Iniciativa busca democratizar o conhecimento básico sobre o carro para dar mais segurança às mulheres na hora da manutenção
Levar o carro para uma oficina ainda é uma situação que gera insegurança para muitas motoristas. Dúvidas sobre o diagnóstico, receio de pagar por serviços desnecessários e a falta de conhecimento técnico fazem parte da realidade de muitas mulheres que buscam atendimento para seus veículos.
Com o objetivo de mudar esse cenário, a comunidade Dona Meu Destino tem investido em cursos presenciais de mecânica básica voltados exclusivamente ao público feminino. A proposta é mostrar que não é preciso ser especialista para compreender o funcionamento do automóvel e tomar decisões mais conscientes durante a manutenção.
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Se você curte carros, siga no Insta: @revistacarroConhecimento para reduzir insegurança nas oficinas
Vittoria Gabriela, engenheira e fundadora da comunidade, defende que conhecer os principais componentes do veículo faz diferença na relação entre cliente e oficina.
Segundo ela, quando a motorista entende o básico sobre o funcionamento do carro, passa a questionar diagnósticos, pedir explicações e participar mais ativamente das decisões sobre os reparos.
Entre as principais orientações apresentadas nos cursos está a importância de solicitar explicações claras sobre o problema identificado. Sempre que possível, a recomendação é pedir que o mecânico mostre a peça substituída e explique, de forma simples, o motivo da troca.
Outro conselho é evitar decisões tomadas sob pressão. Em situações que envolvem serviços de maior valor, buscar uma segunda opinião pode ajudar a confirmar o diagnóstico antes da aprovação do orçamento.
Sempre bom saber
A engenheira também recomenda pesquisar previamente os preços de peças e serviços. Ter uma referência dos valores praticados no mercado permite avaliar melhor os orçamentos e identificar cobranças incompatíveis.
Outra orientação é desconfiar de diagnósticos muito amplos quando não houver uma justificativa técnica clara para a substituição de diversos componentes. De acordo com Vittória, esse tipo de situação costuma aparecer entre os relatos compartilhados pelas participantes dos cursos.
Ela destaca ainda que conhecimentos básicos, como interpretar as luzes do painel, identificar ruídos incomuns e entender a função dos principais itens do veículo, já contribuem para que a motorista se sinta mais segura diante da manutenção.
Comunidade quer ampliar atuação
O interesse pelo tema também tem crescido nas redes sociais. Além da comunidade formada por quase um milhão de seguidoras, o projeto realizou, em 2026, três turmas presenciais de mecânica básica para mulheres. Cada edição reuniu aproximadamente 100 participantes, totalizando cerca de 300 mulheres capacitadas ao longo do ano.
Agora, a expectativa é expandir a iniciativa para outras regiões do país. Além de novas turmas em São Paulo, o projeto pretende chegar a cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte por meio de parcerias com empresas interessadas em incentivar o acesso à informação sobre manutenção automotiva.
Para Vittória, a procura pelos cursos revela uma demanda que durante muito tempo ficou sem atendimento. Segundo ela, o setor automotivo historicamente foi visto como um ambiente predominantemente masculino, o que afastou muitas mulheres do acesso ao conhecimento técnico.
Na avaliação da engenheira, oferecer espaços de aprendizado sem julgamentos contribui para ampliar a autonomia das motoristas, tornando-as mais preparadas para lidar com situações do dia a dia e mais confiantes na hora de levar o veículo para uma oficina.
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