segurança e transparência no uso de dados. Para fabricantes e concessionárias, o desafio será equilibrar tecnologia, confiança e conveniência em um mercado cada vez mais conectado.



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