Notícia Chevrolet Agile: um carro controverso vendido por apenas 5 anos

O Chevrolet Agile chegou ao mercado brasileiro com a missão de enfrentar modelos já consolidados, como Volkswagen Fox, Fiat Punto e Renault Sandero. A proposta era ambiciosa: conquistar consumidores dos concorrentes oferecendo mais espaço interno, bom nível de acabamento e um porta-malas generoso para a categoria, com cerca de 327 litros de capacidade.

VEJA TAMBÉM:


Algumas qualidades do projeto eram inegáveis. O espaço disponível para motorista e passageiros agradava, assim como o bom aproveitamento interno. No entanto, na prática, a disputa se mostrou mais difícil do que a Chevrolet imaginava.

chevrolet agile LTZ 2010 vermelho frente parado

Fabricado na Argentina, o Agile foi equipado apenas com motor 1.4 de 102 cv

Lançado em 2009, o Agile trazia um design bastante controverso. Grande parte dos consumidores considerava o modelo desproporcional, principalmente devido aos faróis de grandes dimensões e às bitolas estreitas combinadas com pneus relativamente finos. O resultado visual dividia opiniões e acabava desfavorecendo o hatch diante de rivais que apresentavam linhas mais harmoniosas e agradáveis.

Produzido na fábrica de Rosário, na Argentina, o modelo utilizava o conhecido motor 1.4 Flex da Família 1. O propulsor entregava 102 cv quando abastecido com etanol e 98 cv com gasolina. O torque, de aproximadamente 13,5 mkgf com etanol, garantia desempenho satisfatório no trânsito urbano e respostas razoáveis em ultrapassagens.

Por outro lado, o veterano motor da Família 1 já carregava um problema conhecido: o consumo elevado de combustível. Essa característica desagradava muitos proprietários e gerava reclamações frequentes no pós-venda.

Outro ponto bastante criticado era o sistema de injeção eletrônica. Falhas envolvendo sensores e a sonda lambda faziam com que a luz de advertência da injeção acendesse com frequência no painel. O problema acompanhou o modelo durante praticamente toda sua trajetória, de 2009 até o encerramento de sua produção, em 2014.

Agile é um poço de reclamações


As reclamações não paravam por aí. O excesso de peças plásticas no acabamento interno gerava ruídos constantes e, em alguns casos, até descolamentos de componentes. Muitos proprietários também relatavam dificuldades nos engates das marchas, que podiam se mostrar imprecisos ou exigir esforço acima do normal.

Grande parte dessas queixas estava relacionada ao trambulador, mecanismo responsável por transmitir os movimentos da alavanca ao câmbio. Com o surgimento de folgas, os engates tornavam-se menos precisos e comprometiam a experiência de condução.

chevrolet agile wi fi interior painel

Transmissão manual apresentava desgaste acelerado e irritava os proprietários

As suspensões também figuravam entre os principais motivos de reclamação. Diversos proprietários relatavam ruídos prematuros e desgaste acelerado de componentes, especialmente em pisos irregulares.

Além disso, o Agile carregava uma estrutura baseada em uma plataforma já bastante antiga. Essa característica ficou evidente nos testes de impacto realizados em 2013. Na avaliação do Latin NCAP, a versão sem airbags recebeu zero estrela em proteção para ocupantes adultos.

Os técnicos responsáveis pelos testes apontaram ainda instabilidades estruturais na carroceria durante o impacto frontal, situação que poderia aumentar o risco de ferimentos graves aos ocupantes. Todos esses fatores contribuíram para desgastar ainda mais a imagem do modelo perante o consumidor brasileiro.

Vendas mornas


As vendas, que nunca chegaram a empolgar, começaram a perder força de maneira cada vez mais acentuada. Nem mesmo a boa lista de equipamentos de série conseguiu reverter a situação.

Ao mesmo tempo, a Chevrolet já preparava seu sucessor natural. Lançado em 2012, o Onix começou gradualmente a ocupar o espaço que o Agile pretendia conquistar. Mais moderno, mais atraente visualmente e melhor alinhado às expectativas do mercado, o novo hatch rapidamente assumiu o protagonismo dentro da marca. Diante desse cenário, ficou fácil para a Chevrolet retirar o Agile de linha e concentrar seus esforços no Onix.

chevrolet gpix concept branco frente

Acredite, o Agile foi inspirado no conceito GPX

O Agile nasceu com a proposta de ser um carro acessível, mas acabou tentando disputar espaço em uma faixa de mercado para a qual seu projeto não parecia plenamente preparado. Baseado em uma plataforma simples, equipado com uma mecânica já envelhecida e carregando problemas recorrentes de acabamento, consumo e eletrônica, o modelo encontrou dificuldades para sustentar sua posição diante dos concorrentes.

Hatch era menos do que se oferecia


Talvez o maior problema tenha sido justamente esse desalinhamento entre a proposta original do carro e o segmento que a Chevrolet desejava ocupar. Em 2014, após apenas cinco anos de mercado, o Agile se despediu discretamente.

Seu sucessor, o Onix, seguiria um caminho completamente diferente, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais da história da indústria automobilística brasileira. Já o Agile permanece como uma das experiências mais controversas da Chevrolet em nosso mercado. Mais uma das curiosas histórias da indústria automobilística nacional.

Continue lendo...
 
Top