A agência de classificação de risco S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito da Harley-Davidson para o nível “junk” (“lixo” em inglês, referindo-se ao grau especulativo) nesta quarta-feira (8), cortando o rating da fabricante americana de motocicletas de BBB- para BB+. Segundo a agência, a decisão reflete a aposta da empresa em vender modelos mais baratos para recuperar volume, o que deve pressionar a lucratividade por um bom tempo.
Na prática, uma nota de crédito funciona como um boletim que mede a capacidade de uma empresa, ou de um país, de pagar suas dívidas. Quanto mais alta a nota, menor o risco percebido por quem empresta dinheiro. A faixa de “grau de investimento” reúne as companhias mais seguras; abaixo dela ficam os títulos “especulativos”, apelidados de junk. O BB+ da Harley é o primeiro degrau desse território de maior risco, e cair para o grau especulativo costuma encarecer os empréstimos: para atrair investidores, a empresa tende a pagar juros mais altos.
O rebaixamento tem raízes na queda das vendas. De acordo com a S&P, a Harley vendeu 12% menos motos em 2025 do que no ano anterior, sem reduzir na mesma proporção os custos de fabricação. Para reagir, a companhia lançou em maio o plano “Back to Bricks”, que prevê modelos de entrada mais acessíveis para atrair novos motociclistas e um foco maior na rentabilidade das concessionárias. O problema, aponta a agência, é que motos mais baratas rendem menos por unidade e, no curto prazo, ainda pesam as despesas de reestruturação e as tarifas de importação.
No Brasil, vendas da Harley-Davidson também caíram, apesar do mercado de motos estar aquecido (Foto: Harley-Davidson | Divulgação)
Por ora, apenas a S&P colocou a Harley no grau especulativo. As agências concorrentes Moody’s e Fitch ainda mantêm a marca em grau de investimento, e a própria S&P deixou a perspectiva “estável”. Em 31 de março, a fabricante tinha cerca de US$ 1,63 bilhão (aproximadamente R$ 8,4 bilhões) em dívida líquida de longo prazo.
No Brasil, o cenário acompanha a retração global. Dados da Fenabrave mostram que as vendas da marca no país caíram mais de 50% entre os primeiros nove meses de 2020 e o mesmo intervalo de 2025, ainda que 2024 e 2025 apontem alguma retomada. A operação brasileira reúne hoje 24 concessionárias, segundo a Abraciclo, e comercializa a linha 2026 a partir de R$ 119.950. Tudo isso em meio ao melhor semestre da história do mercado brasileiro de motos, com 1,17 milhão de emplacamentos no período (alta de 14,1%) segundo a Fenabrave, mas puxado por modelos de baixa cilindrada, distantes do público da marca.
Continue lendo...
O que é nota de crédito?
Na prática, uma nota de crédito funciona como um boletim que mede a capacidade de uma empresa, ou de um país, de pagar suas dívidas. Quanto mais alta a nota, menor o risco percebido por quem empresta dinheiro. A faixa de “grau de investimento” reúne as companhias mais seguras; abaixo dela ficam os títulos “especulativos”, apelidados de junk. O BB+ da Harley é o primeiro degrau desse território de maior risco, e cair para o grau especulativo costuma encarecer os empréstimos: para atrair investidores, a empresa tende a pagar juros mais altos.
O rebaixamento tem raízes na queda das vendas. De acordo com a S&P, a Harley vendeu 12% menos motos em 2025 do que no ano anterior, sem reduzir na mesma proporção os custos de fabricação. Para reagir, a companhia lançou em maio o plano “Back to Bricks”, que prevê modelos de entrada mais acessíveis para atrair novos motociclistas e um foco maior na rentabilidade das concessionárias. O problema, aponta a agência, é que motos mais baratas rendem menos por unidade e, no curto prazo, ainda pesam as despesas de reestruturação e as tarifas de importação.
No Brasil, vendas da Harley-Davidson também caíram, apesar do mercado de motos estar aquecido (Foto: Harley-Davidson | Divulgação)
Por ora, apenas a S&P colocou a Harley no grau especulativo. As agências concorrentes Moody’s e Fitch ainda mantêm a marca em grau de investimento, e a própria S&P deixou a perspectiva “estável”. Em 31 de março, a fabricante tinha cerca de US$ 1,63 bilhão (aproximadamente R$ 8,4 bilhões) em dívida líquida de longo prazo.
No Brasil, o cenário acompanha a retração global. Dados da Fenabrave mostram que as vendas da marca no país caíram mais de 50% entre os primeiros nove meses de 2020 e o mesmo intervalo de 2025, ainda que 2024 e 2025 apontem alguma retomada. A operação brasileira reúne hoje 24 concessionárias, segundo a Abraciclo, e comercializa a linha 2026 a partir de R$ 119.950. Tudo isso em meio ao melhor semestre da história do mercado brasileiro de motos, com 1,17 milhão de emplacamentos no período (alta de 14,1%) segundo a Fenabrave, mas puxado por modelos de baixa cilindrada, distantes do público da marca.
Continue lendo...