Notícia Guia de compra: escolha de picape deve considerar tamanho e uso

Nunca foi tão fácil ter uma picape. As opções no mercado brasileiro são amplas e atendem aos mais diferentes tamanhos, com a vantagem de que agora elas trazem o mesmo nível de tecnologia que um carro de passeio. No entanto, ter uma caminhonete exige atenção do consumidor, já que o convívio diário ainda é bem diferente do de um sedã ou de um SUV.

Se você nunca teve uma caminhonete e está cogitando comprar uma, leia este guia com atenção. Dependendo do seu perfil de uso, pode ser muito melhor levar um SUV para casa ou, no mínimo, trocar a ideia de uma picape média sobre chassi por um modelo monobloco como, por exemplo, Fiat Toro ou Ford Maverick.

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Tamanho e manobrabilidade

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A picape é sempre mais longa e tem entre-eixos maior, isso dificulta as manobras (Foto: Chevrolet | Divulgação)

As picapes — principalmente as de cabine dupla — são veículos longos por natureza, pois precisam acomodar os ocupantes e ainda oferecer um espaço generoso para carga. Essa lógica vale até para as compactas derivadas de hatches. Veja a comparação abaixo:

CarroComprimentoEntre-eixos
Fiat Argo4,03 m2,52 m
Fiat Strada4,48 m2,73 m
Toyota Corolla4,63 m2,70 m
Fiat Toro4,95 m2,98 m
Chevrolet S105,40 m3,09 m

Repare como a Fiat Strada já é 45 cm mais longa que um Fiat Argo, e seu entre-eixos supera o de um Toyota Corolla. Enquanto isso, a intermediária Toro beira os 5 metros de comprimento, e a Chevrolet S10 consegue ser maior do que o clássico Ford Landau.

E não é apenas o porte que desafia o motorista no dia a dia: o entre-eixos longo cobra o seu preço na hora das manobras. O diâmetro de giro da Toro, por exemplo, é de 12,3 metros, enquanto o Corolla precisa de apenas 11,6 metros para dar uma volta completa.

As médias também são consideravelmente mais largas: a Chevrolet S10 tem 1,87 m de largura, e modelos mais recentes, como a Fiat Titano, encostam nos 2 metros. Se você mora em prédio, verifique bem as medidas da vaga e o espaço disponível nos corredores da garagem antes de fechar o negócio.

Felizmente, as picapes atuais contam com sensores de estacionamento e câmeras de ré — as versões de topo trazem até câmeras 360°. Isso ajuda muito na condução, mas lembre-se: a tecnologia facilita a manobra, mas não diminui o tamanho do carro.

Caçamba não é porta-malas

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A caçamba é maior que um porta-malas, mas entra poeira e chuva mesmo com capota (Foto: Fiat | Divulgação)

A caçamba de uma caminhonete foi projetada para o transporte de cargas e, por isso, não possui vedação hermética. Existe propositalmente um vão livre entre a tampa e a estrutura para facilitar o escoamento de água e a limpeza.

Por conta disso, a capota marítima tradicional não oferece uma vedação perfeita: poeira e água sempre vão encontrar um caminho para entrar, sendo a junção próxima à cabine o ponto mais crítico. Essa limitação também se aplica às tampas rígidas de fibra, como a da Fiat Toro Ultra.

A Chevrolet buscou mitigar esse problema na geração atual da Montana, focando em quem usa o modelo como carro de passeio. A capota original de fábrica veda acima da média da categoria quando nova, mas ainda não é infalível.

Para viajar com a família sem surpresas, a solução é recorrer a bolsas impermeáveis de caçamba. O mercado de acessórios até oferece canaletas adicionais para escoamento de água, mas elas não resolvem o problema da poeira em estradas de terra.

Espaço interno

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O banco traseiro é apertado e mais vertical (Foto: RAM | Divulgação)

Mesmo com dimensões externas imponentes, as caminhonetes de cabine dupla não são referências em espaço para quem viaja no banco de trás. A Chevrolet Montana, por exemplo, é visivelmente mais apertada para os passageiros do que o SUV Tracker. O mesmo cenário se repete ao comparar a Fiat Toro com o Jeep Renegade, modelos que compartilham a mesma plataforma.

Além do espaço reduzido para as pernas, o encosto do banco traseiro costuma ser mais vertical e o assoalho é mais elevado devido à arquitetura do veículo. Em viagens longas, essa postura mais ereta se torna cansativa, especialmente para os passageiros mais altos.

Embora as picapes médias atuais ofereçam acomodações melhores do que no passado, elas ainda passam longe do conforto de um sedã. Conforto pleno na segunda fileira só é uma realidade nas picapes grandes importadas dos Estados Unidos, como a Ford F-150 e a Chevrolet Silverado.

Conforto

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A suspensão feita para o trabalho cobra seu peso no conforto ao rodar e quica em pisos ruins quando vazia (Foto: Volkswagen | Divulgação)

A suspensão de um utilitário é desenvolvida para suportar carga pesada. Ela precisa ser rígida para não baixar excessivamente quando o veículo está carregado e para garantir uma boa distribuição de peso. O grande desafio das picapes médias é o uso do feixe de molas na traseira que, além da firmeza extrema, faz a traseira “quicar” bastante quando a caçamba está vazia.

Esse comportamento melhorou bastante com a evolução da engenharia. A Fiat Strada atual, por exemplo, entrega um excelente equilíbrio entre firmeza e conforto. Entre as médias, a Ford Ranger e a Chevrolet S10 são as referências dinâmicas da categoria, mas ainda dão os seus pequenos saltos em pisos irregulares quando rodam sem carga.

Essa rigidez estrutural é perceptível até em modelos com molas helicoidais. Um ótimo teste é dirigir uma Fiat Toro com motor flex e, logo em seguida, a versão a diesel. Como as configurações a diesel precisam dar conta de 1 tonelada de capacidade de carga (contra os 650 kg da flex), a suspensão é consideravelmente mais firme — receita que se repete na Ram Rampage.

Nesse aspecto, a Chevrolet Montana é a que mais se aproxima de um veículo de passeio. Sua suspensão traseira adota molas helicoidais e sua capacidade de carga é de 600 kg, entregando um rodar muito parecido com o do Tracker.

Dirigibilidade

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As intermediárias parecem carros de passeio, mas as médias com chassi são veículos de dois andares e exigem cuidado nas curvas (Foto: Ford | Divulgação)

dinâmica veicular de uma picape se distancia de um carro convencional em vários aspectos. Começando pelas compactas com tração dianteira, a distribuição de peso é o primeiro diferencial.

Com a traseira leve, há uma tendência maior ao subesterço (a famosa “saída de frente”) e o entre-eixos longo reduz a agilidade em mudanças rápidas de trajetória. Quando carregadas, elas ganham equilíbrio dinâmico, mas o peso extra eleva a distância de frenagem e exige mais dos pneus nas curvas.

Já as picapes médias sobre chassi são verdadeiros “veículos de dois andares”. Tanto a posição de dirigir quanto o centro de gravidade são elevados, reduzindo a estabilidade lateral. Os limites de aderência são consideravelmente menores e a calibração da direção é mais lenta e desmultiplicada.

Como a grande maioria das médias utiliza tração traseira quando roda no asfalto, o controle em situações de emergência muda completamente: uma eventual perda de aderência traseira exige uma correção por contraesterço. Se você nunca dirigiu uma picape média, não é recomendável desativar o controle de tração e estabilidade em vias públicas – a não ser em situações específicas.

Custos elevados

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Peças, manutenção e o seguro são bem caros nas picapes (Foto: Marcelo Jabulas | AutoPapo)

A grande cartada das picapes compactas e intermediárias derivadas de carros é que o custo de manutenção acompanha o de seus equivalentes de passeio. Embora pneus e alguns componentes específicos de suspensão sejam mais caros, os valores gerais de revisão não assustam quem já está acostumado com um SUV.

O orçamento começa a subir quando o modelo é equipado com motor turbodiesel, como ocorre em versões da Fiat Toro e da Ram Rampage. Os motores modernos com sistemas de pós-tratamento de gases são complexos e extremamente sensíveis ao diesel de má qualidade. Abastecer apenas em postos de extrema confiança é uma regra obrigatória para evitar quebras caríssimas.

No segmento das médias, as peças de reposição são caras de forma generalizada por se tratarem de componentes superdimensionados para o trabalho pesado. Os pneus são outro ponto crítico: substituir um único pneu de uma picape média pode custar o equivalente a um jogo completo de um hatch compacto.

Para completar o cenário de custos, o seguro costuma ser elevado. As caminhonetes médias figuram constantemente entre os veículos mais visados por criminosos no Brasil — com destaque para a Toyota Hilux —, o que joga o preço das apólices para cima.

Considere um SUV ou um sedã

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Dependendo do uso, um SUV com porta-malas grande pode atender bem (Foto: Renault | Divulgação)

Se o seu desejo por uma picape é puramente estético, coloque na balança todos os pontos negativos apontados, especialmente se estiver de olho em um modelo médio. Caso a preferência pelo visual utilitário fale mais alto, dê prioridade às intermediárias em monobloco, como a Fiat Toro, Ram Rampage ou Ford Maverick, que oferecem uma experiência ao volante muito mais próxima à de um carro e manutenção previsível.

Por outro lado, se o seu objetivo principal é ter um veículo robusto para viajar em família e enfrentar estradas de terra eventuais, o mercado oferece excelentes SUVs com porta-malas generosos, como o Renault Boreal, Volkswagen Taos e Jeep Commander. Se o foco for orçamento ou tamanho compacto, opções de sete lugares ou familiares como o Fiat Fastback, Citroën Aircross, Chevrolet Spin ou Renault Duster resolvem o problema perfeitamente.

Dirigir uma picape moderna é uma experiência singular e muito prazerosa, especialmente os modelos equipados com motores turbodiesel que superam os 200 cv. Contudo, é fundamental colocar os custos fixos na ponta do lápis para garantir que a compra seja movida pela razão, e não apenas pela emoção.

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