Notícia Carro elétrico pegou fogo? Entenda os riscos reais e o que é apenas desinformação

Em abril de 2026, a venda de automóveis novos atingiu o maior patamar dos últimos 13 anos, com grande destaque para a comercialização de carros elétricos, que teve um crescimento de 173,75%, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Apesar dos modelos movidos a bateria já terem caído nas graças do consumidor brasileiro, ainda existem mitos e desinformações, especialmente quando relatos de incêndios entram em cena.

Nos últimos meses, vários casos de carros elétricos que pegaram fogo tiveram repercussão na mídia, levantando questionamentos e receio por parte dos condutores. Nesta matéria você entende de uma vez por todas o que é fato quando o assunto é carro elétrico e seus possíveis riscos com relação à incêndios e recargas.

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Por que o carro elétrico pega fogo? O que faz as chamas se iniciarem?


O carro elétrico, da mesma forma que outros tipos de automóveis, está sujeito a causas comuns de incêndio, como curto-circuitos em sistemas auxiliares, falhas mecânicas, vandalismo ou até fontes externas de fogo. Mas, ele possui um fator extra: a bateria, peça principal do veículo.

Quando as chamas atingem ou se iniciam nesse componente, o incêndio tem um agravante. Essa situação pode ser causada por:

  • Dano físico em uma colisão, por exemplo, com deformações ou perfurações que podem provocar curtos internos;
  • Carregamento de risco, quando há uso de equipamentos inadequados, não homologados ou em caso de instalações elétricas que não estão adaptadas para recarga de um veículo;
  • Falhas internas da peça, que são mais raras e costumam ser resultado de defeito de fabricação.

Qual a probabilidade de um carro elétrico pegar fogo?


Mesmo chamando muita atenção, os incêndios de veículos elétricos ainda são exceção se comparados com os casos envolvendo carros a combustão, criando um certo alarmismo em torno desses modelos.

No geral, os veículos eletrificados comercializados no Brasil já possuem tecnologias que protegem a bateria, peça principal do veículo e que apresenta maior perigo de incêndio. Os modelos elétricos e híbridos possuem sistemas de gerenciamento de temperatura dessa fonte de energia para mantê-la nas condições ideais de funcionamento. Também existem barreiras físicas e proteções químicas para evitar que uma pane em uma célula, por exemplo, leve a um incêndio.

Mas, ainda é possível que as chamas atinjam esse componente do veículo, seja a partir de uma recarga improvisada, como foi o caso do BYD Dolphin que pegou fogo em Santa Maria (RS), ou surgindo de alguma falha do modelo. E quando isso acontece há um grande risco.

Diferenças entre um incêndio de veículo eletrificado e de um modelo a combustão


De acordo com o Tenente Henrique Barcellos, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), se um incêndio de carro elétrico atingir sua bateria, serão exigidos muito mais recursos para conter o fogo em comparação a um automóvel a combustão. Isso porque as chamas irão perdurar até que todo o componente seja consumido. Dessa forma, o volume de água necessário para combater esse tipo de chama é centenas de vezes superior.

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Quando o incêndio atinge a bateria de um carro elétrico, o fogo irá perdurar até que todo o componente seja consumido. (Foto: Morris Township Volunteer Fire Company | Reprodução)

Em consequência disso, o tempo necessário para apagar o incêndio também será bem maior, além de que pode ser liberada uma fumaça tóxica no local, o que é extremamente perigoso em locais fechados. Segundo, outro fator dificultador é que a água precisa penetrar satisfatoriamente nas células das baterias, que por seu processo de construção e atendendo a princípios de segurança, são bem protegidas.

O sistema de alta voltagem desse tipo de automóvel também é um diferencial. Em caso de sinistro, ele precisa ser desligado, mediante o processo da retirada do tampão de serviço e retirada dos fusíveis da bateria. Após este procedimento, ainda há que se aguardar cerca de dez minutos para que seja desativada a alta voltagem.

Recarga de carros elétricos pode ser situação de alto risco de incêndio


Se você é proprietário de um carro elétrico é preciso tomar muito cuidado onde você recarrega o seu veículo. Apesar de não haver um padrão nacional de segurança, é fundamental que as instalações de carregadores, em residências ou locais públicos, sejam feitas de forma correta e supervisionadas por um profissional ou pelo Corpo de Bombeiros para garantir o seu funcionamento correto sem nenhum risco.

Segundo o Tenente Henrique Barcellos do CBMMG, quando as estações de carregamento estão em desacordo com as normas técnicas ou sob funcionamento improvisado, podem gerar os riscos de superaquecimento e incêndio, acompanhados de fumaça tóxica.

carro elétrico mercedes benz eqa explode e pega fogo

O maior risco de incêndio de carros elétricos vem de recargas improvisadas ou instalações de carregadores irregulares.

Normas para instalação de carregadores de carros elétricos ainda não são universais, mas são importantes


Entidades como o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (CNCGBM | Ligabom) têm orientações próprias publicadas sobre a instalação de carregadores. O Confea estabeleceu a edição 2025 da nota técnica provisória batizada de “Diretrizes para instalação de pontos de recarga de veículos elétricos em edificações”.

Apesar de possuir um caráter temporário, o documento reúne recomendações atualizadas e prevê a obrigatoriedade de sistemas de detecção de incêndio, planos de gerenciamento de riscos, protocolos de inspeção e manutenção periódica. Isso tudo levando em conta normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entre outras regras estabelecidas por instituições como o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Corpo de Bombeiros, entre outros.

Tadeu Azevedo, diretor da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), afirma que no caso da instalação de carregadores em condomínios, a maneira mais fácil e segura de ter um carregador é criar uma rede de distribuição de energia elétrica. Ela deve estar conectada à rede das áreas comuns com balanceamento de carga, gerenciada e mantida pela empresa de instalação contratada. Essa companhia deve ter a responsabilidade técnica pelo sistema e fazer a individualização de consumo para cada morador.

Enquanto isso, a Diretriz nacional sobre ocupações destinadas a garagens e locais com sistemas de alimentação de veículos elétricos (Save) formulada pelo CNCGBM | Ligabom também estabelece parâmetros mínimos de segurança contra incêndio e controle de riscos. O documento cria regras gerais e específicas para garagens em áreas externas e para edificações novas ou já existentes com necessidade de projeto técnico.

De forma geral, os estudos atuais destacam a importância de evitar o princípio de incêndio e de diminuir os possíveis danos.

O que fazer se um carro elétrico pegar fogo


Em primeiro lugar, existe um cuidado que reduz muito as chances de um incêndio de carro elétrico: seguir as normas do fabricante. Além de instalar várias tecnologias para evitar as chamas, as montadoras de veículos eletrificados determinam algumas regras, que não são nada de outro mundo, acerca do uso correto do automóvel. Você pode encontrá-las no manual do proprietário.

Mas, se mesmo com todas essas precauções houver um incêndio em um carro elétrico, é preciso, antes de tudo, garantir a própria proteção. De acordo com o Tenente Barcellos, a ação mais prudente é se afastar dos riscos associados aos incêndios, como possíveis pequenas explosões.

Caso o incêndio tenha se iniciado com o carro em movimento, é essencial:

  1. Parar o veículo o quanto antes;
  2. Se possível, busque estacioná-lo em local isolado para que não haja riscos secundários, como a propagação das chamas para outros veículos ou edificações;
  3. Acione imediatamente o Corpo de Bombeiros para socorro;
  4. Caso o incêndio esteja em um estágio inicial, o uso de extintores pode ser eficaz;
  5. Ao utilizar o extintor, mantenha distância segura, sinalize o local para evitar novos acidentes.

Se o carro elétrico pegar fogo, mas as chamas não forem provenientes ou não atingirem as baterias, o combate pode ser feito de forma mais semelhante aos incêndios de carros a combustão. Os cuidados adicionais vão ser tomados pelos bombeiros se a fonte de energia for envolvida.

Como mencionado anteriormente, o carro elétrico possui um sistema de alta voltagem, que necessita, em situações emergenciais, de ser desligado. O porta-voz do CBMMG destaca que realizar essa tarefa, porém, vai depender do estágio em que se encontra o incêndio, pois, se já houver chamas, esse tipo de procedimento só deve ser realizado pelos Corpo de Bombeiros, devidamente protegidos com seus equipamentos de proteção individual (EPI).

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